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Os textos abaixo são trechos transcritos do segundo capítulo do livro documentário Laguna Antes de 1880, publicado em 1976, do Pe. João Leonir Dall’Alba., onde ele transcreve o relatório do Juiz Dr. Francisco Izidoro Rodrigues da Costa, enviado à corte com propósito de informação sobre a cidade. 


20 - Telégrafo

Goza o município do direito de achar-se em comunicação direta com todos os lugares, do Império e fora dele, por meio do telégrafo. É uma grande vantagem, que dá muita importância ao florescente município.

A estação da Laguna foi inaugurada em Janeiro de 1867, e é a úmica de toda a comarca. Expede anualmente para a capital de 900 a 1.000 telegramas. Para o Rio de Janeiro, de 200 a 250. Para outros lugares, 300, mais ou menos. Corresponde-se diariamente cam as estações da Capital, ltajai, Morretes, Santos, Rio de Janeiro, Torres e Porto Alegre. Pode carressponder com qualquer estação do Norte, até Recife, e ao Sul, até Montevidéo. Seu movimento anual é de dois contos e quinhentos mil réis, mais ou menos. Tem um pessoal de quatro empregados, sendo: Estacionárlo-chefe, José Goulart Rollim; Adjunto, João de Souza Corcoroca; Praticante, José Bernardino Garcia; Carteiro servente, Inácio José de Carvalho. Além destes ainda tem um engenheiro encarregado do exame da linha até as Torres. que é Francisco Berendt, e outros empregados que percorrem diariamente a linha. Brevemente se abrirá uma estação na Vila do Tubarão, que se comumcara com a desta cldade.


21 - Associações


Infelizmente o espiríto de associação não tem encontrado eco no povo lagunense. A Companhia Catarinense que prestava ótimos serviços à Iavoura e ao comércio, com a navegação de um vapor desta cidade para a Desterro, liquidou e dissolveu-se.

A Sociedade de Propaganda da Instrução também morreu. As únicas existentes são a recreativa "Club 20 de Setembro", que conta um ano e funciona à rua Direita, dando mensalmente partidos dançantes, e a "Sociedade dos Negociantes Exportadores", com um capital. de, 300 contos, para exportação de cereais. Não nos consta a existência de outras.


22 - Biblioteca


Alguns espíritos patriotas, nesta, cidade, reconhecendo que a grande tese da instrução depende da iniciativa individual, como acontece na lnglaterra e nos Estados Unidos, instalaram, em 1876, uma biblioteca, corn os donativos de diversas pessoas do povo. A princípio modesta, composta de uma estante com folhetos e alguns livros, atualmente com elementos de vida e propriedade e tem quatro estantes importantes.

Em 1878, conforme o catálogo que se organizou, continha 455 obras em 897 volumes, sendo: Romances, 51; Poemas, 30; Literatura, 62; Ciências, 92; Artes e Industrias, 95; Comércio. 3; Educaçao, 30; Novidades, 81; Revistas, 11. Ultimamente, por compras e ofertas de parrtlculares, tem aumentado extraordinariamente, com o número de 230 obras, perfazendo 685 obras, em 1.297 volumes. O movimento de entrada e saída foi regular. É alimentada por mensalidades de alguns cidadãos e funciona à praça Conde d'Eu. A dlretoria atual compoe-se: Diretores, Custôdio José de Bessa e Dr. Francisco Isidoro Rodrigues da Costa; Secretário e Tesoureiro, Antônio Fernnndes Viana; Bibliotecário. Antônio Luis de Carvalho.


*O que lemos acima passava-se antes de 1880. E em 1880? Conta-nos Saul Ulysséa em seu livro "Laguna de 1880", publicado em 1943 sobre o assunto:

PRAÇA CONDE D’EU

"... Pegada à padaria, a biblioteca pública denominada “Biblioteca Popular”, nome que se lia em uma taboleta, afixada sôbre a parede, perpendicularmente.

Foi fundada em 1876.

Um catalogo da biblioteca, de 1878, dava o número de 445 volumes, assim discriminados: 143 volumes de literatura, 92 de ciências, 95 de artes e indústrias, 3 comerciais, 30 de educação, 81 de variedades e 11 de revistas.

Era mantida com mensalidade de algumas pessôas e uma pequena contribuição da Câmara Municipal.

Gerida por dois diretores, um secretário e um bibliotecário que em 1880 era o sr. Manoel Cândido da Rosa.

Possuia uma coleção completa do “Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro, encardenada e oferecida à biblioteca pelo Almirante Lamego, Barão da Laguna.

Hoje  (nota do site: 1943)com todo nosso progresso material, que não se pode comparar como daquele tempo, não possuímos uma biblioteca pública. Nem ao menos os homens que dirigiram a Laguna souberam conservar o que os homens do passado, com sacrifício ou pelo menos com esfôrço conseguiram organizar. Onde foram parar esses livros. Onde está a coleção do “Jornal do Comércio” desde o primeiro número até a época da oferta e que hoje valeria muitos contos de réis?..."


23 - Hospital

A Lei n° 392, de 4 de abril de 1855, criou o Hospital de Caridade de Laguna. Funciona em um velho edifício arruinado e estragado, tendo, apenas espaço para 10 leitos. Felizmente, devido à iniciativa do povo, acha-se em construção um lindo e espaçoso prédio, na Figueirinha, cujas obras vão em andamento. Ainda não se criou a irmandade de que trata a lei supracitada, sendo a direção do hospltal entregue a uma comissão administrativa nomeada pela Câmara Municipal.


*O que lemos acima passava-se antes de 1880. E em 1880? Conta-nos Saul Ulysséa em seu livro "Laguna de 1880", publicado em 1943 sobre o assunto:

CAMINHO DO MAGALHÃES

"... Entre o depósito descrito e a rua Bragança havia um prédio velho, de propriedade do sr. Francisco Fernandes Martins, onde funcionava o pequeno hospital São Francisco de Assis..."


Vista do Hospital para o centro. Foto recebida de Jairo Viana de Oliveira Jr.


24 -Teatro


O povo lagunense, primando, desde épocas remotas, em fazer todas as obras necessarias ao progresso social, ao melhoramento. da localidade, reconheceu a necessidade de um edifício onde, depois das fadigas do trabalho, encontrasse algumas horas de recreio, de distração. Por isso construiu, por iniciativa particular, sem auxilio algum do Goverrno ou da Província, o vasto e sólido prédio do teatro. Para ser mais elegante falta-lhe apenas um pouco de altura.

A primeira pedra do edifício foi posta com as solenidades legais, em 7 de setembro de 1855, pelo Júiz de Direito João José de Andrade Pinto. A primeira representação foi dada em 10 de outubro de 1858.O custo do edifício foi de 6.450$000, por meio de ações de 50$000, sendo emitidas cento e vinte. Não tendo esta quantia chegado, tomou-se em empréstimo 450$ 000, que foi paga por meio de benefícios no mesmo teatro. Tem duas galerias para senhoras e bancadas para senhoras e bancadas para homens, comportando 400 pessoas.



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