NAFTALINA

Imagem: Susan Seddon Boulet, Rites of Passage


Esta noite tive um sonho engraçado.... alguém chegava e literalmente metia a mão nos meus bolsos e tirava de dentro saquinhos de naftalina (fiz até um poema, tá lá no Certas 2) que caiam pelo chão e me enchiam de embaraço... eu não sabia o que fazer naquela situação, um monte de gente ao redor, conhecidos e desconhecidos e os saquinhos de naftalina caindo dos bolsos lá no chão...

E o pior? Eu ria! E abraçava velhos amigos, falava com um ou outro passante e ouvia aquela frase tão comum nas rodas: "conta aquela, daquela vez que...!" E me ouvia contando uma história, outra históira, mais uma outra...

Na vida real tenho raramente lido os emails (que guardo cuidadosamente em pastinhas para ler desde que minha cabeça seja capaz de fazer um tri coerente). Não tenho visitado com muita frequência os blogs e sites de amigos (ando com uma cortina de cansaço mental dura de puxar) e fisicamente, ainda mais difícil, me esquivo fortemente do telefone, da porta da rua e das pessoas que amavelmente tentam se chegar.

Fase, eu sei. E luta constante com certeza. Não é toa que tenho ido buscar todo tipo de ajuda possível. Natural (eu sou natural, bem tipo plantinhas e coisa e tal), no Universo (ainda confio na energia universal como sei que a energia universal confia em mim mesmo a gente estando com os fios meio falhos e a comunicação estagnada) e, óbvio para tantos, humano-médico-alopática (os remédios que tanto me assustam hoje em dia me aliviam em muitos momentos). Fui buscar todos os tipos de ajuda porque não tenho vocação pra vítima.

Todos os dias acordo meio sem ter certeza de ter vontade de acordar. Daí, antes de abrir os olhos faço uma espécie de revisão dos porquês. Por quê eu deveria levantar? Enumero mental e coracionalmente, busco a coragem sabe lá onde e levanto. Tem sido assim há semanas... e semanas.

Mas eu sou tão teimosa, tão teimosa. Posso até cheirar a naftalina...mas insisto em me mexer, em não ser consumida. Pelo menos não pelas traças das dores da vida, mesmo que elas doam ainda um tempão.

(Ouço vozes ao fundo e Luciana Souza - que voz gostosa - canta "Never Die Young" com James Taylor, segunda música de seu último e belíssimo disco, belíssimo mesmo...)

 


Confesso. Muitas vezes na vida cheguei a pensar que dormir era um desperdício de vida. Dividia o dia em minutos e ficava assustada com o tempo utilizado para dormir (juntar o trabalhando e outros "úteis" então ...). Queria só um período de sono suficiente para ter algumas "viagens", do mesmo gênero que costumo fazer de olhos abertos...

Mas sou obrigada a reconhecer que o sono é bom. Traz uma quantidade enorme de benefícios - e eu nem estou falando de sonhos, o que seria o meu natural! Estou falando dos benefícios óbvios para o corpo e para a mente. Aquela lista (grande) que não cabe aqui eu citar.

Por categórica recomendação médica (a senhora precisa de repouso, precisa descansar, dormir!!) passei a tentar dormir um pouco mais. E não é que após algumas manhãs de mal estar (falta de hábito mesmo, tenho mania de levantar de madrugada como meu pai e meu tio) e vários pesadelos, até estou conseguindo adquirir este mau hábito?

Mais alguns dias e quando der oito horas, mesmo em dia de semana, vou querer ficar na cama... Ai, ai.

 
(Acho que eu estou ouvindo Morfeu me chamar... até!)



MESMO UMA FRESTA


Imagem: Yuka

Quando diante de mim se abre uma janela, ou mesmo uma fresta dela, e através eu posso entrever um mínimo que seja de esperança, tudo em mim se transforma. Minhas células se renovam. Meu coração melhora seu ritmo. Minhas pernas caminham com forças outras. Palavras que desconheço juntam-se ao meu vocabulário. Mesmo as lágrimas que descem, apenas me umedecem a face.Passo a viver da magnífica energia de saber que é possível. Que vale a pena. Que posso esperar.

