PRIMOROSO TEMPO

Imagem: Hermin Abramovitch


O tempo tem passado mais rápido. A primavera chegou antes das minhas reclamações sobre a duração do inverno.

As cores começaram a invadir a cidade e as pessoas com uma intensa profusão de tons. Vermelhos plenos de vida. Amarelos impertinentes. Verdes pradosos. Alaranjados vibrantes. Matizes tantas que nem se precisa contar.

Com a primavera se pronunciam as promessas estivais: as feiras, os teatros de rua, festas e festivais de música, festivais de cinema, grandes parques, entre tantos acontecimentos e eventos.

Por aqui ninguém pode dizer que não tem o que fazer. No máximo, pode dizer que não quer fazer ou que não tem tempo. Porque opções sociais e culturais existem muitas e estão abertas para todos. Há eventos pagos e gratuitos, sem distinção de nível.

Ah, primavera! Hora de largar o casaco, as botas, aposentar as luvas e o cachecol. Momento perfeito para começar a relaxar, pisar no freio, diminuir o ritmo, já vislumbrando as boas coisas que aos poucos vão chegando...

Muito bom...


Ouvindo Snow Patrol, Open Your Eyes



DORMIR E DORMIR


Garfield


Confesso. Muitas vezes na vida cheguei a pensar que dormir era um desperdício de vida. Dividia o dia em minutos e ficava assustada com o tempo utilizado para dormir (juntar o trabalhando e outros "úteis" então ...). Queria só um período de sono suficiente para ter algumas "viagens", do mesmo gênero que costumo fazer de olhos abertos...

Mas sou obrigada a reconhecer que o sono é bom. Traz uma quantidade enorme de benefícios - e eu nem estou falando de sonhos, o que seria o meu natural! Estou falando dos benefícios óbvios para o corpo e para a mente. Aquela lista (grande) que não cabe aqui eu citar.

Por categórica recomendação médica (a senhora precisa de repouso, precisa descansar, dormir!!) passei a tentar dormir um pouco mais. E não é que após algumas manhãs de mal estar (falta de hábito mesmo, tenho mania de levantar de madrugada como meu pai e meu tio) e vários pesadelos, até estou conseguindo adquirir este mau hábito?

Mais alguns dias e quando der oito horas, mesmo em dia de semana, vou querer ficar na cama... Ai, ai.

(Acho que eu estou ouvindo Morfeu me chamar... até!)


EU TAMBÉM QUERO SER FIXA 


Imagem: Exodus by Mizhakza0


Mas não estou falando aqui da Bebel, aquela personagem interpretada divinamente pela Camila Pitanga na novela Paraíso Tropical e único motivo (junto ao Wagner Moura) que faz com que eu dê uma paradinha na frente da TV quando está passando...

Queria ser fixa de um médico só. Tô de saco cheio, não tem expressão mais franca e mais simples, de passar de médico em médico, ser examinada, refazer exames, repetir a ladainha de cada visita anterior (somando dá uma verdadeiro cordel para lembrar e decorar...).

Queria que esta história de especialista tivesse um limite ou que pelo menos o egocentrimo médico permitisse que houvesse uma melhor coordenação e comunicação entre eles.

- Doutor, mas as costas...

- Minha senhora eu só examino os joelhos.

- Ah...

- Mas aqui está o nome de (dois, quatro) colegas que vão examinar as suas costas.

- Mas doutor, os discos da coluna já estão quase desaparecidos de tão gastos!

- Ah! Então - ele pega o papel de volta - a senhora precisa de outro especialista além deste . E ele escreve mais dois nomes.

Esta é uma cena que se repete, se repete, se repete. E ainda tem aquele que ousa me dizer como se eu viesse de um mundo separado do dele:

- A senhora sabe, se pelo menos fosse só um problema...

