E quem foi mesmo o Dr. Francisco Izidoro Rodrigues da Costa que enviou à Corte tão detalhado relatório sobre Laguna?
Saul Ulysséa, em Laguna de 1880, assim o descreve:
"... e na contigua o dr. Francisco Izidoro da Costa, juiz municipal, cargo que posteriormente foi extinto. Rodrigues da Costa, apelidado “Mão Pelada”, era inteligente e culto e muito se interessava pelo nosso progresso. Escrevia bem. Ele com Lery Santos, como dissemos, foram os iniciadores e propagandistas do movimento em favor da construção do “Hospital Senhor dos Passos."
Bairro Portinho. Foto de Josimere Cardoso em junho de 2007.
O jornalista e escritor Celso Martins, lagunense radicado em Florianópolis há muitos anos e correspondente permanente do jornal "A Notícia" na capital do Estado, citou o Dr. Rodrigues da Costa quando escrevia sobre os sambaquis da Laguna:
Origem dos montes de conchas é questionada
Laguna - Os sambaquis são de origem natural ou fruto do trabalho humano? Durante décadas a dúvida movimentou a comunidade científica brasileira e internacional, em especial os especialistas das áreas de arqueologia, geologia e geomorfologia. Os estudos sobre os sambaquis do litoral catarinense começaram em 1876, quando o cientista Carlos Wiener passou a percorrer a região recolhendo artefatos, enviados pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Nesse mesmo ano o naturalista norte-americano Charles Frederik Hartt publicou a célebre "Notícia etnológica sobre um povo que já habitou a costa do Brasil, bem como o seu interior, antes do dilúvio universal." Hartt foi acompanhado em seus estudos, entre 1876 e 1877, por Luther Wagonner, membro da Comissão Geológica do Império do Brasil. Os dois estiveram em Laguna, visitando os sambaquis de Cabeçuda e Magalhães.
Em 1880 o juiz Francisco Izidoro Rodrigues da Costa também pesquisou a região de Laguna, o que resultou na elaboração dos "Estudos Arqueológicos - Os sambaquis no Sul de Santa Catarina", publicado somente em 1911 pela Revista Catarinense. "A costa do Brasil, especialmente a da província de Santa Catarina, contém inúmeros sambaquis, conhecidos pelo povo por casqueiros, ou montes de berbigão. A Laguna, porém, comarca onde residimos há mais de quatro anos, é a localidade que possui maior número de sambaquis", escreveu.
Sambaqui na Carniça (Campos Verdes). Imagem recebida de I. Veloso.
Rodrigues da Costa esteve nos morros da Roseta (Campo de Fora) e do Magalhães, nas margens da lagoa do Camacho, em Campos Vedes, Perixil, Mirim e Passagem do Rio Una, entre outros locais. Em todos eles o juiz encontrou "muitos esqueletos humanos, uns calcinados e outros em perfeito estado de composição, ossos de animais, de peixes (desconhecidos), cascas de ostras, mariscos de muitas qualidades (algumas até raras, entre nós), caramujos e colares feitos de dentes, próprios do uso indígena".
O mesmo autor cita diversos pesquisadores que passaram pela região e dá detalhes sobre os objetos achados pelo ajudante de fiscal do Governo Federal na Estrada de Ferro D. Thereza Christina, Francisco José de Freitas: uma porção de pedras trabalhadas para abrir ostras, machados, panelas com "bonitos desenhos, tudo com perfeição d'arte", e alguns crânios humanos. (CM)
(Voltaremos a falar sobre sambaquis em outra seção)
Ele é citado também neste livro como pessoa a ser lembrada entre os que foram importantes para o tema do açúcar e são citados seus trabalhos na Revista Agrícola.
O livro Descrição do municipio da Laguna de 1881 do Dr.Francisco Isidoro Rodrigues da Costaencontra-se, para consulta, no catálogo da UFSC assim descrito:
Título: Descrição da munícipio de Laguna Autor: Sebastião Isidoro Rodrigues da Costa Subtítulo: comarca do mesmo nome: resposta ao questinário da biblioteca nacional, etc. Título Alternativo: Gênero Literário: Idioma: Português Editora da 1° Edição: Laguna, SC Ano da 1° Edição: 1881 Ano da 1° Encenação: Fonte: BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1902. 7 v. Local da 1° Encenação: Descrição:
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