ADEUS ANO VELHO...

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... Feliz Ano Novo, que tudo se realize no ano que vai nascer..."

Quantas vezes, entre amigos, com familiares ou mesmo sozinha, cantei esta música que tanto me emociona! Esta e a aquela outra inevitável e que vocês sabem de quem falo: "este ano, quero paz no meu coração..."!

Pois é! É uma coisa muito, muito incrível esta coisa de festejar ano novo. Um calendário inventado, diferente para vários tipos de religiões, mas chega dia 31 de dezembro e, pimba!, a gente sente o peso do ano que está partindo, como se estivesse no aeroporto se livrando da bagagem horas antes da viagem.

Aí, senta num barzinho com os amigos (ou consigo mesmo, ou quem tiver por perto) e começa a fazer um "balanço" da viagem até ali... os bons momentos, as boas e as más fotos... Ih! Aqueles momentos ruins... aquelas lágrimas... Os planos que deram certo, os outros que foram pro brejo... é... foram tantas as emoções como diria nosso amigo Roberto Carlos!!!!

E aí o tempo passou mais rápido do que o previsto, a gente que só estava com a bolsa na mão, já se encontra com mais duas sacolinhas cheias de esperanças e novas resoluções compradas ali mesmo no aeroporto do fim de ano. E corre pro embarque.

...que tudo se realize no ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender!

"... Para os solteiros, sorte no amor, nenhuma esperança perdida; para os casados nenhuma briga, paz e saúde na vida... adeus ano velho..."

 (já comecei a chorar .... e a culpa é desta música, ou então é do Samba da Bênção do Vinícius que eu coloquei pra... droga...deixa pra lá....)



SALTOS NO TEMPO...


Imagem: V. Vitrov


Minha vida é quase sempre assim. De vez em quando eu pulo um dia. Ou dois. Ou um pouquinho mais. Por causa dela. Da enxaqueca. E do quanto ela perturba a rotina e a vontade que tenho de tantas vezes nem ter uma rotina. Ela acaba se tornando a minha rotina.

São dias que passo inteiros na cama. Pedindo todo o silêncio, toda a escuridão, toda a calma que qualquer deus possa me dar. Me curvo a todas as divindades que possam levar para longe de mim os horríveis sintomas. Acabo por pedir a cada uma delas que me leve para o seu mundo. E mais um dia de horror se passa, nenhuma nelas me tira a dor ou me leva daqui.

A enxaqueca tornou-se a sorrateira dama que mal se anuncia. Por vezes, na ponta dos pés, ao amanhecer entra e se instala. Quanto tento abrir os olhos sinto o quanto é tarde. Tarde para tentar buscar os remédios. Tarde para chorar. Tarde para esperar que ela passe.

A loucura. O pesadelo. O extremo de uma dor que parece nunca mais partir. Só fere. Fere. Enjôa. Maltrata. Enerva. Míngua. Diminui.

 

Quem teve uma vez sabe. Quem tem sempre conhece. E conhece também o desejo da partida que se desenha no horizonte, lá, no anoitecer do outro dia.

 

(Sem música. É impossível ouvir até mesmo um clássico. Que tristeza...)



EGOCENTRISMO NA BOA MEDIDA


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Não, o fim de semana não passou em câmara lenta. Na verdade, passou normal, hora por hora, minuto por minuto. Mas aproveitei bem. Fazendo aquele monte de coisas que a gente costuma ir juntando devagarinho, fazendo quase de conta que não vê.

O famoso pra depois. Tudo o que não parece muito importante ou não é vital é classificado imediatamente na categoria depois. Depois de.

A história do depois de é que a lista do que vem antes acaba ficando tão grande que a lista do depois vai entrando em gavetas. E em armários.

Assim é no dia-a-dia e assim é em tudo (para mim mesma faço uma excessão no quesito trabalho: sou uma maníaca e detesto deixar coisas pra depois, tudo tem que ser perfeitinho. É, sou complicadinha).

Agora que o domingo passou e a a semana se anuncia, é até engraçado, mas não estou nem com raiva.

Meus cabelos estão castanhos "quase originais", meus armários estão impecáveis (devem durar algumas semanas....), minhas revistas encontraram seu destino, vi os seriados que faltavam para estar em dia com o "recomeço" das temporadas agora em janeiro (o Jack Bauer voltou, finalmente!). Coloquei minhas agendas em dia. Vi 2 bons filmes (Blood Diamond e Déjà Vu - sobre o primeiro ainda gostaria de comentar aqui). Respondi meus emails. E etc...

