Estava aqui pensando em alguma coisa que fosse bem brasileiro, bem significativo, algo que me fizesse marcar o dia sete de setembro sem pensar nas paradas militares dos feriados da minha infância. Aí me lembrei de duas coisas: da solidariedade e do futuro. A solidariedade é coisa bem brasileira, aquela coisa de emprestar coisas, dar coisas, se dar. E o futuro... ah, o futuro... eu preciso acreditar que a gente ainda vai dar certo. É uma necessidade.
Assim festejo meu 7 de setembro. Sem fazer dele um feriado porque não vejo independência, mas aqui dentro de mim... festejo a certeza de que o Brasil, meu país, merece que eu acredite nele. É minha necessidade.
(Tô aqui ouvindo um cantor que eu não conhecia (Vander Lee). Até que ele é alegre. O disco que tô ouvindo é "Pensei Que Fosse O Céu", um show de 2006. Me agradou... eu adoro o que melhora o meu humor!)
Há amigos que são realmente tão amigos que permanecem já com os braços estendidos e quentinhos, prontos para nós. Muitas vezes são tempos e tempos sem nem uma palavrinha sequer trocada... mas a vibração perfeita da amizade está lá... "don't give up!". E a gente se levanta, vai buscar um café, pensa na chuva que talvez caia mais tarde, na dor das costas... e uma vez mais não abandona. Porque a sincronia de uma amizade faz isto, funciona assim... ver de novo as feições que nos fizeram felizes e pensar: em "quando eu for..." ou "quando nós estivermos..."!!
Medir amizade seria tão incongruente como medir a libido (acabei de ler num livro que o Dr. Freud ele mesmo ficou de cabelos em pé quando quiseram inventar uma "medida" de libido) ou ficar pedindo atestado de momentos de bem-estar a cada vez que se sorri (ai, ai... acabariam-se os sorrisos dados por delicadeza...).
Gosto de chamar de amigos aqueles que geralmente têm tanta certeza que são meus amigos que sabem, com mais certeza ainda, que eu sou "calidoscópica" (prefiro não me chamar de esquisita... pode ficar... hum... esquisito!). Meus amigos de verdade são meu universo. Neles eu creio, deles eu preciso, deles recebo a força que me faz viver, para eles poderia me transformar em energia pura.
Pois é... ficamos assim... não quero ficar choramingando. Mas quero dizer obrigada. De novo e sempre. Vocês sabem, podem pegar aí, é pra vocês mesmo... até!
(Silêncio....acho que vai chover... vou ligar pro pai daqui a pouco... o cara da internet se foi, o da furadeira - o vizinho terrível - parou... uau... que silêncio bom!)
O acordo é tácito: as frases são curtas, as mentiras são belas. Todas as palavras saem normalmente. Tudo sem medidas mas completamente sob medida para não sofrer ainda mais. Um acordo de paz para adormecer a dor tentando assim evitar. Não falar. Muito. Evitar. Falar. Evitar. Somente evitar. E basta. Basta!
(Nightwish para não pensar... bem alto... faz bem... é bom... bem alto.... bem alto...)
Todos os dias me acordo, abro os olhos e em todos estes benditos dias, a cabeça dói. Dói daquela dor que dá de dizer que tá doendo, ou dói da dor que não se consegue nem falar que dói. Todos os dias. Todas as manhãs. A noite inteira corro em lugares conhecidos e desconhecidos, penso que estou sonhando mas provavelmente devo estar vivenciando experiências novas, sei lá. A verdade é que minha cabeça não pára. Não descansa, não cessa. Serviço 24 horas. Nada de paradas por aqui.
Ai, por exemplo, hoje cedo quando, de novo, acordei com aquela dor enorme em cima de mim me veio só uma vontade: Stop! Deu! Chega! Nada! Ninguém! Deu! Saturou! E aí... uma imagem engraçada... aquela detestável tela azul do computador... aquela!, Bem aquela miserável que tudo o que a gente pode fazer quando vê é desligar o computador porque... porque deu. Porque não há o que fazer mais naquele momento. E a indicação é clara: se deixar ligado, vai fundir, vai acabar com a máquina, vai perder as informações, arrisca perder o disco!
Uau! Assustei! Fiquei meio assim. Fui pra ducha. Me desculpe o meio ambiente, mas eu estava realmente precisando de meia hora de água correndo sobre mim e o mar estava longe demais. Tela azul. Excesso de memória. Problema no computador. Deu pane. Enxaquecas demais. Sinal. Tem erro. Disfuncionamento. Deixar desligado um tempo. Esperar. Tela azul... hum... se for sistema, até que pode ser, com jeito se repara, mesmo perdendo umas coisinhas ali e aqui... mas se for o disco... ai, ai... se for o disco..