Mas eu sei! Se fosse só um problema, eu mesma já tinha resolvido faz tempo. Ou morrido dele. Infelizmente o que vai matando a esperança aos poucos é não poder ter um médico de confiança fixo. Aquele que sabe ouvir, interpretar, e encaminhar somente e na hora certa para outras etapas.

Muitos médicos ao longo da carreira vão esquecendo suas razões primeiras. E acabamos sendo recebidos por pessoas que retiveram em suas memórias algumas lições dos tempos do curso de Medicina sem se preocupar com as atualizações necessárias. Ou por profissionais que se baseiam em meia dúzia de casos para julgar todos os outros. Ou ainda por doutores que se vêem já de tão alto patamar que não levam mais o olhar ao que há de mais humano: a dor do paciente a sua frente.

Há pessoas que exercem os seus ofícios com brio e amor do início ao fim de suas carreiras. Algumas, passam por altos e baixos. Outras esquecem completamente o porquê da escolha.

Todo mundo sabe que toda profissão tem os que excelem, os que fogem, com dificuldade ou não, da mediocridade e os que se abandonam à rotina. Cada qual escolhe sua via. Cruxis ou não.

Eu, só queria ser fixa de um que tivesse consciência de seu juramento de Hipócrates. E que não tivesse se tornado um profissional hipócrita.

 

(No music, no sounds. Tô escrevendo deitadinha e com dor. Dor confessa. Acho que vou fazer uma música... tá aí uma coisa que nunca fiz!)



AMIGOS, AMIGOS, O RESTO É BOBAGEM


Imagem: S4-Behrens045-Surfwalk



Todo mundo gosta de ter melhor amigo.

- Olha, aquele ali ó, é o meu melhor amigo! Desde o jardim de infância.

Desde os tempos do colégio. De qualquer tempo.

Sempre me senti muito particular neste aspecto. Fui, desde criança e devido às circunstâncias, nômade o suficiente para aprender a gostar de tudo um pouco. Me fiz e refiz nas artes da adaptação: durmo em qualquer cama, me acostumo em qualquer ambiente, converso com qualquer pessoa, ultrapasso minha timidez, disfarço minhas fobias, invento minha própria moda.

Quanto aos amigos, tenho vários melhores amigos. Tenho mesmo tantos dentro de mim, que seria vergonhoso citar porque alguns se sentiriam melindrados.

Mas cresci assim... fazendo parte de várias turmas ao mesmo tempo. Frequentando várias escolas, vários cursos, dando vazão às facetas matizadas de minha personalidade e à minha sede de mundo e gente.

Tive várias amigas de infância! Várias maravilhosas amigas (e amigos!) de adolescência. Tive melhor amigo para jogo de cartas (a gente fala parceiro, né...) e melhor amiga para corrida em volta da escola primária. Tive a amiga descendente de... que me ensinou os primeiros palavrões na tal língua! Tive o amigo que contava as melhores piadas do mundo. Tive amigos no teatro, amigos na faculdade, amigos nos trabalhos...Tive aquela amiga que ria atrasada das piadas. Tive a amiga que vinha estudar e dormir na minha casa pra ter certeza que eu iria à escola no dia seguinte! Tive a amiga que corria atrás de mim com um filhote de rato (e que odiei!) mas que hoje é minha grande amiga!

Passei por tantos mundos e por tantos deles fui trazendo comigo o que chamo de amizade. Pouco importa se depois a vista vai ficando um pouco fraca, as articulações vão doendo e a gente vai tendo dificuldade de se reencontrar.

No coração cabem todos. Um por um. E como sou assim, completamente eu mesma, para mim cada um é melhor amigo. Porque cada um fez parte de um instante presente que não se iguala a nenhum outro.

Que passe o tempo.... que chegue o futuro... meu coração vive o presente. E é isto o que conta.

Carpe diem!

(Está cantando Natasha ST Pier, Longueur D'ondes, de seu disco do mesmo nome. Uma pérola. A voz e o disco. Vale ouvir)