Como podem perceber foi um fim de semana extremamente egocêntrico. Só não fiquei na frente do espelho me olhando, mas sim, tomei aquele banho de quase duas horas, lendo as revistas que me interessam.

Uma pitada de egoísmo faz bem. Acho mesmo que é condição sine qua non para deixar de sobreviver e passar a viver. Essa é a conclusão, óbvia, que deixo pra vocês.

Perceberam, viver o presente é mesmo essencial... carpe diem!!

Até!



EU VIVO AQUI... 


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Muitos me escrevem e perguntam afinal que lugar tão longe é este que eu vivo pra ter tantas saudades de um lugar chamado Brasil.

Pra começo de conversa eu gostaria de esclarecer uma coisa: não, eu não vivo no inferno. Nem tão perto assim... aliás, até que o lugar é bonito. Principalmente no verão.

Chama-se Genebra, Suíça. Tem fronteiras com a França em vários lados da cidade. É um belo local para se visitar, tem lindos parques, é muito bem cuidada, o lago é bonito, tudo aqui é muito bem tratado. Eles tratam o lago como se tivessem as melhores praias do mundo. E chamam de praias. Mas tudo bem.

A população é cosmopolita graças à quantidade imensa de organizações internacionais e missões, embaixadas e consulados estrangeiros. Sem falar dos estudantes universitários e daqueles que ninguém gosta de falar mas que também são muitos, os refugiados estrangeiros e asilados políticos.

Genebra é aquela cidade que se vê em filmes, o luxo das marcas e das estrelas, os passeios quase anônimos daqueles que jamais conseguem ser anônimos mesmo querendo; as festas magníficas, as histórias fantasiosas de astros, reis e plebeus. Mas também é a cidade da ONU, dos grandes debates políticos e centro dos direitos humanos. E sede da OMC e de todos os seus combates econômicos. Genebra é uma espécie de bandeira da famosa neutralidade suíça.

Eu mentiria se dissesse que após 17 anos aqui não gostasse de morar em Genebra. Gosto sim. Aqui iniciou-se parte de minha ascendência há quase um século e, pelo jeito, vai ficar também por aqui minha descendência.

Mas é que brasileiro nasce com uma espécie de "chips" implantado no coração, um "gps" espiritual, uma coisa que não sei explica. Por mais que a gente se afaste, se acostume, pense em se estabelecer, lá no fundo tem aquela coisa chamando, um lamento meio rouco que a gente tenta abafar mas que fica puxando. Um cordão umbilical invisível. Algumas vezes dá pra esquecer. Outras vezes não.

Eu vivo aqui. Aqui é o meu presente. Por isto construí esta ponte que se chama escrever. Para que através dela eu possa atravessar o oceano quantas vezes eu quiser e puder. E que outras pessoas, amigas, conhecidas, desconhecidas, possam cruzá-la também se desejar. Até!

 

(Embalada pelo Quarteto em Cy, "Caminho de Pedra", sigo ...)



TALVEZ UM FILTRO AJUDASSE


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Estive pensando ultimamente que não se pode fazer muita coisa contra os pensamentos e lembranças indesejáveis.

Não é como um endereço postal que a gente muda nos correios. Ou, bem mais atual, um email, que a gente muda radicalmente, ou tem 2 ou 3 para diferentes "ocasiões" ou, melhor ainda, aplica o filtro anti-spam que praticamente todos usam. Para aqueles que não conhecem, dou uma explicação pequena e rápida: é uma espécie de "filtro" que se coloca no programa de email com palavras-chave, regras específicas, etc.. Mais simples ainda: deixa-se o provedor tomar conta de tudo. Evita-se assim as publicidades desnecessárias, a pornografia e também os chatos (muito importante isto, evitar os chatos!). E recebe-se só o que for considerado"bom, válido, ok"!

Bobagem ou não, pensei que seria genial ter um bom filtro anti-spam aqui dentro da minha cabecinha. No fundo acho que até já temos um que dá um jeito de "apagar" ou " selecionar" um bocado de lembranças... mas para pensamentos....

Para pensamentos acho que nem durante o sono. Por isto acho que um filtro ajudaria. Um pouquinho de silêncio na cabeça não pode fazer mal a ninguém, pode?


(Eu e Tony Bennet sorrimos enquanto ele canta "I left my heart in San Francisco")


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