EXPERIÊNCIA NÃO SERVE PRA NADA

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Eu acabo de chegar a conclusão de que a experiência não serve para nada. E a não ser que nos próximos cinco minutos alguém me prove o contrário, provando que existe uma outra vida ou qualquer coisa do gênero, vou dizer categórica: experiência de vida não serve pra nada. Nem pra dar conselho.

Diz pra mim, sinceramente, você que hoje tem hoje os seus quarenta e poucos anos e uma vasta experiência de vida. Por acaso ela impediu ou impedirá seus filhos, os amigos dos seus filhos, seus sobrinhos, seus vizinhos, seus amigos, seus próximos, de cometer as mesmas burradas que você aos treze, quinze ou dezessete anos na flor dos hormônios fizeram ou farão? Fará seu colega de trabalho aceitar seu bom conselho e trabalhar legal? Fará sua amiga genial concordar que até agora ela só fez besteira e enfim ver que deve tomar rumo na vida? Ah ha...

Por acaso a sua pesada bagagem impediria (realmente vai) você de se apaixonar de novo, de tentar de novo, de experimentar de novo, de buscar de novo? (Se disser que sim vou chamar você de velho, igualzinho como chamam agora os jovens quando a gente é obrigado a dizer não ou simplesmente arriscar um conselho).
Na verdade a gente esquece que foi jovem. A gente esquece aquela fase infantil. A gente esquece que foi bebê. A gente esquece tudo. Do útero materno até os ataques infernais sob músicas que hoje a gente faz de conta que são “cult”. Fazemos o que o que poderíamos denominar “triagem sadia”, para mostrar o lado bom da experiência e de nós mesmos. E acabamos, com o tempo, nos convencendo da realidade desta barbaridade, desta censura, deste AI5 contra a geração que espera de nós outra coisa que olhares condescendentes.
Sem falar de nós mesmos, que passaremos o resto da vida vivendo do “lado bom” das lembranças.... as coisas lindas do passado...

Quando eu digo que experiência não serve pra nada...
Quem é aqui que vai levantar e voltar no tempo pra corrigir as boas porcarias que fez na adolescência??? Quem vai voltar e poder usar o que aprendeu no início da vida adulta e poder dizer aos pais: perdão, eu compreendo o que vocês passaram, eu não deveria ter dito o que disse. Quem vai conseguir dar um tropeção na vida e correr para trás e pegar de novo aquela vaguinha naquele emprego rejeitado “porque não estava à altura” e recomeçar? Quem vai sair correndo em direção aos seus anos de paixão e tentar refazer aquela relação que tinha "tudo" pra dar certo "se não fosee"... Quem? Ninguém.

Porque a vida só vai pra frente. O passado não conta. Passado quando conta é pra lembrar. E na maioria das vezes lembrança a gente até rejeita. Lembrança não serve nem pra dar conselho, “lembra”?
Então, quem sabe se existir uma vida aí numa galáxia próxima ou distante, ou num dos caminhos propostos por uma das religiões ou seitas estabelecidas ou por chegar a gente possa um dia utilizar a dita experiência de vida. Por enquanto, seu eu posso me permitir, coloquem este peso de lado, viajem leve. A vida já está cheia demais de percalços para que a gente ainda passe o tempo com as duas mãos tomadas por bagagens desnecessárias.
E mais uma vez, meus amigos, “Carpe Diem”.

(Meu repertório hoje é uma coletânea de 74 . Termina com o Espigão de Zé Rodrix....)

Publicado no Blog Certas Linhas em dezembro de 2006



TEM UM ALIEN AQUI DENTRO 


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Acontece assim, cada vez que me dá uma vontade boba de chorar. Ou pode ser uma vontade bem séria mesmo. Pode ser também uma raiva justificada. Ou uma manha bem infantil daquelas que pediu colo sem palavras e não ganhou.

Quando sinto se aproximar estes momentos extremos, quando sinto que vai sair de dentro de mim aquela coisa que não sei o nome e tão poucas pessoas (nem completam os dedos de uma mão...) sabem fico completamente atordoada e tudo o que quero é fugir. Correr para dentro da segurança da minha caverna, aquecida, preparada para para me reconfortar e, principalmente, repleta de tecnologias que me permitem devolver as lágrimas para o lugar de origem.

