AS PALAVRAS E O ANEL


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Eu respiro o ar. E expiro as palavras. Escrever é a minha vida. Sem estes instantes preciosos não consigo existir. Sou como o aro vazio do anel que aguarda a pedra que fará dele um objeto único.
Espero as palavras e elas me esperam. Em certos momentos nossos encontros são rápidos, em outros chegamos a cair tamanha a colisão.


(Ouvindo: a sugestão recebida, Cássia Eller cantando Por Enquanto. Foi tão bom que repeti a dose. E acabei ouvindo também com Zélia Duncan: "... mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está...". Vai, mais uma vez... só mais uma: "...estamos indo de volta pra casa...")

De: 20.10.2006



O MOMENTO DEPOIS DO GRITO


Imagem da net (como tantas aqui pela casa, recebida do amigo Danilo)


As vezes eu gosto de gritar. Gritar um monte. Pode ser cantando junto com o Evanescence ou com o U2. Pode ser comigo mesma na frente do espelho ou com a cabeça embaixo do travesseiro. Mas nestas vezes eu grito porque preciso mesmo. É uma necessidade de soltar mais do que ar, soltar tudo, tudo. E depois ir voltando ao que se chama normal. Baixo meu volume interior, ponho algo de mais doce também pra ouvir e me deixo levar pelo novo momento. O momento depois do grito. Aquele momento em que faço de conta pra mim mesma que a agonia passou, que os problemas ficaram pra trás e os medos também. Sem tempo para que as saudades se liquidificassem.

Entre o momento do grito e o momento da calma não há uma ponte. Apenas desligo eu mesma e ligo novamente o automático. E volto a ser doce como a música que ouço então.

(Depois de Bring Me to Life, Vertigo e outras assim... passo por Pink Martini e seu Let's Never Stop Fallin in Love e aterrisso, mansinha, com Michael Buble... I'll never smile again)

 

De 03.11.06


A NOITE SE VAI...


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... e as sensações ficam. Principalmente quando o corpo significa pouco e alma tudo.

(Ouvindo Song of the Black Swan, com Pink Martini)

De novembro de 2006



EXISTIR A ESSÊNCIA


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E não bastando ser, simplesmente existir, é necessário ser a essência de qualquer coisa. Viver por alguém sem deixar de viver a própria vida. Dedicar de si ao mundo em volta como se fosse ele o que circula de dentro de si. Exindo assim a essência, toma-se a vida com as mãos e o coração pulsa para ainda mais viver. Existência.

Bom domingo pra vocês!

(Docemente ouvindo o som das teclas...)

De novembro de 2006


CABELOS LONGA CABEÇA


Imagem: Anke M.


Para não pensar nas dores penso nas esperanças. Mesmo que a sensação de que dedos apóiam firmes sobre as minhas têmporas, ignoro. Busco com os olhos o infinito azul do mar que banha a tela do computador. Mergulho, sigo a correnteza, espero aportar lá longe, na terra tanto amada e que está realmente longe. Mas hoje o mar me basta. Meus longos cabelos disfarçam a cabeça dolorida. E as longas dores de cabeça se fazem belas sob os meus cabelos. Coisas tontas.



O ESQUECIMENTO


Imagem: Forgotten


O esquecimento é fatal e cruel. O esquecimento é abençoado e pedido. O esquecimento. Fazemos de tudo para esquecer certas passagens de nossa vida. Fazemos tudo para não esquecer outras delas. Mas o esquecimento natural vem e liberta, seja trancando lembranças nos porões no inconsciente ou soltando ao vento coisas desnecessárias. O esquecimento é o remédio do tempo. E o tempo é o remédio da vida.

(Ouvindo Andrea Bocelli)


LUA CHEIA


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Hoje é lua cheia. Instintos soltos. Os gatos são todos pardos e os lobos uivam para os cordeiros. A claridade do céu engana. Tudo está mais sombrio e as intenções nada sóbrias. Acho que é hora de ir...

(Dido está cantando My Lover's Gone)



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