Caiu no chão o bilhete de ônibus Simples assim... Me abaixei, enraivecida dorida das costas e do peso que elas continham... Juntei do chão o bilhete de ônibus Amassando assim... Me levantei, e lastimosa ainda ergui o corpo e os olhos ergueram-se e viram... O céu estava lá, cheio de nuvens densas nuvens de uma chuva pretensiosa e fria... Mas entre elas estava o sol... Acanhado, sem muito jeito... Naquele emaranhado cinza Quase que tremeluzia Tentando atrair meu olhar... Sentei... perdi o ônibus e esqueci do bilhete... Ir ao chão, algumas vezes pode nos levar diretamente ao fogo dos céus...
(Ouvindo o magnífico, genial, "a" guitarra: Eric Clapton....)
Quis viver em teu mundo e abandonei-me nas horas... a espera de qualquer indício uma mensagem, qualquer uma... Mas o tempo passou e sob o silêncio dos teus atos... Absorvida por teus vícios submissa aos meus recatos Adormeci triste e ansiosa. E ao despertar caminhei por muitos dias nos teus passos... Esquecendo a aflição da falta dos abraços... Ouvi o soluçar do meu íntimo Nos dias em que quis morrer entre o teu corpo e nem assim de ti senti chegar qualquer pedaço que fizesse de mim recordar... Só dores, dores por querer a ti bem mais que tudo Roubaram-me do olhar o brilho festivo Mas não me amar... nem foi triste foi um imprevisto de uma vida inteira... E finalmente quando viestes para viver no meu mundo... quando de ti recebi todos os sinais eu tive os sonhos, eu vi os finais Só não soube entender e o significado fugiu junto contigo, junto com a vida... Abandonamos as horas como ninguém... A espera de mais nenhuma mensagem de alguém...
(Ouço Evanescence, enquando coloco aqui este poema escrito em novembro de 1978)
Esperar o beijo que nasce no olhar Como na vertente Vê-se já o rio que no mar há de jorrar... Romântica... Incurável Romântica... Sentimental Completamente Arrebatada pelos ares poéticos dos teus olhos dos teus lábios da tua pele que eu sinto... Sinto e sinto... Porque me traz O romance... Este rio de amor Este mar de paixão Que só existe a dois...
Não gosto de tatuagens por mais belas sejam as imagens... Todas elas chegam com a promessa de permanecer eternamente... Tatuagens são marcas Feridas perpétuas De vontades ligeiras E eu, me sinto e sou a monarca do meu corpo de minha alma da eu inteira que a cada légua do destino concretiza um passo um feito um derradeiro sonho.... As tatuagens representam o ferro e fogo da vida em sublimes efeitos... na pele e na alma... e eu prefiro os defeitos e os desfeitos da vida vivida e dissolvida...
Pode ser que eu seja um pássaro que voa ao encontro do nada ou um peixe que desliza em águas geladas... Talvez seja eu, uma folha que dança tombando da árvore já despida ou uma simples melodia que, bela, explode no espaço... Mas e se eu for uma pedra que acerta a cabeça de um passante, à esmo... ou uma voz estrangulada por calmante na garganta... Eu poderia ser a onda do mar que faz a dança do ventre entre o oceano e as areias da praia... ou um raio de sol iluminando como estrela distante que é a fria e necessita da terra... Talvez um vento que arrastasse tudo em seu caminho ou uma criança amedrontada em seu leito que, pálida, nem consegue adormecer... Quem sabe... Quem sabe seria eu madeira de construção para uma casa qualquer ou uma cerca cheia de princípios... ou mesmo asfalto de uma estrada que alonga a vida... Eu poderia ser desejo de vitória ou mesmo o troféu da glória... Tudo, tanto, muitas coisas... Podemos ser o que desejamos ser aqui e agora... E como parte de mim, sou de ti o pedaço que acalma sem nunca principiar para não ter um fim... serei sempre parte de tua alma...
Minha ousadia está em permanecer exatamente igual a mim mesma... Sem brigas com o tempo Sem dois pesos ou qualquer medida... Não mudo... Me reservo Me resguardo sem previsão alguma de mudança... Nuvem alguma no horizonte... Sou eu de ontem e a de hoje e a de amanhã será... sou eu... Sem mudanças radicais ou ímpetos... ambições... irracionais!