Tantas vezes sou um rio tranquilo, que leva suas águas para enxaguar as dores alheias, para umedecer corações ressecados pelos anos que se seguem. Deixo que mergulhem, que me bebam, que me carreguem... até sentir minha própria correnteza... subterrânea, forte, seguindo num movimento que nem eu mesma consigo parar.

O rio tranquilo corre veloz, bem mais veloz que as ondas do mar. O doce rio em sua calma carrega forte tudo o que encontra com a mesma fúria de um mar em tempestade. E este turbilhão de emoções me deixa completamente sem saber se continuo a ser eu mesma ou se dentro de mim habita um outro ser.

Na realidade o que preciso é aprender a aceitar. A aceitar a força. Aceitar não ser frágil, aceitar dizer não, aceitar nadar contra a corrente, recusar que usem minhas águas sem necessidade verdadeira. Aceitar a ser uma, inteira, única, dona de mim, de minhas palavras e de suas repercussões.

Para que eu possa ir a qualquer lugar em busca das pessoas. E para que elas saibam que eu sou forte sim. Mas não sou um elefante com crises de brincar em cristaleiras... porque a falsa fragilidade só fazia de mim alguém que podia ajudar menos.

E eu saberei quem poderá me aceitar como sou e então contar com tudo que tenho a oferecer.

E saberei também aqueles que me olharão como se o alien que eu pensava que tinha aqui dentro, na verdade eu tenho estampado até no rosto!

Poxa, já estou me sentindo melhor.

(Entre as muitas que ouvi, amei Leny Andrade interpretando Luzes da Ribalta)

Publicado no Blog Certas Linhas em dezembro de 2006



PERMEADA DE RISOS


Óleo sobre tela de Leslie Taylor intitulado '''Joie de Vivre'.


Quero permear minha vida de risos. Pequenos, médios e grandes. Dos risos longínquos da infância aos risos barulhentos e presentes. Os risos das gentes que conheço e os risos das gentes das telas, das ruas, das fotografias.

Tantos risos quanto eu puder guardar dentro dos ouvidos do coração. Para poder inflar de alegria, ficar completamente sem espaço para qualquer outra coisa que não seja alegria. Alegria, alegria e só alegria.

Retornar ao mundo da grande valsa da esperança. Tornar a ser aquela que ri (e não só sorri). Fazer a volta em torno e por dentro de todas as formas de risos.

Gargalhadas! A ausência delas é um silêncio tão grande que pouco dá para suportar. Quero minha vida cheia delas, das gargalhadas dos bichos, das crianças e dos adultos desprevenidos. Quando as orelhas não ouvem mais risos, o coração ensurdece para a vida. Se apaga para evitar as flechas e acaba evitando a luz até das velas.
Quero permear a minha vida inteira de risos. Dos meus e dos seus. Dos risos todos que todos tiverem. Risos desenhados no rosto, nos lábios e nos olhos, imortalizados pela vontade de ser feliz.
Que venham!

(Descanso da segunda-feira, cansativa segunda-feira, com Keiki Lee cantando "Saving all my love for you" e "Jazzamor - Way Back", entre outras)

Publicado no Blog Certas Linhas em janeiro de 2007



CRESCENDO...


Imagem: Acida


Já tentei entender, não consegui. Então me digam: por que as pessoas que costumam magoar as outras com tanto afinco e facilidade se tornam tão sensíveis às palavras quando cansamos de ser magoados e resolvemos simplesmente responder?

Enquanto estamos ali no chão, recebendo calados os golpes de cada ironia, de cada sarcasmo, de cada grito, somos considerados boas pessoas. Somos coitados, mas bons.

No instante em que nos erguemos, que nos tornamos uma espécie de eco, de espelho, de voz mais alta que diz chega! e responde e fala e não cala e diz mesmo o que pensa e o que sempre viu... ah!, surpresa... não somos mais bons. Somos olhados e amaldiçoados, pela alma jurados de vis, vis criaturas para sempre chamados.

Nenhum diálogo, nenhuma pergunta. Mas a pesada agonia que o silêncio deixa atrás de si, como um rastro de verdades negras que vieram à tona num lago claro e tranquilo.

Fica a ferida num e a ferida no outro. Duas feridas que não cicatrizam sem o bálsamo do tempo e a temperança da humildade.

(Nina Simone embala meus pensamentos...)


 Publicado no Blog Certas Linhas em fevereiro de 2007



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