Os textos abaixo são trechos transcritos do segundo capítulo do livro documentário Laguna Antes de 1880, publicado em 1976, do Pe. João Leonir Dall’Alba, onde ele transcreve o relatório do Juiz Dr. Francisco Izidoro Rodrigues da Costa, enviado à corte com propósito de informação sobre a cidade.
(continuação da página anterior)
O Ministro da Agricultura, em 1834, limitou-se a queixar-se no Parlamento de não haver no Império uma pessoa corn conhecimentos necessários para tirar proveito. Ao mesmo tempo mandava-se buscar na Europa indivíduos para os primeiros empregos remunerativos e empregavam-se nas obras publicas engenheiros estrangeiros. Feitos, porém, mais tarde, por diversos particulares, outros estudos, reconhecida urgente necessidade da lavra e extração desse mineral... deu no Ex.mo Sr. Visconde de Barbaccna privilégio por longos anos para exploração das minas de curvão no município de Tubarão, corn garantia de sete e meio por cento sobre o capital de 6 a 7 mil contos.
A empresa era de grande vulto, dependia de um elevado capital que só poderia ser realizado com o auxilio do estrangeiro, razão que Ievou o Sr. Visconde cie Barbacena a levantar capitais na Inglaterra. Conseguiu a incorporação de uma companhia que já deu começo à estrada de ferro, inaugurando, a 18 de dezembro, os trabalhos, no porto de Imbituba. Em breve se verá como é rico este município e quaI o seu futuro.
Chegando em Laguna. Foto de Eliane Reinaldo.
42 - Comércio
Atualmente é deplorável o estado do comércio. Concorre para isso o isolamento em que se acha esta praça dos centros produtores, por falta de boas estradas e duma barra franca a que permita a entrada de navios estrangeiros. Além disso o comércio não tem capitais suflcientes, não tem casas bancárias, nern faz operações de descontos de letras, como acontece ern outras partes.
O comércio rnaritímo é o prirneiro da Província. A Exportação é extraordinaria: Exporta-se a farinha, o milho, o feijiio, a fava, o amendoim. Continuadamente saem navios carregados destes gêneros.o quadro que oferecem os tempos modernos, governados polo comércio e indústria, que eram escravos outrora, é, sem dúvida, como diz Massé, um dos mais brilhantes espectaculos que tem sido dado ao homem contemplar.
A Rua da Praia, com o cais do porto, já em 1908. Imagem do acervo de Dalmo Mendes Faísca.
É uma bela cousa esta atividade humana, incessantemente ocupada a produzir, rnultiplicando as forças da indústria, atravessando os mares sem socorro dos ventos, cortando as distlâncias com a rapidez do pensamento. Abram-se, pois, vias de cornunicação, aproximern-se pelas boas estradas os centros produtores aos de consumo. Em breve este município se avantajará aos outros, porque o comércio é conseqüência forçada do estado da sociedade; inspira idéias de ordem, faz nascer hábitos de disciplina moral, abranda os costumes.
Pela nota adjunta verse-se-á que a praça possui 16 patachos e 6 iates (barra a fora), três sumacas, uma escuna, um brigue escuna: Ao todo vinte e sete navios. No periodo de 1868 a 1876, exportou-se, para varios portos, quilos: Farinha 40.132.383, Milho 36.158.107, Feijão 3.356.317, Carne (xarque) 1.101.183, Sebo 767.678, Graxa (banha) 620.188, Amendoim 406.201, Goma 204.929, Açucar 42.106, Arroz 16.990, Sola 7.796, Gravatá 6.693, Algodão 1.410, Carras de Couro 1.485, Café (comum) 1.125, Aguardente (litros) 30.616, Vinagre 5.760, Couros de boi 110.486, Chifres 5.670, Peixe Seco 70.000, Marcela(saco) 505, Paina de seda 360, Alhos( réstias) 31.490, Taboado (duzias) 353, Toros de Ipé 9516, Ca] (metros cubicos) 157.753.
No aludido período as embarcações fizeram 956 viagens para fora e 756 para os diversos portos da Província, perfazendo o número de 1712 viagens, somente de saída, não incluindo as entradas, que ignoramos quais fossem.
43 - Lavoura
É triste dizê-lo: A lavoura deste município está ainda em embrião.Tudo de pende do futuro. Não temos senão a cultura da farinha, porque milho e feijão vem do rico município de Tubarão, a fava vem do Araranguá. Nenhum aperfeiçoamento existe. A rotina é o guia dos nossos agricultores, que, infeIizmente, deixam oculto em seu seio imenso tesouro, que, em outras mãos e bem explorado, seria um manancial de riqueza. Não há, podemos dizer com ufania, município algum onde a terra seja mais fértil e propícia ao trabalho humano do que este. Onde a providência dispensa ao proprietário todos os elementos para a prosperidade, para o seu bem-estar. Embora esta dádiva seja desprezada, à semelhança do filho pródigo que desbarateia a fortuna honrada do progenitor.
Duvidar da uberdade do solo, da amenidade do clima, é um impossível, porque a natureza e o futuro protestam contra. Não precisa-se nesta comarca e na vizinha (Tubarão), como nos países da Europa e em outros lugares, de fertilizar os terrenos, estrumando-os, nem prepara-los, arroteando-os: Não, aqui como em toda a Província, a semente brota da terra de um modo admirável, sem obstaculos. No entretanto, corn tristeza no coração, diremos que vivem ambos no status que são hoje na agricultura o que eram há duzentos anos. Nada possuem de bom. Os agricultores não conhecem nvas plantas, limitam-se só e somente, e por toda a parte, à rotineira cultura da mandioca, que se transmite de geração em geração. Despreza-se o café, a cana, o arroz, o fumo, o algodao, a aguardente,o trigo e até a erva-mate.
Amando esta terra, escreveremos uma long a série de artigos no "Município", do ano corrente (1880), nos quais mostraremos o estado da agricultura lagunense. Apresentaremos as vantagens de diversos ramos de lavoura. Praza a Deus que os agricultores aproveitem os nossos conselhos.
Como apoio do Projeto Microbacias 2, as ADM’s Rio Prainha e Rio Siqueiro, do município de Laguna, Litoral Sul do Estado, uniram-se para adquirir uma plantadeira de mandioca, com o objetivo modernizar a tecnologia de cultivo, facilitar o plantio e fazer com que se ganhe tempo durante o período de plantação.
Historiador, pesquisador, estudante, professor, cidadão, cidadã que ama sua cidade, sua região. Nós precisamos de você para contar a história de Laguna. Ajude-nos enviando textos de suas memórias, de memórias de sua família, textos de livros, textos de documentos, comentários. Ajude-nos corrigindo datas, erros em textos. Dê sugestões! Nós estamos tentando reconstruir passo a passo de uma história que é imensa e a única intenção é beneficiar a todos os que desejam conhecer um pouco mais de onde vieram. Sem você, faltará muito. Colabore conosco, colabore com aqueles que desejam conhecer, como dizia tão bem Pe. Dall’Alba, “monumental história de Laguna”!
Fotos, textos, correções? Toda ajuda é importante! Envie para o nosso email coracional@bluewin.ch