E o tempo, humilde, cala-se e retira-se.



O AMOR PRÓPRIO PARA NÓS, AS MULHERES MADURAS 


Na onda da auto-estima, da valorização do eu, muitas vezes acabamos indo em sentido contrário. Lemos tantas bobagens, fazemos tantas afirmações decoradas, que, quando nos damos conta, estamos de volta na frente do espelho para ver se melhoramos a aparência.

Sorry people! Detesto retirar ilusões de almas já desiludidas. Mas é exatamente isto. Fazemos um caminho de progressão de todos os tipos e níveis para descambar para o óbvio: cadê nós ali no espelho?

Há algum tempo já, entre um problema de saúde e outro, acabei valorizando tantas partes de meu corpo que estavam esquecidas que fiquei realmente espantada com a alegria que elas poderiam me dar. Calma! Estou incluindo aqui uma perna sadia que dá o passo que a outra não pode... ou a mão cheia de glória que pega a caneta que a outra deixa cair. E o cérebro que se enche todo de virtudes e tolices quando, depois de algumas reposições hormonais, recomeça, lentamente, a funcionar como deveria... ou como eu queria.

Vivendo momentos de incerteza comigo mesma e dando força para as energias vibrando em torno de mim mesma (egocentrismo pouco é bobagem!), agora sim enxergo auto-estima. Vibro com cada minuto a mais, com cada vitória conquistada. E as gordurinhas na história? E o peso a mais? E os cabelos brancos que sumiram com a cor natural? E aquelas roupas que não entram mais? Não incomadam?

Ai, santinho, e como incomodam!!!! As gordurinhas incomodam todas e em todos os lugares eu queria ser uma feiticeira pra sumir com elas. Mas não dá. Queria ter um kit de photoshop (para as leigas, a maquiagem de computador - existe, meninas, existe!!!) na bolsa e nos bolsos. Mas também não dá e quando de vinte fotos eu pego uma e, glória aos céus!!!, digo que está boa... já fico muito contente.

Mas o melhor mesmo desta história de amor próprio e auto-estima é quando alguém vê você e diz: nossa! - e você sente a sinceridade - como você tá legal!

Não é?


(Estou ouvindo Frank Sinatra cantando (só pra mim) I've got the world on a string...)



ARRUMANDO AS GAVETAS 

Imagem da net


Estou desarrumando tudo. Em mim, no blog e no que tiver por perto. Dizem que arrumar gaveta faz bem pra vida da gente, que a gente se sente melhor depois e coisa e tal. Pois é, eu tô aqui numa desarrumação geral.

Há alguns anos atrás fiz uma arrumação de gavetas de dar inveja. Minha vida parecia uma estante de demonstração de cristais de tão limpinha, arrumadinha, bonitinha: tirei os vícios - parei de fumar (argh!) e álcool (ãh? o que?) nem cerveja sobrou; parei de comer bobagens (berk!), do tipo chocolates que atacam o fígado armados e amendoins que desmontam vesículas mesmo sem armas... Entrei para o mundo boa paz. Fiz cursos de reiki, aperfeiçoei meus cursos de florais, adicionei cromoterapia, cristais e mais uma meia dúzia de coisas que, confesso, esqueci.

Olho para trás e vejo que esta arrumação foi uma revolta meio tardia. Uma vontade talvez até meio adolescente de reviver o que eu nunca mais seria. Pelo menos não na prática. Certos argumentos e elementos podem até ser guardados, para sempre por que não?, no interior... mas outros...

Ok, não vou voltar a fumar, mesmo porque nem suporto mais o cheiro. Tô tão antipática.... Mas pro resto vou dar uma cesta completa de frutas (banana é pouco)!

Me aguardem: estou começando a desarrumar tudo. E estou adorando.

 

 (Hoje não tenho música de fundo: tenho o pan... tô torcendo pra todo e qualquer brasileiro que aparecer competindo!)

