Não posso julgar ninguém porque não me acho apta para tal. Mas posso sentir a dor dos que estão envolvidos nos dramas que se tornam nacionalmente (falo do Brasil) ou internacionamente conhecidos.
Quando recebi a Veja da semana perguntando sobre se vamos ou não fazer alguma coisa... fiquei parada, um pouco paralisada interiormente.
É engraçado como dramas dessa natureza atravessam fronteiras sociais e de terra e mobilizam forças, tornam as pessoas mais violentas, soltam gritos de gargantas antes cerradas e abrem portas antes mesmo inacessíveis.
Mas eu me pergunto: Quanto tempo? Quanto tempo vai durar esta mobilização? Quanto tempo todos vão gritar em uníssono por uma lei mais justa? Quanto tempo vão, mãos nas mãos, pedir justiça, mas não justiça cega e imediata, porém uma justiça direita e duradoura? Quanto tempo?
Porque olho com os olhos de quem está fora, longe da terra e do drama.
E apesar de compartilhar a dor profunda, vejo a profundidade do problema que não é somente julgar e condenar. Reduzir a idade, aumentar a pena, condenar à morte? Pode ser que cada uma destas coisas resolva. Mas também pode ser o outro lado da moeda, o outro gume da faca: mais gente (porque é de gente, descupem mas é de gente também que estamos falando) nas cadeias, mais rebeliões, mais revoltas, mais dinheiros investido na construção de penitenciárias.E etc....
Nós temos problemas que são óbvios e que muito poucos querem observar de perto, quiçá, tomar decisões sobre o assunto: a base de todos os nossos problemas é a educação. Um povo educado não elege os ladrões que nós vemos desfilar impunemente, isto só pra começar. Mas educação é um projeto verdadeiramente a longo prazo e necessitaria no comando de cada um dos nossos três poderes, de gente decente, bem intencionada e com coragem de investir no seu povo.
E é aí para mim que começa o verdadeiro problema. Não temos gente honesta suficiente nos representando nos três poderes porque infelizmente nos faltou educação para colocar lá gente qualificada e íntegra. E como eles são completamente desqualificados para a função que exercem, passam o tempo brincando com leis tolas ou tentando aumentar seus próprios salários sem sequer pensar em sanar os reais problemas e dar educação ao povo...
Tudo anda em círculos. E eu volto ao início e respondo à revista Veja: eu queria fazer alguma coisa. Mas não posso, nem eu e nem os que enxergam horrorizados com o que acontece. Os que podem, estão ocupados com eles mesmos ou discursando, aproveitando a "onda" do drama atual em benefício próprio.
E só pra terminar: Enquanto eu estava aqui escrevendo quantos meninos da mesma idade, ou pouco maiores, um pouco menores, de famílias mais simples ou não, acabaram de morrer pela violência urbana também? Tenho absoluta certeza que o número não deve ter sido pequeno. E ninguém sabe nem o nome deles. Nem vai saber.
(Ouço Yo-Yo Ma... que vai diretamente ao meu coração)
Publicado no Blog Certas Linhas em fevereiro de 2007
Muitos que se sentem inferiores se sentem melhor quando recebem qualquer coisa, ou algo lhes é atribuído, do tipo... um presente ou um dia especial, por exempo. Muitos dos que se sentem superiores aos demais, quando querem (fingir) agradar, dão presentinhos ou atribuem algo do tipo... um dia especial, por exemplo. E não importa se a finalidade é o agrado ou o comércio, cada ano que passa mais "dia de tal coisa" existe. Por isto existe dia dos índios, dos negros, das mulheres, das mães, dos pais, das crianças, dia de tudo quanto é santo, de todas as profissões e vou parar aqui pra não abusar.
Nunca gostei disto... todos os anos, depois que comecei a usar a internet, minha caixinha de correio fica lotada de emails louvando as glórias de ser mulher. Isto dura mais ou menos do dia 6 de março ao dia 9 de março. Todos os anos. E as mensagens são praticamente as mesmas. Todos os anos.
E para quê? Sinceramente, para quê? Eu sou mulher e reconheço meu valor. E reconheço o valor de muitas mulheres maravilhosas minhas amigas e outras que nunca vi na vida. E conheço também um bocaco de mulheres que mereceriam uma boa inquisição.
