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Os textos abaixo são trechos transcritos do segundo capítulo do livro documentário Laguna Antes de 1880, publicado em 1976, do Pe. João Leonir Dall’Alba, onde ele transcreve o relatório do Juiz Dr. Francisco Izidoro Rodrigues da Costa, enviado à corte com propósito de informação sobre a cidade.

(Continuação da página anterior)


44 - Necessidades Locais


A Laguna, esta parte do paraíso terrestre do Brasil, berço natalício do finado Jerônimo Francisco Coelho, esse grande vulto do país que tão bons serviços prestou à pátria, tem, infelizmente, vivido esquecida dos cuidados administrativos, devido a uma politica mal entendida, que mata as mais nobres aspirações de um povo independente e altivo, como o catarinense. Que será do município da Laguna se estiver a esperar tudo do Governo?

A energia de um povo se manifesta pela iniciativa que toma no seu progresso material e moral.

O povo lagunense, é força confessar, liga pouca importância ao seu bem-estar. Os cidadãos de fortuna e prestígio tratam exclusivamente dos seus interesses. Entendem que em tudo e para tudo deve haver a intervenção do Governo. Estes que assim entendem querem a subordinação do poder publico ao privado, a absorção daquele por este. Dai provém a indiferença que todos notam nos lagunenses abastados.  É mister que o povo por ai, por meio de associações, faça alguma coisa não espere pelo Governo

Muitas são as necessidades locais que j’a deixamos ditas no correr deste  trabalho tudo está por fazer: A barra necessita ser melhorada, cemitério ser construídos, as suas ruas, calçndas, o mercado, o chafariz construídos. Se pelo esforços comum não se levar a efeito os melhoramentos indispensáveis ao cômodo e bem-estar, construindo-se, assim uma independência dos favores do estado, jamais, por outra forma, dar-lhe-á prova de vitalidade e prosperidade. A população almeja possuír tão importantes melhoramentos.
O capital necessário se conseguirá por meio de associações e empréstimos à municipalidade.


A cidade de Laguna hoje.



45 - Navegação a Vapor


As leis provinciais n° 885 e  886, de 20 de março próximo findo,autorizam ao Governo a conceder privilégio a quem melhores vantagens oferecer, pelo espaço de 10 a 20 anos, para a navegação a vapor entre esta cidade e a capital, e entre os rios Tubarão, Una, Portos e Enseadas do nosso município.
Não há quem desconheça as vantagens que nos poderão provir destas duas navegações, que nos poem em contato direto corn o centro produtor e com a capital da Província.

É, essa idéia, caso se realize, de muita importância futura para a município, por contribuir para o seu desenvolvimento e prosperidade, encurtando as distâncias e facilitando aos produtores meios baratos de  transporte de seus gêneros ou produtos.

A economia política, ciência que rege a produção e a distribuição do trabalho, nos ensina que as primeiras necessidades dos centros produtores são facilidades de transporte a preços baixos, a fim de não ficarem os produtos nos celeiros, com prejuízo do trabalhador. Porque as grandes distâncias servem unicamente para aumentar as despesas de produção.

Quem tiver estudado o nosso município, percorrendo os diversos centros, interior das diversas freguesias; quem conhecer sua topografia, concordará que precisamos de meios de comunicação, de estradas municipais, de pontes, e principalmente, mais do que tudo, da navegação a vapor, em nossos importantes rios e lagoas, alguns dos quais atualmente desaproveitados.
Em França e nos Estados  Unidos, a par das estradas de ferro, o Governo  e o povo tratam de promove  a navegação dos rios e canais porque reconhecem que os naturais são os melhores meios de transporte.



Navio à vapor no porto do centro da cidade nos anos 20. Foto recebida de Jairo Viana de Oliveira Jr.



Encarada a navegação fluvial pelo lado da riqueza pública, não há, nem poderá haver opinião contrária à nossa, sobre o acréscimo do rendimento para o erário, já que, quanto maior o número de transsportes, quanto mais barata a condução aos mercados, tanto mais abundante sená a produção, e como dedução, a procura dos consumidores e o aumento progressivo da fortuna pública.

Não há que contestar. A navegação de que tratam as citadas leis sera o mais poderoso elemento de prosperidade e engrandecimento deste rico e esperançoso município, visto ser sua realização, um passo dado no caminho da civilização e muito ganharem as artes, a lavoura, 0 comércio e as  indústrias.

Se encararmos ainda essa navegação pelo lado da própria natureza, veremos que o município possui verdadeiras condições hidrográficas. Seus rios e afluentes, suas lagoas podem atualmente, com facilidade, ser navegadas de norte a sul, de leste a oeste. Por isto constituem grandes artérias por onde são enviadas as imensas riquezas que encerram.

