Tirou a naftalina dos bolsos e a venda dos olhos e aí vieram soltas as palavras e os risos contaram-se sem contar o tempo e os velhos tempos Escondidos tempos Divertidos tempos E rimos muito Brincamos Nos surpreendemos E vivemos felizes enquanto durou o sonho
MEIOS
Princípio Início O meio De chegar ao Fim
IMAGINAÇÃO
Eu tentei sem realmente tentar Dobrar a esquina pra não te encontrar... Uma manobra tola, sem sentido Apenas para não dar ouvidos Rodar as ruas e me perder... De ti, de nós, desta loucura... Objeto único de meu respirar. Precisava me afastar Largar todas as amarras Assumir todas as garras Sumir e renegar Minha gana de amar Apaixonar... Bastou que tuas palavras voltassem Assim, no vento, me contassem Lentos passos chegando Instintos aguçados ameaçando A paixão não mais só minha Minha fantasia.
POR CAUSA DA SOLIDÃO
Eu não nasci para ser amada eu nasci para me entregar para dar a alguém tudo o que o que sou capaz... Na madrugada que passa eu continuo a buscar alguém que entenda meu jeito, e perceba que meu defeito é só querer dar amor... Mas a angústia se torna gigante No mesmo derradeiro instante Em que começo a chorar Quando o que encontro é ninguém para amar... Ai, saudade vem ficar comigo Que a solidão tem sido um castigo... E a felicidade já partiu Só não me viu, chorar... Vai-te noite... eu quero o dia que o silêncio não é companhia A solidão do mar É bem melhor de vencer Do que a dor de amar só... em meio à multidão... Parte, noite não quero teus sonhos Meus olhos tristonhos Estão prestes a se fechar... E este aperto no coração Vem com sofreguidão Agredir a minha vida... Quero a luz do amanhecer Para pensar em viver Com a liberdade de uma realidade que não se pode perder... Ah, noite... tua escuridão Me maltrata e não da paz Fico andando pelas ruas Cantando canções tão tuas Desequilibradas como eu mas que são o que me restante consolo Tanto amor contido em mim E esta solidão sem fim Que não deseja partir.... Tanta gente calada, tanta gente cheia de graça... e eu aqui... Querendo amar sem pedir nada E continuando o caminho Sem encontrar ninguém na estrada Que perceba minha solidão...
(Arrumando velhos papéis hoje de manhã achei vários poemas guardados, entre eles este aqui que neu fiz quando tinha vinte anos... muita solidão pra 20 anos... mas... deixa aí... )
SACRO SEMENTE
Instantes de impaciência a ciência de antes estar ciente de nunca alçar vôos desnecessários... para depois se libertar e alcançar o momento sacremento divina divisão do tempo inexistente... semente da eternidade dentro de si.
PRECEDENTE
Os tolos preconceitos se envolvem nos preceitos de vida... E, consolo, devolvem a guarida aos que buscavam perdidos, um conceito qualquer para existir.
DE SONHOS, MENINOS!
Sonhos, meninos, sonhos!
Meninos, eu vivo de sonhos!
Espero a noite cair e deleitada
Me deixo cair sobre a cama
e nela me deixo sonhar sem limites...
Não dou avisos
parto para todas as viagens
sem a preocupação
dos bilhetes
e os distúrbios normais
e anormais
dos trânsitos impessoais...
Bem que eu poderia também
passar as manhãs e as tardes
a sonhar longe das limitações
Mas... e é para isto que existem
os mas...
Há que se responder quando
nos chamam e cumprir as
muitas tarefas madrastas
enquadradas no fator
realidade.
E depois aguardar novamente
a noite, ah, noite!...
mesmo se aí já se escaparam
um ou ou outro sonhos...
Sonhar... voltar a sonhar...
(Ouvindo novamente - deliciada, encantada!! - o disco de Candemil e Quilha. Vou ter que falar deles...)