RITA DE OLIVEIRA MEDEIROS


Rita, leonina de 19 de agosto: coração de rainha


CONFESSO QUE VIVI


Sim eu vivi!
Eu confesso que vivi!
Como foi que suportei tudo eu não sei!
E, hoje em dia, eu só queria um benefício: o esquecimento.
Tanta dor, tanta mágoa, tanta tristeza, tantas lembranças,
São um fardo muito difícil de carregar sozinha...
Sim! Sozinha!
Porque nem com o meu fiel escudeiro,
O travesseiro,
Posso dividi-las!
Das lembranças
Ele não pode me aliviar
Para as dores
Ele não pode me dar o remédio
Para as mágoas
Não pode me dar mais explicações
Do que as que já obtive da própria vida
Das tristezas nem o sono me livra,
Elas me perseguem em sonhos....
São tantas as saudades,
Tantos... Ah! Se eu tivesse dito,
Ah! Se eu tivesse ido...
Eu confesso que não sei como vivi!
Muito menos como tenho vivido depois de tudo
Depois que as ilusões se foram,
Depois que os objetivos se desvaneceram como fumaça
Diante dos meus olhos estupefatos
Diante de uma realidade tão crua
Que se apresentou instantaneamente!
Por isto gostaria de esquecer!
De me livrar de tudo isto como se fosse um casaco velho e puído,
Que foi usado até rasgar!
Poderia até não ter outro...
Tanto faz...
Seguiria nua,
Sem estas referências equivocadas
Pelo resto da vida que me sobra
Num passeio de bicicleta
Na direção de um simples entardecer,
Num velho e abandonado cais. 



ROSA 


Rosa quem mandou me cativar?
Toda prosa
Tinhas tanto prá falar!
Pois é,
Agora aguente,
Um cativado
É duro de aguentar!
Se bem que "eternamente"
É um estado equidistante,
E longe, dizem,
É um lugar que não existe!
A responsabilidade
É algo também questionável,
E aquele doido
Que por aqui
Foi conhecido "zé perri"
Andava voando por aí,
E  nem cuidava das rosas que plantou!
As misses
Acabaram com o que ele disse
E eu
Já nem te reconheço mais
Com tanta esquisitice!
Eu estou do outro lado do mundo,
Sentindo um encanto desencantado
E tu,
Neste lugar que não existe
Mesmo assim
Esta noite
Ouvistes o meu doloroso chamado!
Obrigado !



Uma pessoa especial


EU FUI BUSCAR CONSOLO EM TI


E te encontrei inconsolável!

O que há hoje em nosso viver amiga?

Parecia que tudo seria tão fácil,

Tão simples.

Hoje, eu me debato entre os fantasmas

E tu

Nas tuas dores...

Não que fantasmas não as provoquem também

Dores psíquicas, intermináveis, imaginativas....

Mas nada posso fazer por ti.

Antes era tão simples...

Eu podia,

Sabia tudo o que tinha que te dizer ou fazer!

Já sei!

Não te visito mais!

Pronto!

Não dá!

Saudade grande....

Das tuas broncas,

Dos teus muxoxos,

Da tua gargalhada única

Agora chega

Vou tomar café!

Sua chata!



SOBRE OS SONHOS E FANTASMAS


Como posso te contradizer ou criticar

pedaço vivo do meu ser

quando me falas sobre os fantasmas

que te povoam os sonhos?

Nos meus eles também são visitantes habituais

mandando-me recados

ora claros como um límpido regato,

ora obscuros como um pântano lamacento.

Eles nada mais são

do que um recado

das profundezas do nosso ser

retratando as carências infinitas e insaciáveis,

que não temos coragem ou tempo para expressar.

Sonhos.... ah! Os sonhos!

Se tivessem um manual de instrução.

Como não tem,é melhor que os ignoremos.... para o nosso próprio bem.


Textos de Rita de Oliveira Medeiros (veja mais sobre Rita na seção do Varal do Brasil)