DESABRACADABRA




Desbravando
caminhos
desfazendo
e tecendo
ninhos.
Desbravadora
derrubando as árvores
sacudindo os medos
vencendo segredos
ditadora!
Cada estrada
aberta
Uma porta
fecha
Abre o passo
incerta
Parte e se
interessa...
Transamazônica
ilusória e militar
Guerra transgênica
eufórica, instava!
Cada trecho um inimigo
Cada inimigo um espinho
Cada espinho uma porta
Cada porta uma batida
Cada batida uma dor.
Acabou.
Não tem mais.
Não tem mágica.
Mais que nada.
Se acaba. Acaba.
Abra. Cada . Dá.
Abra. Dá...
Desabracadabou.


(Ouvindo os ruídos da rua e da minha cabeça se misturarem. Não tem silêncio)Imagem: Infelizmente não conheço o autor da imagem, se você conhecer, por favor...)

De 21 de junho de 2007



DO NADA


Imagem: Point of imagination. by danone


Entrei ali no Orkut numa comunidade que se chama "Adoro Escrever". Tem uma gentarada... (14.091 até a hora que vos falo). Pois é. Aí tem sempre brincadeirinha interessante, gente interessante. Hoje tinha uma assim: Escreva um texto que contenha a frase seguinte - e a minha era: Como escapar daquelas mãos horrendas, desarmado!Fiz um poeminha intitulado DO NADA. O que mais gosto nestas comunidades é a diversidade. Muitas idéias, muitos gêneros, muitas faixas etárias, todos com vontade de escrever e falar sobre esta vontade. Gostei. Trouxe meu poeminha pra vocês. E deixei lá a frase: "Meu peito precisa de guerra para fazer o coração poder bater". Outra hora vou lá ver no que deu.*


Do Nada


 Ele desceu as escadas desvairado e tonto

O corpo bêbado e o pensamento zonzo

Tentando sobreviver a si mesmo

Tentando agarrar-se à esmo

A todos os gestos desesperados.

Gritou. Calou. Escorregou. Caiu.

Como escapar daquelas mãos horrendas,desarmado!

Como chegar às ruas sem ser agarrado?

Lendas, mortes, sofrimentos...O que o traiu?

Foi o torpor da noite ou bebida forte

A dor do açoite ou o medo da morte?

Fugir. Fugir. Escapar das mãos horrendas

Que não eram lendas

Desarmado

Desestruturado

As mãos

Coração

Perdão!


(Estou ouvindo o disco História de Amor Internacional, gostosinho... de 96) * Não fui ver... saí do orkut.

De 26 de junho de 2007



FLEXÕES E CURVAS DO PERDÃO


Imagem: Requiem of a Dream by isacg


Quando a cabeça que se vira

e olha para trás

Nada mais vê

além

De uma longa

avenida

Pavimentada de

arrependimentos

Por não ter dito

Não ter ouvido

Não ter feito

Não ter sido

Não ter vivido.

Chegou a hora

De olhar para a frente

De ver a curva da estrada

De escolher novos caminhos

Com a cabeça erguida

o coração liberto

Dar um passo em direção

Ao perdão de si mesmo.

Lá fora a chuva se faz música... ainda bem. Minha cabeça dói e outra ela não suportaria.)

Junho de 2007



OS ARCOS DE DOR


Imagem: Inkgirl_ID_by_TroubleNight


Um passo seu e um gemido

Fundido no torpor inevitável

Dos medicamentos.

Um passo mais e a parada rente

Sente na base o tudo insuportável

Da coluna e seus momentos.

Esperava se livrar, partir ileso

Engolindo só mais uma, uma só mais

E a dor mostrou-lhe a carga do seu peso

Gritou por ele, chamo-o...

Jamais!

Mão na coluna base do infortúnio

Fortuna inglória estar tão consciente

Amparava o corpo e os pés,

o augúrio!

Levaram-no à queda tão somente.


De 28.06.2007


VIVA CADA DIA E UM DIA


Imagem: Domovenokmoz


Viva sem olhar para trás

Cada instante, carpe diem

Dia a dia, momento por momento

De seus minutos faça a vida.

Sua morte o espera a cada esquina

Vida é o presente que ela nos trás

Como se nos avisasse da importância!

Se realmente tivesse esta importância...

Fosse o sumo, o sangue!

O que você quer da vida?

Último amor, último suspiro?

E se depois o que houver nem for

Um arrependimento surgirá.

Dia passa, dias voam

Estará o futuro a espera do passado?

Certo! Mas sem o presente, ele será  caos.


De 29.06.2007



NÃO DAR BANDEIRA!


Imagem da net


Bem que eu tentei

Andar depressa

Negar sorrisos

Dar impressão

Errada

Inventada mesmo

Roubando imagens

Apenas pra não dar... bandeira!


De: 01.07.2007



POENTE


Imagem da net

Por puro acaso

Ocaso

Esteve a paixão

Na minha vida

Tempo suficiente

E longe, ilusão.


De 04 de julho de 2007


PRESENTE


Imagem: Acida


Na ausência

Deste momento

Mesmo

Em que em

Me retiro

Das folhas

Da tela

Do tempo.

Vou dormir.  


De 04 de julho de 2007



** No site certas imagens estarão colocadas apenas como "da net" porque infelizmente a gente procura o autor e não acha. Mas se a foto é sua, me diga tá!  Muitas imagens, mesmo com autoria, são encontradas ou recebidas por email. Caso não desejar que sua foto, com autoria ou não, continue publicada aqui é só avisar que ela será retirada. Obrigada!