O ARTISTA E O SEU LUGAR: UM OLHAR SOBRE A ARTE DE CHACHÁ

Monagrafia de Fabiano Espíndola Siqueira (continuação da página anterior)


A CIDADE DE LAGUNA: MARCO DA HISTÓRIA E DA CULTURA CATARINENSE

Dando prosseguimento a este estudo, introduzimos nestas reflexões alguns aspectos da história e do contexto do município de Laguna.

Destacando-se por ser uma das mais antigas cidades catarinenses, Laguna foi fundada em 1676 pelo bandeirante vicentista Domingos de Brito Peixoto, com o nome de Vila de Santo Antônio. Comemora-se o aniversário da cidade em 29 de julho, juntamente com as festividades da Semana Cultural de Laguna.   

Segundo o historiador Vilson Francisco de Farias:


A origem do nome “Laguna” (...), provém da Lagoa de Barragem que se abre em frente à cidade. Com efeito, muito antes da chegada a estas paragens, dos povoadores vicentistas, já a lagoa, era conhecida pela denominação “Laguna dos Patos”, conferida possivelmente pelos espanhóis que povoaram a costa catarinense. Domingos de Brito Peixoto, depois de sustentar luta com naturais, lança os alicerces da nova colônia e levanta a pequena capela em cujo altar coloca a imagem de Santo Antônio dos Anjos, que será padroeiro da povoação fundada. Daí surgiu a denominaçãoSanto Antônio dos Anjos da Laguna” dada a povoação pelo seu fundador, mais tarde sendo uma península situada entre duas lagoas, seu nome foi simplificado para Laguna que lembrava a palavra lagoa. O objetivo de esclarecer um ponto de apoio à conquista dos campos do Rio Grande então possessão espanhola (2000; p. 270).


Vista aérea da cidade


Em 1749, chegaram à cidade as primeiras famílias açorianas, trazendo toda tradição cultural das ilhas dos Açores e da Madeira. A terra foi sendo dividida em pequenas propriedades, cuja base de trabalho era a família, onde a inclusão do trabalho escravo nas áreas rurais foi praticamente inexistente.

A pesca foi bastante desenvolvida com o comércio do peixe seco e a navegação, pois muitas freguesias (1) tinham comunicação com Laguna via rios e lagos. A renda de bilro e outros tipos de artesanato foram trazidos pelas mulheres.   

[1] Tratam-se das freguesias de Vila Nova e Santana do Mirim (ambas no município de Imbituba), Senhor    Bom Jesus da Pescaria Brava (hoje lutando por sua emancipação) e São João Batista do Imaruí (atual   município de Imaruí).         



FIGURA 5: Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna, em arquitetura lusitana do século XVII. Dentro, aos pés da imagem de Santo Antônio, está sepultado o fundador da cidade.



FIGURA 6: Cais das Docas na Lagoa Santo Antônio dos Anjos, no Centro Histórico da cidade.


Laguna possui uma área de 445 km2, incluindo as lagoas e 353 km2 considerando a faixa de terra contínua. E, segundo a contagem populacional do ano de 2000, a cidade conta com 47.266 habitantes, distribuída entre o Centro Histórico, os bairros do Portinho, Progresso, Vila Vitória (antigo Lagamar), Magalhães (carinhosamente apelidado de “bairro chique”) e o Balneário Mar Grosso. Além de outras comunidades do entorno das lagoas Santo Antônio dos Anjos, Imaruí, Santa Marta e do Ribeirão Grande. Sendo que 36.394 pessoas residem na zona urbana e 10.872 na zona rural. Sendo assim, calcula-se uma densidade demográfica de aproximadamente 99 hab. / km2.

Boa parte dos recursos que mantêm a economia de Laguna concentra-se na pesca, na agricultura artesanal e no turismo (nas épocas entre novembro e março).



FIGURA 7: Pesca artesanal, uma das influências da cultura açoriana.


A pesca desenvolve papel fundamental na economia do município, tendo como principais produtos a anchova e a corvina (nos meses de setembro, outubro e novembro), a tainha (entre março, abril e maio) e o camarão (durante todo ano).

