... AO OCEANO
De alegria em meio ao salão
Passos de sapatos
Dão saltos!

Brotam verdes folhas limão
Recém nascidas
Filhas da primavera.

Desabitado, o espaço se arruína.
São as ruínas da saudade
Preenchendo a lacuna.

Antes de amanhecer
Brilhava já o sol
Em teu rosto adormecido.

Na rua das paredes
Andam com sede
Urubus insaciáveis.

Envoltas num sorriso cínico
Saíam da boca as palavras
Chamaram-na louca!
Mas não viram o mímico!

Flor surgindo do asfalto.
Branca é como a neve
Que a agasalha e disfarça.

Louva a árvore o louva-a-deus.
Bendita seja a descrença
Levando além do estabelecido.

Mais nada para dizer
Quando antes nada foi dito
Um grito!
E a lágrima.
Uma nova partida,
Sequência sem volta

A cigarra foi trabalhar.
E o silêncio da mata
assombrou a formiga.
|