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Os textos abaixo são trechos transcritos do segundo capítulo do livro documentário Laguna Antes de 1880, publicado em 1976, do Pe. João Leonir Dall’Alba., onde ele transcreve o relatório do Juiz Dr. Francisco Izidoro Rodrigues da Costa, enviado à corte com propósito de informação sobre a cidade. 


25 - Culto


O povo em geral é dado às práticas religiosas. O culto externo é feito na Igreja Matriz, cujo padroeiro é Santo Antônio dos Anjos. Existe uma capela em construção com a invocação de Nossa Senhora do Rosário, e, em projeto,uma outra, de Nossa Senhora dos Navegantes.


Anúncio da Irmandade de Santo Antônio publicado no Jornal A Verdade de 5 de junho de 1880. Arquivo deste site.


Na Igreja Matriz existem as seguintes irmandades: Santo Antônio dos Anjos, Santíssimo Sacramento, Dores, Rosário, Espírito Santo, Parto, e as devoções Passos e São Sebastião.

Declaraçãoo sobre a Igreja Matriz da cidade feita,em 1746, pela Vigário Mateus Pereira da Silva: "A Igreja Velha, que serviu de capelamor, teve seu princípio no ano de 1696.O corpo que se lhe acrescentou o teve no ano de 1739. Tem atualmente 193 fogos, compreendendo o distrito da freguesia 130 léguas, pouco mais ou menos, e parte com as freguesias da Ilha de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Curitiba. Tem sítios e moradores que distam da matriz 130 léguas, com pouca diferença, como são de Lages e de Cima da Serra. Tem outros que distam 80 léguas, que São os do Campo de Viamão e onde ha 50 fogos, corn mais de 200 pessoas. Tem outros sitios, corn 22 pessoas em 9 fogos, nos campos de Tramandaí, em mais de 50 léguas de distância desta vila. Têm os moradores de Viamão uma capela, mas não tem capeIão. A criação e instituição da Capela de Nossa Senhora da ConCeição, nos Campos de Viamão, foi por provisão de Sua Excelência Reverendíssima, de 14 de dezembro de 1741.

Provisão de Sua Excelência Reverendíssima para o Reverendíssimo Vigário da vara desta Matriz de Santo Antônio dos Anjos da Laguna para benzer dita Capela. Foi esta benta em 14 de maio de 1746."

Esta declaraçao foi feita pelo Vigário Mateus Pereira da Silva.



26 - Iluminaçâo Pública


A cidade vive às escuras. Não existe iluminação pública nem partiicular. Em dias escuros não se pode andar nas ruas. Devido à iniciativa do Dr. Augusto Gurgel, ex-juiz Municipal, inaugurou-se uma regular iluminação a gás, em 1876. Mas, logo que este distinto magistrado se retirou da Comarca, essa iluminação acabou-se, porque uns retiraram os lampiões, pela excessiva despesa de 240 réis mensais, outros porque não tinham pessoas incumbidas de acendê-Ios e apagá-Ios. Hoje apenas se encontra um ou outro. Conviria que a Comarca tomasse a si esta inncumbência, como acontece nas localidades centrais de Pernambuco, embora houvesse para o custeio um imposto especial.

 

O Acendedor de Lampiões

Lá vem o acendedor de lampiões da rua !
Este mesmo que vem enfatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrecer o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais acende imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se presente.

Triste irônia atroz, que senso humano irrita:-
Ele que doira a noite e ilumina a cidade.
Talvez não tinha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também que nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua !

Origem do poema: Light e Bibl. Pública do Est. do Rio de Janeiro



27 - Cadeia Pûblica


A cadeia, a única existente, está situada na praça Conde d'Eu na cidade. É o pavimento térreo dum espaçoso sobrado construído pela municipalidade. Possui cômodos necessários ao número de presos e é solidamente construído. O pavimento superior, ou primeiro andar, serve para o paço da Câmara Municipal, sala das audiências e do júri. Tem dois grandes salões forrados a papel, bem mobiliados, sendo a única municipalidade da Provincia que possui tão importante edifício. O paviimento térreo, que é o que serve de cadeia, divide-se em 4 prisões para o recolhimento dos criminosos, deixando lateralmente um saguão para quartel da polícia, com uma pequena sala,onde mora o carcereiro.

Das prisões, duas são fortes, que fecham-se por xadrez de madeira chapeado de ferro, deixando um corredor que da para a rua. Tem este duas janelas gradeadas de ferro que deitam para a rua. Tem ainda uma outra prisão, corn janela com grade, para as detençõles correcionais. As prisões fortes comportam 5 criminosos cada uma.


(Sabendo que o citado acima passava-se antes de 1880, vamos ver o que nos conta Saul Ulysséa sobre o que se passava em 1880)

PRAÇA CONDE D’EU

"Chamou-seno passado praça da Cadeia, sendo mudado o nome para Conde d’Eu, mais tarde praça da República, depois Conselheiro Mafra e hoje, Praça da Bandeira...

... Em um prédio isolado, o edifício da Câmara Municipal, no mesmo estado em que se acha, a não ser a retirada do sino e das grades da antiga cadeia. Edifício histórico. Alí foi proclamada a República Catarinense, em 29 de Julho de 1839.
A parte mais baixa foi edificada em 1747, com a denominação de “Paço do Conselho”. Não conseguimos saber quando foi edificada a  parte mais alta do edifício.
No alto da escadaria, existia um arco contendo no centro um sino de bronze que servia para anunciar a hora das audiências e chamada de jurados.
No verão, às 22 horas e no inverno às 21 horas, o sino indicava a hora de fechamento das casas comerciais e a dos escravos se recolherem às casas dos respectivos senhores. Dessa hora em diante os escravos encontrados na rua eram recolhidos à prisão.
O pavimento térreo era ocupado pela cadeia pública, ficando na parte fronteira a rua das Pedreiras, o corpo da guarda.
O sobrado, ocupado, uma parte, a menor, pelo Conselho Municipal e a mais alta pelo Tribunal do Jury e repartição municipal.
O presidente da Cãmara exercia as funções de chefe do Poder Executivo.
Em 1880 era presidente o coronel Luiz Pedro da Silva Pinto, secretário, o capitão João Tomaz de Oliveira, fiscal João de Andrada e carcereiro Manoel Floriano."



O prédio da cadeia pública, atualmente o Museu Anita Garibaldi. Foto de J. M. Dias.



(Continue a leitura na página seguinte)


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