Há explicações para tudo tudo é uma questão de querer ou não conhecer as respostas. Há conclusões para todas as histórias e isto independe da tua vontade ou da minha.
O poema Se escreve sozinho Deitando preguiçoso Nas palavras sobre a linha. Ambiciona crescer E se tornar Linhas inteiras Parágrafos de uma prosa. Mas enquanto se espreguiça nas letras na tinta na tela o poema se deixa ficar ali. E de sua ambição sobrou a falta de rima.
Em tudo há uma mentira No que não se quer contar Na frase a evitar Nos silêncios do olhar. Em tudo há uma mentira Com desculpas para esquivar Com desculpas para salvar Com desculpas falhas. Em tudo há uma mentira No desejo de não trair Na vontade de partir Na agonia de insistir. Em tudo há uma mentira Que justifica um fato Que dismistifica um ato Que encarcera um rato. Em tudo há uma mentira Que se desfaz como as brumas Que se espalha como espumas Que se desnuda uníssona. Em tudo há uma mentira Que de insistente e surda Aos gritos tenta convencer a realidade. Em tudo há uma mentira Insulto aos que nela crêem Imputada aos que nela vêem uma velada verdade. A mentira está presente em tudo Porque em tudo há uma mentira.
Vou esvaziar a sala Jogar os móveis no olho da rua Fazer minha mala e partir semi-nua. Antes arrebantarei a fechadura da porta da cozinha e me sentindo rainha me libertarei da tua ditadura. Pulando a janela Do terraço Estarei dando um passo para a eternidade. Levando o coração tranquilo Voarei livre e longe Da tua falta de equidade. Partida ganha Partida perdida Jogada estranha mas não dividida.
MONÓLOGO INTERIOR
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Não, eu não creio mais. Apenas faço parte do contexto Onde muitos estão também. Não, eu não quero saber Dos significados restantes Que infinitamente invadem As memórias. Não, não adianta olhar com insistência E tentar ver a criança. Já não sou. Não é evidente? Por gestos, por lembranças ou pela imagem real que se mostra... Não, há disfarces Esta sou eu e é quase O mesmo eu que esteve em berços Caiu de árvores Trocou carinhos escondidos... O mesmo ser que gerou outro ser Que se inundou de amor Que incendiou a vida em lutas. Não, eu não preciso mais falar O silêncio de quem é só Fala por si.
POEMA DE RIMA FALSA
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Quero escrever sobre a vida Mas afinal... o que sei dela? Que é finita, que é bela? Meu caminho ainda não se completou e no entanto já compreendi que a vida se forma por palavras... Solidão - coração - vazio Tristeza - certeza - cio Alegria - melancolia - medo Amor - dor - segredo Saudade - tanta saudade Felicidade... quando se consegue distinguir... Tempestade... E são muitas mais as palavras E delas o significado se enlaça enquanto a gente se abraça Com o que pensa ser e viver.
VERSINHOS DA TOLA ESPERA
Ganhei balas, chocolates Bombons coloridos, paçoquinhas cocadas brancas e amarelinhas...