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Os textos abaixo são trechos transcritos do segundo capítulo do livro documentário Laguna Antes de 1880, publicado em 1976, do Pe. João Leonir Dall’Alba, onde ele transcreve o relatório do Juiz Dr. Francisco Izidoro Rodrigues da Costa, enviado à corte com propósito de informação sobre a cidade.


37 - Privilégios


A lei n° 885. de 20 de março do corrente, autorizou ao Presidente da Província conceder a Antônio Antunes de Souza e Francisco Gonçalves ou a quem melhores  vantagens oferecer. O privilégio, por 20 anos para estabelecerem uma linha de navegação a vapor entre os rios Tubarão, Una e seua afluentes, enseadas e portos da Laguna, devendo a navegação pricipiar dentro  de dois anos, e as malas do correio conduzidas de graça, as passagens por conta da Província e Estado terem abatimento de 30%, além de outras condições formuladas pelo Presidente. Vê-se do conteudo da lei que apenas existe uma autorização ao Governo, podendo, quem quiser, em tempo oportuno, apresentar-se com melhores vantagens.


A Lei n° 767, de 21 de março de 1875, autoriza ao Governo conceder empréstimo de dez contos para a construção de um mercado nesta cidade. O emprestimo será amortecido pela Câmara Municipal, depois de concluida a obra, na razao de 20% ao ano, concorrendo para esse fim 50% do rendimento do mesmo mercado. Não foi posta ainda em execução, e ressente-se a população da   falta de um mercado, que outras localidades de menor importância possuem.



Vista do cais para o Mercado Público atual. Foto de Thomaz D`Aquino Silva.



A Lei n° 689, de 28 de março de 1876, permite a organizaçáo de uma associação, na cidade de Laguna, com o fim específico de conseguir capital de 5 contos para encanamento das águas da carioca.


Uma vista noturna da Fonte da Carioca. Foto de Fernando Longardi.



*Conta Saul Ulysséa em seu livro Laguna de 1880: "... Muitas pessôas de menos recurso lavavam sua própria roupa. O lugar de maior número de fontes era no largo da Carioca, na vala que começava nas proximidades do chafariz indo até as casas da atual travessa Oscar Pinho."


A Lei n° 886, de 20 de março do corrente ano, autoriza ao Presidente da Província conceder a Constantino Ferraz Pinto, ou a quem mais vantagens oferecer, privilégio por dez anos para a navegação a vapor entre os portos da Capital e Laguna. Ainda não levou adiante a idéia o autor, que se dirigiu ao Governo pedindo uma subvenção de doze contos anuais. 


Constantino Ferraz Pinto. Imagem do Blog sobre genealogia, tronco da Família Ferreira Marques.



Um pouco mais sobre Constantino Ferraz Pinto, de acordo com as pesquisas genealógicas de sua família:


Casou-se com Adelaide Setubal Ferraz e juntos tiveram 5 filhos: EUGÊNIA FERRAZ NOGUEIRA, ESTÁCIA FERRAZ STOTT, ADÉLIA SETUBAL FERRAZ, JÚLIO SETUBAL FERRAZ e MARIA JOSÉ FERRAZ que é a bisavó paterna da pessoa que realizou a pesquisa no site acima citado.



38 - Colonização


Apesar da importância agrícola do município, de ser talvez o único que conta maior número de quilômetros de terras devolutas, ainda não há uma colônia. Foram estabelecidas muitas nesta Província, em outras municípios, cujos terrenos péssimos obrigam os colonos a se retirar.
Não sabemos o motivo de não ter feito o Governo aIguma cousa nesse sentido, pois é uma necessidade a promoção de braços livres para a lavoura. Existem terrenos férteis em Vila Nova, nos sertoes de Imaruí, que pertencem ao Governo, os quais produzem excelente algodao, café, cana, fumo, trigo, etc. Nem diga-se que os agricuItores podem mandar vir colonos empregar-se, assim, de iniciativa individual. Uma agricultura pobre, sem meios pecuniários, não pode suportar um tão pesado encargo



39 - Reino Vegetal


Para que se possa fazer idéia do reino vegetal do município em madeiras de construção e de marcenaria, em plantas, era mister fazer-se um volumoso catálago, para o que não estamos habilitados. Mas entre outras espécies notamos o cedro, canelas brancas e pretas, louro, peroba ...


