MEUS EIXOS
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Cadê? A venda dos olhos A mordaça As cordas das mãos e dos pés? Cadê todas as ferramentas necessárias Que recebem os que nascem para aqui viver e assim não ver toda esta farsa... Procuro há tanto tempo! Sem os olhos velados Sem os lábios calados E os membros doídos de tanto me debater... Nem me sobra a vontade de usar como o ofício um dom de escrever.
O FUTURO DAS PALAVRAS
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Quais serão um dia as minhas últimas palavras? Serão as que direi por último... as que deixarei escritas ou aquelas que nunca conseguirei dizer?
MARCADA
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Quando passavam pela minha vida os vinte anos me sentia velha comovida e cansada. Dobraram os anos E a mesma centelha não esquecida me acanha e me cansa e me deixa abafada. O tempo nada mudou em mim. Eu já era assim Marcada.
PERSONAGENS
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Mas tem horas que me sinto tão distante de tudo como seu eu não fizesse parte deste presente Como se fosse uma personagem de uma história colocada em outra história Lobo Mau interpretando Robin Wood Branca de Neve saltitanto em Peter Pan Cinderela buscando os comprimidos pra dormir na gaveta da Bela Adormecida.
UM ACRÓSTICO
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Depressa Esvazia Presas Represas Estanca Sublima Sacia Agonia O fio.
GUARDAR DE MIM
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Quero guardar de mim todas as boas lembranças de todos os bons momentos de tudo o que pôde ser bom num minuto no passado mesmo se ausente do futuro
EU ESTAVA VIVA
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Eu estava viva quando os Beatles gritaram Help! Eu estava viva Quando John Kennedy sorriu para as câmeras e abanou. Eu estava viva Quando Juscelino cismou com o Rio de Janeiro e inventou sua utópica capital. Eu estava viva quando Médici estampava todas as salas e todas as mentes do meu país. Eu estava viva Quando Luther King confessou ao mundo que tinha um sonho. Eu estava viva Quando Celly Campello dançou com a juventude o biquine de bolinhas amarelinhas. Eu estava viva Quando Gandhi deu seus passos silenciosos em direção à paz. Eu estava viva Quando o primeiro Bush armou o futuro do povo iraquiano. Eu estava viva Quando Roberto Carlos mandou tudo pro inferno. Eu estava viva Quando a política devastou o Líbano em nome da fé. Eu estava viva Quando Bethania fez chorar o sul com seu nordestino Carcará. Eu estava viva e vi tantas coisas... outras passaram e nem vi... Mas tudo, tudo profundamente em meu ser senti.
DESIGUALDADES
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Igualdade é o antônimo De todas as outras palavras vãs jogadas na mídia o pão ao povo no circo da vida ilusão de ótica. Igualdade não existe nem entre a imagem do que fala e que se olha no espelho. Igualdade como seria para vir de par com a liberdade e a fraternidade para expulsar a síndrome "raças" ao vão merecido, esta igualdade o egoísmo humano tornou utópica e relegou a um outro universo.
PORTAS DA NOITE
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Noites iguais Portas de saída Se apresentam Todos os dias Com o bilhete nas mãos. São manuais de partida Fossas de esgoto Escoando sonhos Restos da vida Que poderia ter sido. Noites longas desespero Noites de curto sono Noites de uma escolha Querer ou não despertar depois.
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