Ah, paciência vai... vamos crescer e parar com esta bobagem. Do dia primeiro de janeiro ao dia trinta e um de dezembro, vamos brindar aos homens e às mulheres que realmente fazem alguma coisa de bom acontecer neste mundo.
E chega de ficar trocando email dia oito de março como se estivessem queimando sutiã trinta anos atrás. Nem toda mulher merece. E pra mim deu.
Tem uma coisinha (pequenininha mesmo) capaz de incomodar muita gente. E não é um elefante...
São aquelas duas letras juntas, formando o minúsculo, mas tão utilizado "se". Duas letras apenas que temos tendência a adicionar à nossa realidade com tamanha frequência que muitas vezes nem nos damos conta dos danos aos quais nos expomos assustadoramente.
Quando falo de maneira forte assim gostaria de assinalar o fato de que com "se" em nossas frases cotidianas tiramos bastante de nossa presença e vontade de viver o presente. Com a condição do poder de um passado ou a dúvida da esperança de um futuro. E outras mais hipóteses. Nada mais do que hipóteses.
Não é por nada que o nome dele é condicional.
Se tivesse sido...
Se eu ganhar...
Se for possível..
Forças opostas que não se atraem e tiram a beleza de viver o presente. De aceitá-lo. Do jeito dele. Como ele é. Resultado do passado. Preparação para o futuro. Sem se.
Qual a diferença entre ser grosseiro uma vez ou outra, perder a paciência sob o stress e gritar de vez em quando e ser o que se chama de "pessoa grossa"?
Para mim, a pessoa que é grosseira uma vez ou outra é aquela sem muita educação social mas que, com uma educação nata, comete certos deslizes vez ou outra, acaba pedindo desculpas e segue em frente até com certa vergonha do que fez.
A pessoa sob stress, a que grita sob pressão pode ir bem mais longe. Pode mesmo chegar a dizer coisas das quais se arrependa profundamente depois. Mas saberá corrigir e provavelmente não cometerá o mesmo erro com as mesmas pessoas, no mesmo momento e pelos mesmos motivos. Saberá utilizar a autocrítica e tentar novos meios de se comunicar.
Mas a pessoa "grossa", aquela que mesmo tendo passado toda a sua vida passando "verniz" não conseguiu adquirir mais do que uma casca envernizada, quando começa a gritar, trai a si mesma pelo tom de seus gritos. Seu linguajar é pobre, sua voz alta cobre as demais conversas, seus ouvidos se negam a ouvir quaisquer respostas. É a mediocridade e nada mais. Triste, sem relevo.
Mas, como costumo dizer para mim mesma, não se desce degrau para ir ao encontro da vulgaridade. Vale mais a pena virar a cabeça para a frente e continuar a subir as escadas.
(Pablo Milanes canta e me delicio com sua voz... Proposiciones)
As voltas que o mundo dá eu fico sentada esperando pra ver. Não perco mais meu tempo sofrendo por antecipação para ver no que vai dar e nem construindo planos do que seria preciso fazer.
O universo se encarrega de tudo. Sempre foi assim. E sempre será. Não preciso andar com minha casa nas costas e nem carregar todas as chagas nos braços e pernas para compreender melhor todas as experiências que me são dadas a conhecer.
Passa o tempo, as voltas são dadas e quanto mais passa o tempo mais eu sinto que entro em sintonia com o universo.
O mundo dá voltas. Frase simplista? Lugar comum? Nem tanto assim. Não importa o momento em que a frase nos vem à cabeça, o principal é não esquecer que é uma afirmação e não uma pergunta.
Hoje você está num ponto do círculo do mundo, da vida, como quiser chamar, e um nó apareceu. Se você prestar atenção, se lembrar, não importa quanto tempo levar, o nó vai voltar. Como uma bolinha jogada para o alto e que volta. Aquela coisa do bateu-levou. Nós bons e ruins.
Eu tenho a minha cadeira na calçada. No inverno algumas vezes fico na janela. Mas confesso que uma das minhas grandes paixões na vida é observar as voltas que o mundo dá.
Acho que no fundo não faço parte das ovelhas. Que bom.
(Ouço Gary Jules cantando Mad World)
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