Os pescadores artesanais são auxiliados pelos botos (golfinhos), que exercem um papel fundamental neste tipo de atividade. Quando o cardume está próximo a margem da lagoa, o boto dá um sinal para que o pescador lance sua tarrafa2[1].   

Segundo Júlio Vicente e Arthur Cook3[2] apud Cadorin (2002):

 


A pesca desenvolve papel fundamental na economia do município, tendo como principais produtos a anchova e a corvina (nos meses de setembro, outubro e novembro), a tainha (entre março, abril e maio) e o camarão (durante todo ano).

Os pescadores artesanais são auxiliados pelos botos (golfinhos), que exercem um papel fundamental neste tipo de atividade. Quando o cardume está próximo a margem da lagoa, o boto dá um sinal para que o pescador lance sua tarrafa (2).

Segundo Júlio Vicente e Arthur Cook (3) apud Cadorin (2002)

É uma pescaria cooperativa, onde, naturalmente, o homem e o animal somam esforços na captura dos peixes, tornando-se um fenômeno natural, no qual os pescadores se aproveitam dos botos e eles dos pescadores (Citação extraída do jornal O PHAROL de 17/12/98, p.10). 

([2] Pequena rede de pesca, circular, com chumbo nas bordas e uma corda ao centro, pela qual o pescador a retira fechada da água, depois de havê-la arremessada.

 [2] Júlio Vicente e Arthur Cook são artistas plásticos e preservacionistas lagunenses.



FIGURA 8: Pescadores artesanais nos Molhes da Barra.



FIGURA 9: Praia do balneário Mar Grosso, na temporada de verão. Muito apreciada pelos turistas.



FIGURA 10: Farol de Santa Marta. Construído no Cabo de Santa Marta com pedra, areia, barro e óleo de baleia pelos franceses Barbier Bérnard e Turenne. Inaugurado em 11 de junho de 1891, tem altura equivalente a um edifício de nove andares. Hoje, seu reflexo tem alcance de aproximadamente 700 quilômetros, o que faz dele o maior do mundo. Projetada por uma lâmpada de 1000 watts no interior de um aparelho lenticular, formado por um globo giratório. 


O turismo de Laguna apresenta características diversas, atendendo tanto aos aspectos ambientais, com destaque as suas catorze praias. Além dos aspectos histórico-culturais, considerando-se as festas religiosas (Nossa Senhora dos Navegantes, em fevereiro; e Santo Antônio dos Anjos da Laguna, nos treze primeiros dias de junho) e o carnaval, que é considerado um dos melhores do sul do país, atraindo milhares de visitantes entre brasileiros e até mesmo turistas vindos de países do Mercosul, especialmente argentinos.

Enfim, Laguna é um verdadeiro paraíso. Muitos visitantes “adotam” a cidade como local de descanso ou até mesmo acabam ficando. O município é uma mescla do passado e do presente em perfeita harmonia. 


Estas são algumas atrações turísticas que a cidade proporciona à população e aos visitantes: 



FIGURA 11: Desfile de uma das escolas de samba, no Centro Histórico de Laguna. 




FIGURA 12: Casa de Anita. Foi aqui que Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais tarde Anita Garibaldi, preparou-se para o seu primeiro casamento com o sapateiro Manoel Duarte de Aguiar.




Figura 13: Fachada do atual Museu Anita Garibaldi. Aqui, em julho de 1839, Giuseppe Garibaldi, David Canabarro, Teixeira Nunes e os demais vereadores proclamaram a República Catharinese, ou República Juliana. Laguna, na ocasião, tornou-se capital da jovem república que teve curta duração.

Atualmente, suas ruas estreitas, seu casario, bem como sua história, estão tombados pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Diante do quadro aqui apresentado sobre o município de Laguna, tornam-se significativos ainda serem acrescidas as palavras de Cesconetto:

 “Não se preserva o passado, na verdade o que se preserva são as coisas que merecem fazer parte do futuro” (Gizely Cesconetto – IPHAN/Laguna).