BALANÇO DE LUZ

 Jean Guichard


Tinha uma luz que ia e vinha

ia e vinha da casinha

a luz se balançando no ar

ia e vinha

vinha e ia

mergulhando

e clareando o mar.



Gravura de A. Durer


Aos que pedem

mãos em prece

a um céu

que desconhecem...

Pelo bem de um ou dois

sem saber se depois

o bem será mal.

Melhor deixar o rio

correr como ele queira

passando sob pontes,

juntando-se a outras fontes

e trazendo e levando o

que assim for.




Bilhetes e avisos

nas portas, paredes e

janelas.

Dizem não!

Contramão!

Aguarde!

Perigo!

Alguém esqueceu

de falar do bom

e do sim.




Regina Noakes

ATRÁS DA PORTA

Por que somos assim?
Vulcões de idéias,
a mente em alta velocidade
quase voando...
o corpo tentando acompanhar...
os olhos curiosos
a fala apressada
os sonhos perdidos
na noite acordado...
Por que somos assim
Inesperadas criaturas
tão distantes da paz?


Por que somos assim?
Vulcões quase extintos
a mente amortecida
quase adormecida
e o corpo sereno a acompanhar...
os olhos calados
a fala guardada
os sonhos passando
na noite sem fim.
Por que somos assim
impassíveis criaturas
tão repletas de paz?

A paz,
onde jaz
a vida de outrora.


Por que somos assim?
Abismos sem fim...



BRINCANDO COM CASIMIRO

MEUS OUTROS ANOS

Ai que saudades eu tenho
Dos tempos da boa vida
Da minha boêmia perdida
Nos anos que não voltam mais...




Subliminares são

os meus olhos

ao pensar em ti.

E assim o são os teus

a esperar por mim.

Olhares sem  consciência

com breves consequências

sobre a realidade.