... AO OCEANO

FRAGILIDADE



Palavras de honra

Promessas vãs

E juras secretas.

Objetos se quebram

Sem nem perceber.






Gotas barulhavam

pela torneira entreaberta.

Contínuas e enfadonhas.





Uvas anoitecem na parreira.

Ao despertar amanhã,

serão vinho.



Foto de Guilherme Peace


A lâmpada acesa

clareia a rua vazia.

Um poste a postos.





Grilos urbanos.

Buzinas acordam a rua

atravessando sinais.





O pó sobre os móveis

acumula lembranças

Inúteis e inconvenientes.





Paisagem na parede.

Memória do artista

ou morta natureza?





Mãos indo e vindo

levando e trazendo os fios.

Rendas de bilro.





Pétalas sangrando

a rosa se abre tímida

dentro do vaso.





Há mais mistérios

entre o corpo e a alma

Do que crê a tua mente.