QUALIDADE E QUANTIDADE

Imagem: "Here comes the Sun", de Leslie Taylor.


A questão da qualidade e da quantidade é um verdadeiro caso. Veja, ou melhor, tente sentir, o caso na “nouvelle cuisine”: aqueles pedacinhos mínimos de comida, enfeitadíssimos, espalhados pelo enorme prato e que geralmente têm um sabor fantástico, diferente, único. Você come (mais com os olhos) e, com certeza, uma hora depois, ao invés de sentir-se saciado, está quase morrendo de fome, aquela FOME, de verdade. E lá vai você atacar o que tiver por perto. E em quantidade.

Se o assunto for sexo, talvez seja o contrário. Confesse: de que adianta contar nos dedos as vezes se cada uma delas for um verdadeiro desastre? Nada melhor do que aquela vez só, aquela única da noite, do dia, da semana, do mês. Mas que veio com todo o carinho, com todo o amor, com a busca pelos segredos e tesouros um do outro. E quem quer saber de quantidade?

Talvez se o assunto for dinheiro... Aí é delicado. Porque dinheiro, em qualquer lugar, sempre é necessário. Mas a questão da quantidade... é delicado... porque pensar em qualidade e dinheiro... é delicado...

Saúde então. É completamente abstrato pensar em quantidade ou qualidade. Qualidade, quantidade. A gente quer tudo.

E amor? Questão amor eu prefiro a qualidade. Mas queria uma enorme quantidade com qualidade! Daquele sentimento que abre a porta e estende os braços pra gente. Nada daquela quantidade absurda de sentimento que chega a afogar e entre uma respiração e outra só se pensa em correr. A qualidade do amor energia, universal, que une os seres sem cobranças e sem nomes. Aquela coisa meio anos 70, “paz e amor”.

Como dizia um amigo meu, resumindo e concluindo: Em tudo na vida, quando se tenta medir qualidade e quantidade, a coisa fica esquisita. Um verdadeiro caso... uma quantidade de perguntas com uma qualidade discutível de respostas...


(Fico ao som dos carros passando lá na rua.) 

Publicado anteriormente no Blog Certas Linhas em 2006.



A FESTA E A ANOREXIA


Imagem: Against the flow


Depois as pessoas se espantam que tanta gente esteja morrendo de anorexia por aí. Se adultos como eu já se sentem ameaçados pelo peso que ronda nossa existência, imaginem só os pobres adolescentes, meninas e meninos, tentando se encontrar entre um corpo e outro, entre uma idade e outra!

Ontem fui procurar uma roupa para uma festa. A bendita (ou deveria dizer maldita) festa de final de ano que toda empresa faz para que os funcionários gastem (com as esposas) e as funcionárias gastem (com elas mesmas) a metade do penútiltimo e a metade do último salário do ano em roupas e acessórios para sorrir duas horas sob os símbolos e a aura natalina.

Foi um entra e sai de loja. E eu com aquela ameaça de dor de cabeça. E com uma terrível dor nas costas tentando encontrar "a roupa" que ficasse entre o meu estilo e o não tão simplório (eu sou simples, paciência). Afinal, é uma festa num hotel cinco estrelas, coquetel, jantar... diabos. Ai que raiva! Saudades da festinha de fim de ano na sala de um dos funcionários... fica pra quem lembrar...

Eu podia ter dito não. Mas dizer não em situações deste gênero e, ainda por cima em empresas privadas, significa que você não é uma pessoa com "atitudes sociais". E uma pessoa assim geralmente "não é bem-vinda" para trabalhar. Entendeu a obrigação do convite? Entendeu, você que , como eu, achou que eu deveria ficar em casa pra não gastar dinheiro e não chatear os outros escrevendo bobagem??

Continuando...

Eu poderia ter evitado todo transtorno de loja se eu não tivesse engordado. Porque eu tinha o lindo vestido do ano passado. Mas engordei e é um fato. O vestido do ano passado passou realmente a fazer parte do passado.

Já na primeira loja e na primeira vez que experimentei três roupas diferentes a constatação foi flagrante: elas não entravam em mim (para não dizer que eu não entrava nelas!). Um vestido preto de lacinho quase chegou a me dar uma crise de claustrofobia!

Na segunda loja, depois da coragem de perguntar para a vendedora: - cadê o tamanho maior desta aqui? Precisei de mais coragem ainda para ouvir:

- Ah, sentimos muito mas não temos nada acima deste tamanho. Mas a "senhora" (bem salientado) deveria visitar nossa filial no andar de cima, temos vários tamanhos, inclusive o seu "estilo". Temos até o tamnho...

Marido abismado, bolsa na mão, subi.

No andar indicado dei de cara com a loja. Juro que eu quis sumir. Emagrecer seria muito pouco. Ai, não. Gorda já era ruim. Mas velha também?? Porque ali era a conhecida e caríssima loja para as gordas e velhas criaturas da cidade... Entrei. Nem olhei demais. Desta vez foi ele quem deu meia volta e me fez sair dali.

