CHACHÁ, JORNALISTA NA ALMA

Se o humor estivesse bom, acredite: tudo poderia acontecer no jornal que estava fazendo ou naquele que acabara de fundar ou naquele do qual estivesse participando.

Mas se o humor não estivesse dos melhores, duas coisas apenas: ou ele esquecia completamente os jornais e ia pintar, mergulhado nele mesmo, ou (e isto digam os atingidos) suas flechas naqueles tempos seriam mortais.

Adorava brincar. Criar cenas, brincadeiras com amigos e vizinhos para que "aparecessem" no jornal e tivessem assim um momento de glória (ou de riso!). E adorava saborosas retaliações muito embora vezes tantas nem mesmo era compreendido pelo alvo. Nestes casos, se para ele valesse a pena, descia a escada e lá ia, empunhando a caneta, enfrentar a criatura com palavras ou desenhos mais acessíveis.

Chachá não tinha meio termo. Gostava ou não. E, apaixonado pela pena e esta por ele, foi um jornalista na alma. Formado? Não. Formações outras? Apenas a vida lhe formou. Mas poucos conseguiram (ou conseguem) naquela terra onde ele viveu e morreu, igualar quem ele foi na profissão que escolheu.

Fundou jornais sozinho e com amigos. Foi colaborador de inúmeros outros como redator, caricaturista, chargista.

Escreveu discursos, resenhas, publicidades, livros. Nestes todos com nomes alheios para que a estrela que brilhasse não fosse a dele. Com isto, aliás, nunca se importou. De uma carta a um artigo assinado, qualquer papel escrito por ele para outras pessoas eram na sua grande maioria favores que prestava sem julgar.

Como homem teve seus defeitos, como jornalista também. Como todo profissional, impossível ser perfeito.

Só que Chachá foi e será sempre aquele que todos, no fundo, gostariam de ser. Na elegância da escrita e na coragem para enfrentar o que poucos se erguiam para enfrentar.

Fique pois na memória do jornalista Chachá que, digam o que disserem os que amaram ou detestaram o profissional, ele foi verdadeiro e único. Sem dúvidas.