25 de julho de 2007



AGOSTOS





Tem vezes que eu penso que a maior esperança do dia seguinte é justamente a incerteza. Estou vivendo um momento íntimo e aqui está sendo o meu quarto. Eu não rezo. Não grito palavrões. As vezes tomo calmantes e em outros os execro totalmente. Quero a minha mente de volta, quero tantas coisas de volta. No dia de hoje, há vinte e nove anos atrás vivi o que foi uma das maiores perdas da minha vida. Há um ano e meio, no fim deste mesmo agosto, a perda que ia de par. Falar agora daquela que se foi justamente no primeiro dia do agosto que este ano trouxe? Para que? Todos sabemos que as dores são curadas pelo tempo, incerto conceito e palavra vã.

 

Talvez se amanhã eu não precisasse acordar fosse mais simples me levantar.

 

 

(Ouço Moby, e mesmo se aqui, nas ruas é verão, "When It's Cold I'd Like To Die")



AGOSTOS 2



Hoje me acordei pensando que se há uma injustiça que não posso cometer, por mais que eu esteja doída, é com Agosto. Eu deveria chamá-lo de porta.

Por ele saíram algumas das pessoas mais amadas da minha vida. Mas por ele também entraram algumas das pessoas mais amadas da minha vida. Pessoas inclusive que estiveram sempre na minha vida e que, neste momento, continuam presentes. Agosto me trouxe grandes amigas. Grandes amigas e amigos! Que andam aí pela vida comigo, sem nunca tomar distância demais. E olha que eu não sou fácil não. Não sou aquela amiga sonhada de ter não. Detesto telefone e todo e outro qualquer meio de comunicação direto. Corro de conversas longas. Me assusto com relacionamentos que peçam de mim comunicação frequente. Tenho uma dificuldade medonha de abrir o coração. Mais eis que agosto me deu as pessoas que parecem que vieram com a chave e entendem isto direitinho....


Grande agosto, irônico agosto, não posso detestá-lo de jeito algum! 



GULOSEIMAS E A SAUDADE DE CASA



Meus filhos cresceram longe do Brasil. São hoje o que se poderia chamar "gente quase grande". Mas guardaram no coração um amor por tudo que tem as nossas cores. Meu filho pequenino, que só tem vinte e um anos, mesmo se tem personalidade forte e calada, nas suas opiniões fortes e nos seus belíssimos poemas expressa o que trouxe consigo. Minha garotinha, de vinte e quatro anos e casando daqui a poucos meses, tem um "irreparável" amor pelo Brasil, em especial por Laguna...

Viemos para tão longe, construímos uma vida no lugar onde meus ancestrais começaram a nossa (aqui perto de casa se casaram a vó Yvonne e o vô Abelardo). Mas a Laguna, como Santa Catarina, como o Brasil, é o que se poderia chamar de uma dependência genética. A saudade pesa nas palavras, se alivia nas lembranças, nos alegra em momentos de reunião familiar. Fazem falta o que eu chamaria de "os amigos de lá"... aqueles que sabem exatamente do que a gente está falando quando começa dizer um monte de palavras como "tanso" e "reco". Já fiz até uma lista de coisas que o povo aqui me olha esquisito quando eu falo!

Mas voltando, ou começando, ou terminando, resolvi escrever isto hoje porque o Paulo me contou por telefone que a Aurora tá me mandando bala americana de presente... eu chorei de alegria. Vocês sabiam que bala americana fazia chorar de alegria? Nem eu... Contei pra minha filha ontem, ela riu... principalmente porque mesmo se o pai dela está lá porque foi olhar o meu, a gente sabe que ele vai trazer com ele o que a gente trazia desde que eles eram pequenos: um monte de guloseimas do Brasil! Pra matar um pouco as saudades pelo paladar? Pode ser... mas acho que já curto-circuita as danadas saudades só de olhar os bombons, biscoitos e etc...

 

 

(As imagens são pra alegrar os olhos dos meus filhotes: propagandas de biscoitos da Parmalat, aliás estes eu nem conhecia.... enquanto estou aqui escutando a Xuxa... "doce, doce, doce, a vida é um...")