Em outras partes, nos Estados Unidos, em outras localidades do lmpério, os rios só são navegados depois de removidos os obstaculos naturais por trabalhos hidráulicos. Aqui, pelo contrário, os rios mais importantes, como sejam o Tubarão e o Una, são percorridos sem os menores entraves, as suas profundidades e larguras são extraordinarias, dão ingresso desde uma canoa até um vapor de tamanho regular.

Se atendermos pelo lado dos lucros que podem auferir os empresários, diremos que eles serão certos, porque todos confessam a importância do comércio lagunense, a grande exportação de suas mercadorias, o grande número de passageiros que procura esse meio de condução, que crescerá à proporção que as passagens forem mais baratas.

Ora, se as nossas condições topográficas são essas acima expostas, por que, não aproveitamos do que a natureza criou? Por que não utilizamos ao menos os dons naturais que possuimos?

Por ventura haverá quem desconheça que os rios  Una, Tubarão, Jaguaruna, Siqueiro,  Araranguá  e outros, sulcados pelo vapor, poderão revelar a verdadeira riqueza do solo lagunense? Trazer como conseequência lógica deste fato o aumento progressivo da população e a colonização voluntária, que, encontrando facilidade de locomoção, se animará a povoar os nossos ricos centros?



Rio Tubarão. Foto do site Radar Sul.



Cremos que não. Apliquemos au nosso município. que é todo marítimo, as palavras do notável economisla Stuart Mill: "Uma notável vantagem, diz ele no Livro 1° capitulo 7, para uma localidade, consiste na posição topográtïca marítima, em uma grande extensão de portos, praia, ou costas e outros númerosos refúgios, e nos seus rios e outras correntes de aáua navágaveis. Essas vantagens, no entanto, não são outras que a facilidade de transporte. Não se pode bem fazer idéia da imensa influência que os transportes fáceis têm sobre o destino das nações, a menos que se possua conhecimentos profundos. Essa influência não pode ser apreciada se não por aqueles que sabem o que a divisão de trabalho e a troca podern trazer de resultados na produção. Ela é mui importante para contrabalançar a inferioridade a certos respeitos, o da inferioridade do solo compreendido, principalmcnte quando a arte e a ciência não têm ainda criado vias de comunicação capazes de realizar o que realizam as naturais. No mundo antigo as nações mais prósperas não eram as que possuíam mais extensão de território, nem o solo mais fértil , mas aquelas que, pela mesma esterilidade do seu próprio solo, foram obrigadas a tirar vantagem de sua posição marítima: A tenas, Tiro, Marselha, Veneza, as cidades livres do Báltico."

Vamos concluir estas ligeiras observações fazendo votos para que em breve possamos contar com este elemento de florescimento, a fim de sondarmos a aurora desse dia que marcará mais uma vitória na história de Laguna, e desde a imprensa, cotejamos os empreendedores da idéia.



"Quem foi Stuart Mill?


"As ações são corretas na medida em que tendem a promover a felicidade, erradas na medida em que tendem a promover o reverso da felicidade".
John Stuart Mill


"John Stuart Mill nasceu em Londres, no dia 20 de maio de 1806 (portanto em plena fase de industrialização da Inglaterra), e faleceu no mesmo local em oito de maio de 1873.

... Stuart Mill era filho do filósofo e historiador James Mill, que assumiu a responsabilidade por sua educação.  Segundo Todd Buchholz, "John Stuart tinha ainda o gosto pelo leite materno quando a sua rigorosa educação começou". Aos três anos de idade, iniciou seus estudos de grego, seguindo-se depois latim, matemática e filosofia. Aos 11 anos auxiliou o pai na revisão de sua obra mais importante sobre a história da Índia e aos 13, por recomendação do pai, deu início a seus estudos de economia, através da leitura das obras de Smith e Ricardo. Passou seu décimo quarto ano de vida na França, onde se hospedou na casa de Samuel Bentham (irmão de Jeremy Bentham, que terá posteriormente profunda influência sobre o pensamento de Mill). Na França, prosseguiu seus estudos, incluindo química, biologia, cálculos diferenciais e botânica. Ao voltar à Inglaterra, em 1821, começou a estudar direito, quando entrou em contato mais estreito com as idéias de Jeremy Bentham...

As contribuições de Stuart Mill distribuem-se pelos campos da Lógica, da Psicologia, do Direito, da Economia e da Política. Neste artigo, no entanto, vou me limitar apenas a alguns aspectos de suas contribuições sobre Política e Economia. Tamanha diversidade explica em boa parte a descontinuidade que caracteriza a sua obra e a controvérsia que existe em torno de sua figura: é considerado um dos principais expoentes da Economia por alguns autores e historiadores em razão de sua criatividade e de suas contribuições inovadoras e, ao mesmo tempo, é ignorado por outros, por não ter conseguido "amarrar" bem suas idéias, que tiveram que ser aperfeiçoadas por diversos economistas e pensadores de gerações posteriores. .."


O texto acima chega até nós através do site do Conselho Federal de Economia. Se você quer ler mais sobre Stuart Mill, clique aqui.


(Continue a leitura na página seguinte)


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