Os textos abaixo são trechos transcritos do segundo capítulo do livro documentário Laguna Antes de 1880, publicado em 1976, do Pe. João Leonir Dall’Alba., onde ele transcreve o relatório do Juiz Dr. Francisco Izidoro Rodrigues da Costa, enviado à corte com propósito de informação sobre a cidade.
33 - Higiene
A higiene pública, que sempre mereceu particular atenção da parte dos Governos, é, infelizmente, questão de pouca monta entre nós, apesar de diariamente se darem casos funestos, por onde se pode avaliar a sua necessidade e importância. A Laguna, cidade importante da Província, não tem procurado melhorar o seu estado sanitário.
As emanações pantanosas, sobretudo, que favorecem a propagação de epidemias, não são extintas. A Providência favoreceu o povo corn uma contínua mudança de ventos, que carregam os miasmas e contribuem para a salubridade, embora de 1874 a 1878 a epidemia da Varíola dizimasse a população. Estando em frequente comunicação com o Rio de Janeiro, facilmente se importa a Febre Amarela, as Bechigas e todas as espécies de epidemias. Deve-se por isso conservar as casas, as ruas, os valos e outros focos de miasmas sempre acionados, observando os preconCeitos higiênicos.
Durante a nossa estada nesta cidade não cessamos, com nossa humilde pena, de clamar, chamando a atenção da municipalidade para o serviço da higiene, que é para onde esta deve ter a vista sempre presa. Porque depende o aumento da população estrangeira do bom serviço da higiene, do estado sanitário do município.
34 - Estabelecimentos de Crédito
O comércio e a lavoura, infelizmente, não têm estabelecimentos de crédito que os auxiliem. Uns quatro ou seis capitalistas que vivem de rendimentos pôem à disposição do agricultor e dos comerciantes os seus capitais, a prémio de 8% a 18% ao ano. E alguns capitalizam os juros de seis em seis meses, corn garantia de hipoteca rural.
O comércio não usa de letras mercantes, na forma do Código Comerdal. Apenas contenta-se com créditos, que não são tão privilegiados como as letras.
O Governo também não tem socorrido de forma alguma com capitais a pequena ou grande lavoura.
35 - Caixas Econômicas
As Caixas Econômicas, criadas em virtude da Lei n° 1.083 de 22 de agosto de 1860; artigo 2, parágrafos 14 a 16 da Lei n° 1.507 de 26 de setembro de 1867; artigo 36, paragrafo 1° e Regulamento de 1874, são instituições populares que têm por fim receber pequenas quantias de 1 $000 a 50$000 (semanalmente), fruto das economias das classes menos abastadas, a juro de 6% anualmente. Capitalizam esse juro no fim de cada semestre do ano civil, assegurando, corn a garantia do Governo Imperial, a fácil restituição do que pertenCer a cada depositante, quando exigido. Não há quem desconheça suas vantagens. Um grande jornalista brasileiro escrcveu as seguintes palavras: Onde reina a economia desaparece a indigência. Neste conceito de profunda verdade teve origem a idéia das Caixas Econômicas, colocadas em lugar distinto entre os benefícios que o espírito filantrópico deste século tem realizado em prol das classes pobres. Antes das Caixas Econômicas, estas classes, não sabendo o que fazer de suas economias, gastando tudo que ganhavam, nada reservavam para o futuro.
Alguns operários, tendo pequenas somas, por não encontrarem colocação segura para elas, as entregavam a gente necessitada, que os atraiam cam o engodo de juros elevados. As mais das veze, essas somas, fruto de precioso suor derramado em afanoso trabalho, eram perdidas. Isto aconselhava os hamens o campo a enterrarem seu dinheiro...
... lnfelizmente, em nosso país, as Caixas Econômicas pouco ou nenhum resultado têm produzido até hoje, devido a só se estabelcerem estas instituições nas capitais e não se ter tratado das filiais nas localidades mais importantes.
Nesta cidade, onde não existe uma só associaço de beneficiência ou de socorros mûútuos, seria necessário que o Governo, de conformidade corn o Capítulo 5, artigo 84 e seguintes do Decreto n° 5.594,de 18 de abril de 1874, autorizasse a Mesa de Rendas Gerais a servir de agência da Caixa Econômica estabeIecida na Província. Receberla as quantias que quisessem depositar as pessoas residentes nesta localidade. Seria um benefício para a população pobre.
*NOTA DO SITE: Um parêntese para conhecermos como mais um pouco sobre as "Caixas":
"História
O dia 12 de janeiro de 1861 marcou o início da história da CAIXA e de seu compromisso com o povo brasileiro. Foi nesse dia que Dom Pedro II assinou o Decreto n° 2.723, dando origem à Caixa Econômica e Monte de Socorro. Criada com o propósito de incentivar a poupança e de conceder empréstimos sob penhor, a instituição veio combater outras que agiam no mercado, mas que não ofereciam garantias sérias aos depositantes ou que cobravam juros excessivos dos devedores. A experiência acumulada desde então permitiu que em 1931 a CAIXA inaugurasse operações de empréstimo em consignação para pessoas físicas. E que, em 1934, por determinação do governo federal, assumisse a exclusividade dos empréstimos sob penhor, com a conseqüente extinção das casas de prego operadas por particulares. Em quase um século e meio de existência, a CAIXA presenciou transformações que marcaram a história do Brasil. Acompanhou mudanças de regimes políticos e participou ativamente do processo de urbanização e industrialização do país. Em 1931, começou a operar a carteira hipotecária para a aquisição de bens imóveis. Cinqüenta e cinco anos mais tarde, incorporou o Banco Nacional de Habitação (BNH), assumindo definitivamente a condição de maior agente nacional de financiamento da casa própria e de importante financiadora do desenvolvimento urbano, especialmente do saneamento básico.
Também em 1986, a CAIXA incorporou o papel de agente operador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), antes gerido pelo BNH. Três anos depois, passou a centralizar todas as contas recolhedoras do FGTS existentes na rede bancária e a administrar a arrecadação desse fundo e o pagamento dos valores aos trabalhadores.
Desde sua criação, a CAIXA estabeleceu estreitas relações com a população, assistindo suas necessidades imediatas por meio de poupança, empréstimos, FGTS, PIS, seguro-desemprego, crédito educativo, financiamento habitacional e transferência de benefícios sociais. Também alimentou sonhos de riqueza e de uma vida melhor com as Loterias Federais, das quais detém o monopólio desde 1961.
Ao longo de sua história, a CAIXA cresceu e se desenvolveu, diversificando sua missão e ampliando sua área de atuação. Hoje, ela atende correntistas, trabalhadores, beneficiários de programas sociais e apostadores. Também apóia iniciativas artístico-culturais, educacionais e desportivas em todo o Brasil. Como principal agente das políticas públicas do governo federal, a CAIXA infiltra-se pelo país e promove aproximações geográficas e sociais. Já são mais de 48,1 milhões de clientes e 37,5 milhões de cadernetas de poupança, o que corresponde a 31% de todo o mercado de poupança nacional. Passados 148 anos, a CAIXA consolidou-se como um banco de grande porte, sólido e moderno, e uma empresa pública que é sinônimo de responsabilidade social. Mas nunca perdeu seu intuito original: ser uma CAIXA para você e para todos os brasileiros."
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