Lá fui eu esquentar de novo. Desliga. Arranca da tomada. Fica invisível. Pra isso só buscando alguma coisa que me acalme profundamente... bem profundamente... desligar da tomada... e eu vou buscar Nostalgia, que Yo-Yo Ma interpreta. Dura menos de dois minutos... então eu repito, e repito. Porque me faz tanto bem. É como se eu estivesse no colo. Como se uma mão estivesse na minha cabeça e uma voz me dissesse: foi só a tela, já passou...
Há bem pouco tempo começou uma novela chamada "Duas Caras". Apesar do meu interesse por novelas ser bastante restrito devo confessar que o título, o tema em si, me fascina: duas caras, aquilo que todo ser humano tem, seja para si e para outrem, para si e para o mundo, ou mesmo para si e para si mesmo.
Não há nada que o homem faça mais durante a vida do que tentar destruir-se enquanto busca conhecer-se melhor. Bancando a dor do inferno no profundo do peito ou como carga nas costas, o homem migalha cá e lá por fragmentos de sua identidade que o levem a melhor saber de si. Não para experimentar um mundo melhor depois disto - o ser humano é egoísta demais para isto - mas simplesmante para poder exercer sobre si mesmo um controle que algumas poucas vezes alcança exercer única e somente sobre alguém ou algum grupo vivendo nas suas proximidades.
O homem vaga nu, de olhos vendados, de mãos atadas e pés descalços. Pelo chão os cacos de vidro ferem seus pés. Das nuvens chovem gotas negras e pesadas que não lhe aliviam a sede. Mas ele não pára. Pode por alguns instantes titubear e pensar em ser somente a chama mais viva que nele, bem do fundo dele, aviva-se, quase grita clamando: seja eu! Eu! Mas não...
Desate as mãos deste homem, lave seus pés, vista-o, tire de seus olhos a venda suja e ponha-o diante de um espelho. Ele não se reconhecerá. E se abrir os lábios e pronunciar alguma palavra provavelmente se encantará com a própria voz, como um narciso perdido em devaneios.
Duas caras. Muitas caras. O ser humano não se suporta, não tolera dividir com sua própria presença a vida que um dia recebeu sabe-se como e onde. É demais para um ser feito assim, de órgãos, carne e ossos e inteligência poder aturar de si os vícios, virtudes e defeitos, os quais não poderia jamais aturar em outro ser... sem apontá-lo, julgá-lo, condená-lo, jogá-lo à fogueira da danação eterna.
Melhor continuar calado, ser expectador silente, ausente, inconsciente, indiferente, de suas múltiplas personalidades, vidas, caras, como quiser chamá-as. E deixar que vez ou outra elas venham à tona tomar posse do espaço, da cena, compartilhar da vida dos demais atores... sem nunca esquecer de jamais embaraçar ... ou deixar restos... jamais... Rastros são evidências que podem levar às emoções. E neste quesito, ah!, neste quesito, não importa quantas forem as caras, fica simples demais encontrar o ator principal...
(Ouvindo várias músicas gostosas, entre elas Ben Harper cantando Waiting On An Angel)
Se tem uma coisa na minha vida que eu amo é a água. Amo de todos os jeitos e maneiras. Nasci sob um signo de água, tenho como ascendente um signo de água. Nasci na beira do mar, cresci amando o mar...
Se eu fosse me associar a uma forma de água porém não me chamaria de mar... o mar é lindo demais, cheio de vida, busca água em todas as nascentes e recebe água de todas as chuvas.
Eu me sinto mais próxima de um lago de montanha. Aqueles lagos que ficam no alto das montanhas bem altas. Eles são quase parados, são assaz sombrios... mas são atraentes. Dá uma vontade de ficar ali, olhando, olhando... mas os habitantes das montanhas sabem, e muito bem, o quanto estes lagos são profundos. E passam, sem mergulhar. Talvez, num inverno bem rigoroso, o lago gelado... mas brincar de mergulhar? Não. Definitivamente não.
Mas eu amo as águas todas. Quando abro uma torneira, uma garrafa de água mineral... quando passeio pela cidade e vejo as fontes e o lago tão conhecido. Quando vejo imagens, quando tenho as lembranças...
Gosto de banhos... muitos banhos... gosto de água sobre mim, gosto da água que passa sobre mim, da água que me toca, que entra em mim...
Água é minha bebida favorita. Chuvas me fazem sorrir. Mergulhos me fazem reviver.
Definitivamente eu sou água. Inteirinha água. Vinda de e pronta pra voltar para.
(Coloquei bemmmm alto pra ouvir o Prefab Sprout que é muiiiiito bom... especialmente esta música "Looking For Atlantis" , deste disco Jordan The Comeback. Conheci o Prefab com meu irmão, faz tempo. E foi paixão à primeira "escutada"!)
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