Canela branca


40 - Reina Animal


A caça é abundante e de várias espécies. Entre as primeiras notaremos: As perdizes, as pacas, jacus, antas, patos, gansos, marrecos ... Não há, talvez, na Província, lugar de maior quantidade de peixe do que neste município. Suas lagoas e rios contêm imensa variedade para alimentação da população, e até para exportação, cuja industria ja deu ótimos resultados. Se não fosse a praga dos biguaís, mergulhões, pássaros d’água, que devoram os peixes, seria um importante ramo de comérrcio a expartação de tainhas e bagres secos.


O biguá: visto como uma ameaça para o comércio de peixes.



41 - Reino Mineral


Pode-se dizer que este município contém todos os metais preciosos: Cobre, ferro, carvão de pedra, argilas, calcários, etc. São vistos em qualquer parte, sendo admiravel a quantidade de pedras de construção que existem neste município, o mais rico e abundante que temos visto nesse sentido. Em qualquer tugar que seja: No morro ou na circunferência da cidade, encontram-se calcários, granitos e várias qualidades de pedras de todas os tipos, sendo, partanto, facilíma e barata a construução de prédios.

O ferro e o carvão são hoje em dia os primeiros agentes da moderrna civilização. Corn efeita, se notarmos que esses minerais são a alavanca principal da indústria e que o desenvolvimento deIa produz o da inteligência do homem, pela necessidade que coloca do estudo das principais ciências e das suas aplicações, não poderemos delxar de concluir que o princípio estabelecido é incontestável, e deve-se tomar como axioma. Por maiores que sejam os desejos de implantar e desennvolver a indústria fabril em um país, onde faltam estas matérias, por mais eficaz que pareça a proteção oficialmente concedida, a industria  viverá vida mesquinha, raquitica, enfezada, vida emprestada. Sua duração será efêmera, quaisquer que sejam os sacrifícios para a conservar. Procurar, portanto, o carvão e o ferro não é menos neCessário a prosperiudade de uma nação do que promover a instrução do povo, dotar o país de boas vias de comunicação, ou quaisquer outras Coisas de rcconheclda utilidade.

Larnentamos, corno brasileiro, a incúria do nosso Governo no que, possuindo aqui e em outras províncias importantes minas de ferro e carvão, em lugar de aumentar corn esse meio a riqueza naclonal, compra ao estrangeiro milhares de contos daquilo que obteria por si próprio, se quisesse mandar lavrar as nossas minas.

Porque não seguirmos o exernplo da Europa, onde não há um só estado em que se deixe de lavrar o ferro, procurando-se o carvão por toda a parte? Por vergonha nossa, com tristeza no coração o diremos: O Brasil vive atrasado, parque tem tido ma adrninistração, pouco patriotismo em seus estadistas.

Todos anseiam que a extração de nossas minas seja uma realiidade para se conhecer a grandeza dos dois municípios da Província, Laguna e Tubarão, que concorrerá para aumentar a riqueza do País, particularmente nesta província, rica e abundante de minerais não explorados.

O carvao de pedra e o ferro abundam no município. Além das minas do Tubarão, concedidas ao Visconde de Barbacena, existem as do rio dos Porcos no Araranguá, e, segundo temos no arquivo antigo da Câmara: João Pacheeo dos Reis, em 1862, descobriu uma mina de carvão na margem da lagoa de Biraquera, em Vila Nova, tendo ela de extensão meia légua e 400 braças de largura, próximo do embarque. Este fato foi levado aa conhecimento do Governo imperial no dia 16 de outubro desse ano.

Relativarnente às minas do Tubarão ainda algumas observações devernos fazer. Um Brasileiro distinto, Manoel Souza de Melo Alvim, achou uma mina de excelente carvão de pedra a doze léguas da cidade. O Presidente da Província, aproveitando·se do conhecimento do inglês Davison, mandou examinar a qualidade, que foi verificada ser excelente, a melhor que pode haver no mundo. O naturalista Alexandre Vandelli declarou ser o carvão do nosso município, hoje Tubarão, um linhito piriliforme. Mario Parisot escreveu sobre a existência desta mina em memória. O engenheiro Van Lede afirma a existência de minas também de ferro, entre nós. O reverendo Padre Oliveira Paiva, em nota ao seu trabalho histórico afirma que o incansavel lidador da imprensa, o amigo sincero dos lagunenses, o Dr. Joaquim dos Remédios Monteiro, atuaIImente na Baía, possui amostras de ferro encontrado no nosso município. Ora, em vista destas abalizadas opiniões, do pareCer dos entendidos e do exame quimico a que se proCedeu na Europa, não resta dúvida de que o nosso solo enCerra ocultas importantes minas de carvão e de ferro. No entanto, nosso Governo, que tem feito?



Wagonway ligando a mina de carvão “Little Eaton” ao Canal de Derby. Foto e comentários do site Maglev Cobra.



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