Os textos abaixo são trechos transcritos do segundo capítulo do livro documentário Laguna Antes de 1880, publicado em 1976, do Pe. João Leonir Dall’Alba., onde ele transcreve o relatório do Juiz Dr. Francisco Izidoro Rodrigues da Costa, enviado à corte com propósito de informação sobre a cidade.
28 - Força Pública
Devido à índole pacífica do povo a segurança não sofre alteração. Por isto a ronda da cidade e a guarda da cadeia são feitas por um pequeno destacamento de dez praças, comandados por alferes. As freguesias, apesar da longitude da cidade, nunca tiveram um só soldado. No entanto, é raro suceder qualquer delito grave, a não ser no Araranguá, por causa da distância, e ser limítrofe com o Rio Grande do Sul. É impossível, com o atual número de praças, fazer-se a polícia da Comarca. É mister aumentá-lo, mas de que maneira? A quota dada pelo Governo Geral é insignificante. Só a terça ou quarta parte do necessário. As rendas provinciais são também insignificantes para a sustentação de um corpo tão aparatoso. Dê-se uma nova organização à força policial, tendo-se mais em vista o ato adicional, que não foi certamente constituir corpos policiais iguais aos de linha, corn um regimento e aparato militar, constituindo-o em batalhões e companhias, armado e equipado à semelhança daqueles, com direito penal especial. Mas constituir guardas locais ou municipais distribuidos pelos municipios da Provincia, onde facilmente poder-se-ia fazer o engajamento, escolhendo-se individuos mais aptos, mais conhecidos, e de moralidade.
E, como bem disse um sábio administrador, um passo dado para a descentralização administrativa, ficando o município corn vida própria. Sem dúvida, tratando-se de sua segurança e ordem pública, valerá para que se alistem cidadãos idôneos. O que não acontece atualmente, pois, sendo a paga diminuta, sem vantagens, compõe-se a polícia de gente que careCe ser policiada.
Corn esta organização se dispensa o atua! estado da polícia, que conta mais oficiais do que soldados, pagando-se um soldo avultado. Basta um Capitao-comandante, um Tenente secutário, um Alferes, e Sargentos, comandantes parciais para os distritos.
30 - Renda Municipal
A renda da municipalidade, provinda de impostos propriamente municipais, monta a cinco contos de réis, pouco mais ou menos. É aplicada a pagamento dos empregados e obras públicas. A municipali· dade lagunense, composta de distintos cidadãos, tem compreendido a missão confiada pelos municípios e merecedora de Encômio.A escassa renda tem sido aplicada em melhoramentos materiais. Assim é que estão calçadas as ruas, constuíndo o novo cemitério do centro da cidade, obra importante no futuro, o primeiro, talvez, na provÍncia. Fez-se um chafariz na carioca para as pipas de água. Abriu-se a rua Tenente Benevides. Aperfeiçou-se a rua Voluntário Carpes e Ouvidor. Construiu-se ótimas estradas. Se a municipalidade prosseguir com afinco, em menos de três anos terá este município um desenvolvimento espanntoso.
31 - Edificações
Na cidade a edificação é regular, notando-se alguns prédios importantes. Contam-se mais de 600 casas térreas e 30 sobrados. Existem dois bairros retirados da cidade, Magalhães e Campos de Fora, que são considerados pela população como arrabaldes ou lugares de recreio, onde moram em bonitas chácaras alguns abastados proprietários. O Magalhães aumenta extraordinariamente. A princípio se compunha de alguns pequenos ranchos ou casas de palha, na rua da praia. Hoje, porém, se estende a edificação a tal ponto que causa admiração o seu desenvolvimento repentino. Ha nele prédios bem construidos.
Vista aérea do Magalhães em 2006. Foto de Geraldo Cunha (Gê).
As ruas principais são: Direita, Praia, Conde d'Eu, 1° de Março, 7 de Setembro, Conselheiro Lamego, Voluntário Carpes, Voluntário João Firmino, Tenente Benevides, Machado, Bessa e outras. As ruas e as casas são numeradas a sistema de placas. Na cidade, à rua da Praia, se acham as repartições de Rendas Provínciais e Gerais e o Correio. Sâo empregados da mesa de Rendas Provinciais: Administrador, Manuel Henrique de Souza, Escrivão, Francisco de Paula Pacheco dos Reis e mais cinco guardas, dois de números e três supernumerários.
Empregados da Mesa de Rendas Gerais: Administrador, José Maurício Lopes da Silva, Escrivão, Elias José de Souza Medeiros, ajudante, Hermínio Amaral da Silva Lino, guardas, Joaquim de Souza Freitas, José Ferreira Baião, Agente do Correio, Francisco José de Souza Júnior.
Na praça Conde d'Eu é onde se acham todos os estabelecimentos públicos: A cadeia, o quartel, as salas da Câmara e Audiências, a tipografia do município, a repartição de telégrafo, e a biblioteca popular. Na rua do Fogo, os seguintes estabelecimentos: Teatro, escolas publicas. No Campo de Fora, estão os cartórios de órfãos, ausentes, cível, criminal, tabelionato de notas e hipotecas, escritórios do procurador da Câmara.
A Rua do Fogo na atualidade. Foto de Dr. Hayesboh.
As ruas são quase todas calçadas de berbigão, trabalho mandado fazer pela patriótica municipalidade. É o melhor calçamento, e o mais barato que pode haver. o paralelepípedo, além de caro, tem grandes inconvenientes, que a experiência tem demonstrado. Nas grandes cidades, o contínuo movimento de carros abate o calçamento.
32 - Guarda Nacional
As Câmaras de Tubarão e Laguna têm os seguintes corpos: 3° BataIhão de Infantaria de serviço ativo, 3° Corpo de Cavalaria de serviço ativo, 3° Batalhão de Infantaria de serviço de reserva, 3° Corpo de Cavalaria de serviço ativo. De conformidade com a lei de 19 de setembro de 1850, serviram de comandante superior efetivo: O finado Coronel Domingos José da Silva, até 1865. Desta data em diante, interinamente, até 1867, Coronel Antônio José da Silva, que foi nomeado efetivo. Serviram interinamente estes cargos, em épocas diversas, O Tenente Coronel Joao José de Souza Guimarães, Tenente Coronel Francisco de Souza Machado Cravo, Tenente Coronel Vidal José de Oliveria Ramos, João da Silva Ribeiro.
O número da Guarda Nacional é o segulnte: Serviço ativo: 3416; Reserva: 1354.
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