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ART. 3o.

POVOAMENTO INICIAL DA REGIÃO DE LAGUNA. 91sc414.

CAP. 2 - HISTÓRIA DO POVOAMENTO BANDEIRANTE DE SC ... -


415. Introdução. Início geográfico da Patagônia, o cabo de Santa Marta em Laguna marcou seu destino. A abertura dos seus lagos para o mar, ao mesmo tempo que coordenando os rios Tubarão e Imaruí, este fato determinou o lugar preciso do povoamento inicial. Esta formação geográfica já vinha determinando sua pré-história, de que vários episódios interessantes são conhecidos (vd 77) (vd 83) (vd 94ss) (vd 91).

Não obstante a liderança regional futura das cidades de Tubarão e Criciúma, mantém-se a importância histórica de Laguna, como também sua prosperidade. Inicialmente bandeirante, recebeu depois também açorianos, alemães, italianos e outras etnias, estruturando-a demograficamente como cidade especificamente catarinense.


§ 1o. Povoamento bandeirante de Laguna. 91sc0416.

417. Os campos semi naturais em torno de Laguna ao longo da orla marítima despertaram cedo a atenção dos moradores que vinham descendo paulatinamente ao longo em direção Sul.

O requerimento de Francisco Dias Velho, que em 1678 pede títulos legais para uma sesmaria a começar do rio Araçatuba, que fica na região ao norte da Lagoa de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, é algo de muito significativo para entender e apreciar o processo de ocupação que ali se estava dando.

 Aliás, ainda como jovem, Dias Velho (filho) percorrera todo o sul com Dias Velho (pai), falecido na década de 1640 (vd).

Não fora, pois, a atuação de Domingos Brito Peixoto em Laguna desde 1676 um procedimento isolado. Não teria o abastado cidadão vicentino se abalado a tão remota região, sem que sobre a mesma houvesse já alguma experiência e informação.
 

O relacionamento com a região de Laguna por parte Francisco Dias Velho explica também porque de futuro se transportará para ali seu filho José Pires Monteiro.

Este relacionamento com a região de Laguna e sua ida para lá revela inclusive a posição de José Pires Monteiro como co-fundador de duas cidades (vd).



Os bandeirantes



Também se conhece que o infatigável Francisco Dias Velho tramitou; juntamente com Domingos Brito Peixoto para o Rio Grande do Sul em busca de prata (vd).

Sabe-se ainda que o primeiro gado veio de Curitiba para a Ilha de Santa Catarina, de onde seguiu para Araçatuba. E se, em 1688, Domingos de Brito Peixoto declara ter currais em Laguna, já será desta procedência (vd).

Igualmente se sabe ainda pelo inventário de Dias Velho, falecido em 1687, que tinha a receber uma dívida de Domingos Brito Peixoto, o que permite até induzir que tivesse negócios em Laguna. Dali decorre mais uma vez uma contribuição de Francisco Dias Velho e família para a fundação de Laguna cerca de 100 quilômetros ao Sul da Ilha de Santa Catarina.

Tem-se de admitir inversamente a importância de Laguna para o desenvolvimento do povoado da Ilha de Santa Catarina, depois que esta sofrera o atentado dos piratas, trucidando o seu fundador em 1687. Os lagunenses tiveram na Ilha de Santa Catarina o entreposto obrigatório em seus contatos comerciais com São Francisco, Paranaguá, São Vicente, Santos, Rio de Janeiro. As constantes visitas destes lagunenses, além dos navios internacionais representava um apoio de considerável; impulso, quando tudo o mais passara a ser adverso.

Fora possível que já em São Paulo se conhecessem entre si Francisco Dias Velho e Domingos Brito Peixoto. A favor deste se expedira em 19 de outubro de 1671 uma carta patente de posto de capitão de uma das duas companhias de Infantaria de Ordenança da Vila de São Paulo. Esta nomeação confere com o período mais atuante de Dias Velho em São Paulo; vindo em 1675 para a Ilha de Santa Catarina, está de novo em São Paulo e Santos em 1678 e 1679. Pertencem ao mesmo partido.