E foi indo para o elevador que achamos a tal da filial. Na verdade a anterior não era a tal. Era outra. Um pouco melhor. Ou menos pior. Mas agora a dor nas costas já tinha praticamente tapado os meus olhos e a primeira roupa com "tamanho único" e com jeito meio "noite e brilho" experimentei, entrou, peguei. Sentei. Ele pagou. E quase gritei. Quantoooo???? Mas já era tarde, e ainda faltavam os sapatos. Passou o tempo.

Quando cheguei em casa, desanimada, pensei em quando eu era menina, adolescente, tinha um monte de curvas e nem um pouco de raiva delas. Claro que fiz regime, toda adolescente um dia acaba fazendo. Mas sem excesso, sem este terrorismo da magreza que assola a sociedade atual. Hoje, aos quarenta e tantos anos continuo cheia de curvas. Bem mais preenchidas claro, mas continuam curvas. E conheço pessoas bem mais "preenchidas" do que eu e que se dão muito bem com a vida.

Mas a sensação horrível que eu sinto quanto entro numa loja para comprar uma camiseta, uma blusinha, qualquer coisa, ninguém me tira. Tem loja que é inteira cheia de departamentos de roupas de todos os tipos e, lá, bem no fundo, quase que escondidinho, os tamanhos maiores. Outras nem têm. E as vendedoras, vendedores, quando a gente ousa perguntar, olham para você como se você estivesse ali suplicando um milagre.

Nestes momentos revejos todas as modelos lindas desfilando aquelas roupas lindas naqueles desfiles lindos...

E eu também queria emagrecer... muito... e depressa... diminuir vários números da etiqueta... 

E eu também acabo esquecendo o quanto sou legal dentro de mim e que por fora sou bonita do meu jeito.

Eu, que sou adulta.

E depois as pessoas se espantam que morram tantos de anorexia por aí...


(Ao som de Kool & The Gang Ft Sean Paul - Ladies Night)

Publicado anteriormente no Blog Certas Linhas em dezembro de 2006.



ATITUDE E CONFISSÃO


Imagem da net


Ao som de Saturday Night Fever, We are Family e outras mais, a noite de ontem conseguiu me fazer sentir maior do que esta dor que tanto me incomoda.

Foi tanto exagero de cores, paetês, aquela coisa realmente "too much" do início dos anos 80... nossa eu nem lembrava direito a realidade da coisa. Como disse uma colega: "Nossa divisa hoje é: o ridículo não mata!". E partimos para todos os tons de roxo, cruzes, rendas e misturas atualmente inesquecíveis pois fotografadas por muitos... ai, ai... mas valeu a pena

Confesso que ver o entusiasmo e a alegria de pessoas que passam o ano inteiro praticamente sem sorrir tirou de mim a imagem que eu tinha da tal festa. Tinha um John Travolta da periferia (divinooo!), vários Sidneis Magais, algumas Carries (bem estranhas), uma Cindy Lauper (decidida!), gatas dos anos 60 (túnel do tempo, aí vou eu...) e muitas outras figuras marcantes pelas roupas ou pelas atitudes. Alguns por ambos.

Tá aí. Retiro boa parte do que eu disse. O que eu paguei valeu, o que eu ouvi na loja valeu, tudo valeu. Dizem que eu estava ótima. Ah ha!! Mas que vocês não vão ver o resultado do meu visual ah.. isto não... fica pra imaginação... e já é demais...


Publicado anteriormente no Blog Certas Linhas em dezembro de 2006.



O HOMEM QUE SABE...


Imagem: George Clooney


Será que os homens já perceberam que mulher gosta mesmo é de rir? Mulher pode até pagar a conta, abrir a porta do carro, dar um jeito nos filhos, entender que o sujeito amado não tem o rosto do Di Caprio, o mimo do Santoro, o charme do Clooney, o corpo do Sawer (aquele lá da série Lost, ui!), e por aí se vai.

Mas o sapo que faz a gente sorrir vira príncipe, e que príncipe!, quando no meio de sutis gentilezas, atravessa a rua catando uma nave extra-terrestre... ou conta, com aquele jeito, sério a piada inesperada e que nos leva aos céus. Pode ser aquele que nos faz simplesmente rir de leve, com seu jeitinho manso. Pode ser o desastrado, que tropeça até no próprio pé.

Mulher é forte mesmo. Aceita pedra bruta, enxerga diamante a ser lapidado a longo termo. Mas a condição, implícita, vem calada: tem que saber fazer rir.

O homem que sabe fazer uma mulher sorrir, rir, dar gargalhadas, conquista não por um dia. Conquista pra sempre. Mesmo que acabe a relação. Que a vida continue sem. O riso vai ficar lá, ecoando no coração. A gente é assim.

 

E que o riso seja eterno enquanto dure!


(Por enquanto estou só me ouvindo...)

Publicado anteriormente no Blog Certas Linhas em dezembro de 2006.


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