Sim eu vivi! Eu confesso que vivi! Como foi que suportei tudo eu não sei! E, hoje em dia, eu só queria um benefício: o esquecimento. Tanta dor, tanta mágoa, tanta tristeza, tantas lembranças, São um fardo muito difícil de carregar sozinha... Sim! Sozinha! Porque nem com o meu fiel escudeiro, O travesseiro, Posso dividi-las! Das lembranças Ele não pode me aliviar Para as dores Ele não pode me dar o remédio Para as mágoas Não pode me dar mais explicações Do que as que já obtive da própria vida Das tristezas nem o sono me livra, Elas me perseguem em sonhos.... São tantas as saudades, Tantos... Ah! Se eu tivesse dito, Ah! Se eu tivesse ido... Eu confesso que não sei como vivi! Muito menos como tenho vivido depois de tudo Depois que as ilusões se foram, Depois que os objetivos se desvaneceram como fumaça Diante dos meus olhos estupefatos Diante de uma realidade tão crua Que se apresentou instantaneamente! Por isto gostaria de esquecer! De me livrar de tudo isto como se fosse um casaco velho e puído, Que foi usado até rasgar! Poderia até não ter outro... Tanto faz... Seguiria nua, Sem estas referências equivocadas Pelo resto da vida que me sobra Num passeio de bicicleta Na direção de um simples entardecer, Num velho e abandonado cais.
ROSA
Rosa quem mandou me cativar? Toda prosa Tinhas tanto prá falar! Pois é, Agora aguente, Um cativado É duro de aguentar! Se bem que "eternamente" É um estado equidistante, E longe, dizem, É um lugar que não existe! A responsabilidade É algo também questionável, E aquele doido Que por aqui Foi conhecido "zé perri" Andava voando por aí, E nem cuidava das rosas que plantou! As misses Acabaram com o que ele disse E eu Já nem te reconheço mais Com tanta esquisitice! Eu estou do outro lado do mundo, Sentindo um encanto desencantado E tu, Neste lugar que não existe Mesmo assim Esta noite Ouvistes o meu doloroso chamado! Obrigado !
Uma pessoa especial
EU FUI BUSCAR CONSOLO EM TI
E te encontrei inconsolável!
O que há hoje em nosso viver amiga?
Parecia que tudo seria tão fácil,
Tão simples.
Hoje, eu me debato entre os fantasmas
E tu
Nas tuas dores...
Não que fantasmas não as provoquem também
Dores psíquicas, intermináveis, imaginativas....
Mas nada posso fazer por ti.
Antes era tão simples...
Eu podia,
Sabia tudo o que tinha que te dizer ou fazer!
Já sei!
Não te visito mais!
Pronto!
Não dá!
Saudade grande....
Das tuas broncas,
Dos teus muxoxos,
Da tua gargalhada única
Agora chega
Vou tomar café!
Sua chata!
SOBRE OS SONHOS E FANTASMAS
Como posso te contradizer ou criticar
pedaço vivo do meu ser
quando me falas sobre os fantasmas
que te povoam os sonhos?
Nos meus eles também são visitantes habituais
mandando-me recados
ora claros como um límpido regato,
ora obscuros como um pântano lamacento.
Eles nada mais são
do que um recado
das profundezas do nosso ser
retratando as carências infinitas e insaciáveis,
que não temos coragem ou tempo para expressar.
Sonhos.... ah! Os sonhos!
Se tivessem um manual de instrução.
Como não tem,é melhor que os ignoremos.... para o nosso próprio bem.
Textos de Rita de Oliveira Medeiros (veja mais sobre Rita na seção do Varal do Brasil)