Quando da estadia de 1675 na Ilha de Santa Catarina, e nela permanecendo o ano seguinte, - o que é poderia ter acontecido?  Pois fora neste ano seguinte de 1676, que Domingos Brito Peixoto transitava com sua bandeira para Laguna. Eis quando poderia ter ocorrido um encontro de ambos no continente fronteiriço à Ilha de Santa Catarina.

418.  Decorreu a fundação de Laguna de uma sucessão de várias ações. É a ação de 1676 usualmente interpretada como preparatória, na qual Domingos Brito Peixoto vem duas vezes à Laguna, para depois retornar, sabendo-se que em 1682 está em Santos. Diferentemente a ação  de 1684 é avaliada como efetivamente fundadora de Laguna. As demais ações exercidas  posteriormente pelo seu filho Sebastião Brito Peixoto são considerada confirmadoras da fundação de Laguna, ao mesmo tempo que participantes do processo de conquista do Rio Grande do Sul.

Por sua vez cada ação maior se pode dividir novamente em operações menores. Algumas são mais conhecidas, outras dependentes de especulação.

Há entre as ações uma progressão linear, ainda que não inteiramente rija, em consequência de alguns insucessos intercalados.

419. Duas ações preparatórias da fundação de Laguna. A primeira  ação preparatória de fundação de Laguna se constitui da iniciativa de Domingos Brito Peixoto, que sai a escolher o lugar, e que determina em data não conhecida.

A esta ação preparatória ainda pertence um início de benfeitorias, em 1676; este ano é citado anos depois pelo filho Francisco Brito Peixoto e por Basílio de Magalhães.  Houve portanto duas ações preparatórias bem distintas.

Suponha-se que de todo este esforço preparatório tenham resultado algumas benfeitorias e tenham mesmo ficado alguns homens de serviço. Tudo certamente teria ficado também sob a ação predatória de índios circulando na região.

 Com referência à primeira vinda, para o prévio estudo que Domingos Brito Peixoto veio fazer do local da fundação, de que não se tem citação de data, deve-se por isso mesmo tomá-la como imediatamente anterior, - até que ocorra notícia em contrário, - e portanto no mesmo ano de 1676.

Com referência à vinda executiva de 1676 (2-a vinda), à qual então se deu principal importância, não pode ser eliminado como como data da fundação somente pelo fato de se supor não tido inteiro sucesso, em vista das perdas ou prejuízos, que obrigaram a novas iniciativas. Não tendo havido desistência do propósito, ele forma um todo só, em toda a sucessividade dos seus atos.

420. A segunda vinda (1676), da mencionada ação preparatória, foi logo de início tumultuada pelos ventos, que levaram os barcos em direção inversa, para o Espírito Santo, onde houve mesmo naufrágios. Preparou-se então novamente o pessoal, -  10 brancos e 50 escravos, - que vinham por terra, enquanto um barco de mantimentos e instrumentos seguia por mar.

Ao dizer a informação, de que a viagem durou 4 meses, pode estar incluído no cálculo, o desvio inicial para Espírito Santo.
 

Na referida segunda vinda em 1676, o trânsito pela Ilha de Santa Catarina terá ocorrido compulsoriamente, e não sem despertar a atenção, em vista do grande número de pessoas. A presença de Francisco Dias Velho na Ilha deverá ter dado ainda oportunidade de encontro com o fundador de Laguna, Domingos Brito Peixoto, - na primeira ou na segunda viagem, ou em ambas.
 

Documentalmente, a informação sobre a ação preparatória da fundação de Laguna ficou acidentalmente fixada, porque a ela se referiu, ainda que difusamente, Francisco Brito Peixoto, em carta de suplica de 6 de fevereiro de 1714, ao rei de Portugal, D. João V, ao qual então, três décadas após, pedia favores, tomando em seu apoio dos passados méritos de seu pai Domingos Brito Peixoto:

"No ano 1676 saíram da vila de Santos, donde eram moradores, levando consigo 50 escravos seus, que serviam e benfeitoravam as suas fazendas, e todo o mantimento necessário à dita gente, e mais os 10 homens brancos de sua companhia.


Bandeirantes



E também outras tantas armas, provimento bastante de pólvora e chumbo, além de ferramentas condizentes ao rompimento dos matos e feitorias de embarcações, o que os obrigava a muito grande despesa. Zarpara para o Sul numa fragata, que para este feito mandara fazer Domingos de Brito na mesma Vila, carregando-a de mantimentos e mais ferramentas necessárias.
 

