Richard, brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1935, era filho de pai libanês e mãe suíça, de Genebra. Este casamento de culturas é o início de uma riqueza interior que nasce com ele e vai aos poucos “abrasileirando-se”, adquirindo cada vez mais do Brasil que cresce com ele. Mudou-se com seus pais ainda durante a infância, para uma pequena cidade no sul do Brasil, Laguna. Esta bela cidade, pequena e singular na fronteira com o Oceano Atlântico, é o lar de muitos pescadores. É precisamente este ambiente modesto, mas cheio de riqueza de vida que lhe proporcionou sua maior fonte de inspiração. Porque Richard era um homem pleno de amor e para ele as pessoas sempre foram iguais em todos os lugares.
Em Genebra, em 1932, iniciava-se a vida da família Albert-Calil Bulos com o casamento de Yvonne e Abelardo, pais de Richard.
De suas raízes diferentes surgiu uma mistura sensível em sua paleta pinturas e ele resolveu de dar à luz a personagens e cenários típicos, capturados por sua alma boêmia. Aquele homem que só queria ser um homem , não pode evitar ser um artista.
Autodidata, ele criou seu próprio estilo, uma mistura de arte ingênua e primitiva, que apresentava tons melancólicos que penetravam com doçura surpreendente a alma do povo desta região e de todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Sua técnica favorita sempre foi acrílico sobre tela ou papelão.Usava quase que exclusivamente os dedos para compor os fundos de suas pinturas e alguns pincéis para com eles realizar as suas características mais finas, como as redes de pesca e seus famosos personagens.
Participou de numerosas exposições individuais e em grupo. No Brasil, uma exposição permanente de suas pinturas foi realizada por mais de dez anos na Galeria Jean Jacques, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, o Museu de Arte Naif, um dos museus mais importantes da América Latina, tem em sua herança um quadros do Xaxá, como se designou depois. Vários outros que ele doou para ajudar patrimônio brasileiro. Artista com uma alma sempre além dos limites deste mundo, Richard tem uma fez doações de várias dessas obras para galerias e museus ao redor do mundo. Desde que era solicitado, de seus lábios apenas surgia um sorriso e duas palavras humildes: “Pode levar!”.
Richard já expôs em vários outros países, como Argentina, Estados Unidos, Polônia, Japão e Suíça, encontrando sempre um enorme sucesso com os amantes da verdadeira arte. Onde quer que vão, as suas obras levam consigo as emoções do artista. A sensibilidade e talento ganharam os amantes da arte de todos os tipos.
Richard apresentou seus quadros, em Genebra, pela primeira vez em 1986 e novamente em 1991, 2003 e 2005.
Mesmo tendo se despedido em 2007, Xaxá, o homem de coração dourado de sensibilidade, permanece entre nós. Porque sua obra não se apagará, tampouco seus gestos de amor e amizade.
Casou-se com Terezinha Marta Soares no dia 8 de outubro de 1960.
Tetê, como ele a chamava, foi a companheira de toda uma vida.
Foram felizes por quase 50 anos. O casal, inseparável na vida, partiu em 2007 numa inesperada despedida.com 3 meses de intervalo. Nesta foto, em Genebra no início dos anos 90.