(Mantive os poemas como ele deixou. Assim, alguns não têm título, outros estão incompletos. Há poemas de várias datas, dos anos 70 até seus últimos anos, mas aqui serão colocados sem data)
Karim em Florianópolis em 1980.
Queria ser luminar tão inteligente que a simplicidade já não saberia entender
Ou queria ser leigo tão alienado que a complexidade jamais iria me entender
O difícil é ser medíocre e o sou.
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Desperdícios Enquanto a terra esquenta ou esfria Formigam os homens Formigam as mulheres e a Terra os aquece e os resfria. entre elas e eles, e aquelas e aqueles passamos, um por um de nós Ainda que durmamos num poema esquecido porque poesia escrita cai por terra e a terra sorve passamos nós como nuvens no ar, quem quis ser cinza como um céu azul será pardo como a folha devolvida ao chão. A esperança é a música. vai salvar a poesia, vai condensar os sonhos, vai nos livrar dos demônios que somos Só a música envolve, protege, libera e se jurou ser a alma do ser.
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Primeira última vez Vem ao meu colo Pela última vez. E te sinto com todo o corpo Como água na concha das mãos.
Toma meus olhos Pela primeira vez. E vê que deles não uso, Mesmo assim te enxergo vibrar.
Somos dois desconhecidos. Somos o erro do azar E a astúcia da sorte Brindo ao nosso gosto.
Quantas vezes serão as últimas Quantas me tocarão tão raso Deixando ao fundo Uma marca na pele do pensamento.
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Eu vou amar assim Como se o fizera sempre E dominasse os medos E soubesse gerar ternura E moldasse um ser (segundo meu desejo)
Vou amar como só eu amasse Como se me amarem não fosse tão forte E não precisasse me calar de graça.
Vou amar desonestamente, Sincero e verdadeiro. Doar o físico e namorar o espírito, Por amar sem saber se sei.
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Sou eu. Dorme. Tem calor otu sono Ébria a razão, mornas são tuas partes. Posso sonhar no teu corpo.
Palmo a palmo poderia te amar Com ou sem jeito, te abraçar com os lábios E conversar com tuas pernas e entender tuas mãos.
As pálpebras fundas trancam o sono E me pertences porque morreste pra ti. Só quero adoecer em tua pele E, febril, sentir que a morte também não me esqueceu.
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VÍSCIDO
Tenho que tirar de mim Vez mais, uma a mais O que não vi chegar Apenas senti novamente existir Ah, esqueci Mas o visco não quer se prolongar e, incômodo, flui.
Recorro, sabes às imagens esmaecidas Lembranças de quase verdades e mesma De plenas mentiras
Rede e filme, as sensações, eram velhas Os velhos gestos O velho alívio