Dando-lhes ordem fossem dar fundo de fronte da paragem chamada Lagoa dos Patos, e que ali estivessem até... seu pai chegassem para lhes apontarem a paragem que iam desembarcar, que o dito seu pai já tinha sabido por ter antes ido examinar o dito sítio, e depois que gastaram quatro meses no caminho com romper os matos e buscar as passagens foi... dar no sítio da Lagoa dos Patos... e nesta viagem lhe morreram 25 escravos" (em Documentos interessantes, 49, 128).

Finalmente, como teria sido a chegada em 1676, em Laguna? Refere-se que teve a oposição do cacique Taiaranha.


421 Considera-se o ano de 1684 como o da instalação do povoado, portanto de sua fundação. Confluem aqui as opiniões dos historiadores, por exemplo Azevedo Marques, o qual não se refere às ações anteriores. Mas é profuso para o que segue, sempre se referindo ao fundador Domingos Brito Peixoto:

"Possuidor de considerável fortuna, de ânimo forte como todos os seus conterrâneos, aceitou logo convite que lhe fora feito por carta régia de 1682, para explorar os sertões do Sul da Capitania" (A. Marques I, 124).
 

Tem prosseguimento a narrativa de Azevedo Marques pela qual Domingos Brito Peixoto em uma primeira tentativa marítima teria fracassado. Numa segunda, partiu por terra e parte por mar, teria chegado em 1684 em Laguna, ano que Azevedo Marques considera de fundação.

Para se fixar a fundação em 1684, ao mesmo tempo que admitindo os primeiros trabalhos preparatórios de 1676, importa em substabelecer que naquele no ano de 1684 deve ter acontecido algo mais, como a vinda de mais povoadores. 


422. O informe de fundação de Laguna em 1684 parece apoiar-se num documento de 1709, que todavia não exclui expressamente atividades anteriores àquele ano.

A Câmara da Vila de São Vicente passara um atestado em que se lêem estes tópicos:

"Nós... Certificamos que o Capitão Domingos de Brito Peixoto... e seus filhos ... se foram com suas famílias e escravos e negros do gentio da terra a descobrirem umas alagoas que chamam dos Patos, por uma breve notícia que delas tiveram, e com efeito as acharam... Outrossim, pelo ardor e dificultoso da navegação por esta costa do mar, perdeu três embarcações chamadas sumacas, desde o ano de 1684... " ( assinado em 26-9-1709).


423. Confirma-se o sucesso da fundação de Laguna em documento de 1688, portanto de 4 anos após.

Uma informação do Ouvidor Geral do Rio de Janeiro, datada de 26 de maio de 1688, diz que em Santos "ouvira do próprio Domingos de Brito que ia povoar a Laguna, para fazer alguns descobrimentos de prata. Já ali havia porto, alguns currais, e casais que levara para a dita povoação" (vd).

Parece claro que o empreendimento de Domingos Brito Peixoto é estruturado administrativamente, e que portanto não depende de sua constante presença direta, mas de apenas de sua ação senhorial.

Efetivamente a certa altura do desenvolvimento da empreitada de Laguna, retornou Domingos Brito Peixoto a Santos com toda a sua família.
 

Com referência à busca de prata ou de ouro, ela efetivamente acontecerá com a presença direta do mesmo Domingos Brito Peixoto, acompanhado mesmo de Francisco Dias Velho (vd).

O antigo manuscrito do Museu Britânico, - já citado (vd), - refere ainda o seguinte: "M. Sra. Da Conceição da Laguna, qual foi povoada por Francisco de Brito e seu irmão Sebastião de Brito, naturais da vila de Santos, fugitivos das Justiças por Régulos, e matadores a quem seguiram logo outros carregados de culpas".

Estas informações, além de revelarem aspectos humanos peculiares às frentes pioneiras, devem proceder, independente do mérito, de fontes do partido contrário ao dos Peixoto. O mesmo teria acontecido com a informação negativa referente a Dias Velho (vd 282).

Confirma também o sucesso imediata de Laguna, a notícia de que em 1696, se construía sua primeira capela (vd). Já no novo século um jesuíta de Paranaguá visitou Laguna referindo-se à capela e à família dos Peixoto então ainda em Laguna (vd 319).

