O ARTISTA E O SEU LUGAR: UM OLHAR SOBRE A ARTE DE CHACHÁ
Monagrafia de Fabiano Espíndola Siqueira (continuação da página anterior)
RICHARD CALIL BULOS, O “CHACHÁ”: UM ARTISTA LAGUNENSE
Conforme anunciamos no primeiro capítulo, a arte, mais do que um reflexo, é a representação dos sentimentos, da história, da interação, da vida humana, e é justamente que na tentativa de melhor comprovar estas reflexões que, ao focalizarmos o município de Laguna, destacamos o artista Richard Calil Bulos, carinhosamente conhecido como Chachá.
O Artista
Richard Calil Bulos nasceu em 06 de outubro 1935, na cidade do Rio de Janeiro. Filho de Abelardo Calil Bulos, ele mesmo filho de sírio-libaneses e Yvonne Rennée Albert, nascida na Suíça e de origem suíça-francesa. Ambos se conheceram quando o pai de Chachá cursava a Faculdade Estadual de Medicina de Genebra. Dessa união nasceram cinco filhos.
Em sua especialização no Hospital Gafréguinle, situado no bairro da Tijuca, na capital fluminense, o pai de Chachá, durante um dessecamento de cadáver, o pulmão do defunto se degenera e o ar contaminado fez com que o Dr. Abelardo contraísse uma tuberculose. Após curar-se, a família de Chachá chega à Laguna no ano 1939 a bordo do navio Aspirante Nascimento. Chachá, então, com quatro anos de idade.
Naquela época seu avô, Paulo Calil Bulos, foi um dos mais prósperos comerciantes da cidade de Laguna, onde os estabelecimentos comerciais ficavam às margens da Lagoa Santo Antônio dos Anjos.
O pai de Chachá começava a trabalhar na Rádio Difusora e no semanário O Sul do Estado. Montou uma farmácia, e depois passa a diretor do Horto Florestal (atual IBAMA) . O Dr. Abelardo, como era conhecido por todos, trabalhou na Prefeitura como Assessor do Prefeito Mário José Remor sendo até hoje lembrado como um dos melhores assessores que ele já teve.
Ao completar 18 anos, em 1954, Chachá alista-se na Polícia do Exército como armeiro. Foi expulso da corporação por fazer a caricatura de um comandante trajando somente uma cueca. Como castigo, foi removido ao batalhão Dragões da Independência, indo trabalhar nas cavalariças. Neste mesmo ano, montou guarda no Palácio do Catete, antiga sede do Governo Federal, durante o velório do ex-presidente Getúlio Vargas.
Retornando à Laguna, Chachá começa a trabalhar como balconista na Farmácia São Paulo (de propriedade de seu pai) e conhece a Sra. Terezinha Marta Soares, oito anos e meio mais nova, natural de Laguna. Casam-se em outubro de 1960, já à espera de sua primeira filha, Jacqueline, nascida a 11 de março de 1961, hoje residindo em Genebra e tendo seguido a carreira literária.. O segundo filho, Karim Calil Bulos, nasce em 11 de fevereiro de 1963 e trabalhou até seu falecimento no Consulado Geral do Brasil em Genebra, Devido a uma insuficiência respiratória, Karim falece aos 30 anos de idade num hospital de Florianópolis.
FIGURA 14: (da esquerda para direita) Os filhos Karim e Jacqueline; a esposa, Terezinha, e o artista.
FIGURA 15: O rapaz à esquerda é Karim, filho de Chachá.
Chachá trabalhou também como caixeiro-viajante na multinacional Park Davis e Ciba, percorrendo os estados de Santa Catarina e Paraná entre os anos de 62 e 70. E logo após, cansado de suas viagens, inicia na vida artística como redator e editor-chefe em diversos jornais de Laguna, artista plástico, caricaturista e chargista. Além de ter sido locutor nas Rádios Difusora e Garibaldi (não trabalhando simultaneamente) apresentando noticiário no horário nobre (meio-dia).
Chachá não só fundou, como também colaborou com vários jornais de grande circulação na região da AMUREL.
A vida jornalística lhe rendeu por várias vezes o cargo de assessor de imprensa da Prefeitura Municipal de Laguna, nas gestões dos prefeitos Mário José Remor, Nelson Abraham Netto, Jorge Tadeu Zanini, Nazil Bento Júnior e João Gualberto Pereira. Sendo que na administração do ex-prefeito João Gualberto Pereira (1997-2000), o “Joãozinho”, chegou a completar todo o mandato.
Durante os anos de 1991 e 1992, Chachá divide sua vida entre o Brasil e a Suíça, montando várias exposições de suas telas em alguns países da Europa. Chegou a ter um ateliê na Rue de Voisins (Rua dos Vizinhos), em Genebra, no apartamento de sua Mãe. Chachá, apesar de filho de uma suíça, nunca desejou obter a nacionalidade. Assim, só quem a obteve foi sua filha e respectiva família.
FIGURA 16: Chachá (à direita) juntamente com sua esposa, Terezinha, na sua estada em Genebra, provando que lugar de homem também é na cozinha. O artista ainda brinca: “Nos meus tempos de Genebra, eu também sabia lavar a louça”. Foto publicada na Edição Nº 111 do jornal O Pharol de 2000, no qual Chachá escrevia para a coluna Nas Coxas do Cotidiano.