Não obstante os primeiros anos de Laguna passaram como tranquilo povoado sem maiores acontecimentos. Ocupava-se praticamente apenas na economia predatória. O povoado da Ilha de Santa Catarina e Laguna eram apenas "duas pescarias", - na linguagem do capitão Mor da Ilha de Santa Catarina.

Deste tempo ocorrem algumas notícias sobre os vigários das freguesias, que então se instalavam (vd).


424. O sucessor, capitão  Francisco de Brito Peixoto. Estivera Domingos Brito Peixoto casado com Ana Guerra, da qual tivera três filhos, - Francisco de Brito, Sebastião de Brito Guerra, Maria de Brito, que foi esposa de Diogo do Pinto do Rego, o qual chegou a Governador de São Vicente. Com referência ao segundo filho, morreu como Tenente em função exercida no sertão.

Ficou consequentemente o mais velho, - Francisco de Brito, - na sucessão dos interesses da família em Laguna, ainda que toda família tenha voltado a São Vicente nos primeiros anos do novo século.

Novo passo deu Laguna ao se fazer a presença das autoridades superiores do Reino de Portugal, com vistas à expansão para o Sul, para onde induziram a que retornasse Francisco de Brito Peixoto.

Na Ilha de Santa Catarina, de 1679 a 1681, já houvera Francisco Dias Velho participado ativamente nos trabalhos preparatórios da fundação em 1680 de Colônia do Sacramento no Uruguai (vd), sem que em Laguna se pudesse ainda fazer alguma coisa. Mas agora Laguna, em decorrência de seu situamento geopolítico, passa a servir de porta de entrada do Rio Grande do Sul.

Em súplica de 6 de fevereiro de 1714, Francisco Brito Peixoto pleiteava favores e se propunha a voltar para Laguna, para dali promover penetrações no Rio Grande do Sul.

Afirma-se também que no mesmo ano se criara o município, embora fosse instalado apenas em 1720 (vd).
 

Depois da Carta ao rei, por parte de Francisco de Brito Peixoto (1714), ocorreu um contato do mesmo também com o Governador do Rio de Janeiro, Francisco de Távora.
 
 

425. Como  Capitão-mor, exerceu Francisco de Brito Peixoto o cargo diversas vezes, no curso do qual se deram alguns conflitos, de que restam notícias. Trata-se de posto na organização militar a que era subordinada a população ao tempo da Colônia, com vistas à defesa do país.



Bandeirantes



Uma série dos conflitos se deu com o vizinho capitão-mor da Ilha de Santa Catarina. Fora nomeado a primeira vez um capitão-mor para a Ilha de Santa Catarina em data de 3 de agosto de 1715, de que fora titular Salvador de Sousa de Brito. Depois de se haver retirado este para São Francisco, entrou a liderar na Ilha de Santa Catarina o astuto Manuel Manso de Avelar (vd). Sem se saber a razão, recebeu Manso de Avelar ordem de prender Francisco de Brito Peixoto, de Laguna, o que foi feito por voz do do Juiz Ordinário daquela mesma vila, Manuel Gonçalves Ribeiro.
  Depois de reabilitado, de maneira insólita, Francisco de Brito Peixoto foi nomeado em 1-o de fevereiro de 1721, por 3 anos, "capitão-mor das terras da Laguna e seu distrito com a Ilha de Santa Catarina sua anexa e do Rio Grande de São Pedro" (Azevedo Marques I, 156), e tudo se inverte. Em 16 de novembro de 1721 Francisco Brito Peixoto tem ordem de prisão contra Manuel Manso de Avelar, expedida pelo Governador de São Paulo ( Documentos interessantes, Ibidem XII, 17 a 19), que, depois de preso, foi remetido para Santos, para depois de 3 meses ser devolvido de novo livre para a Ilha de Santa Catarina.

426. Em 1725, quando já ido em idade, o capitão Francisco Brito Peixoto recebeu ordens de El Rei para seguir com seus homens para a conquista do Rio Grande do Sul. Apesar de sua disposição em seguir para a missão, foi impedido pela população.

Seguiram contudo os homens valentes de Laguna para a missão, tendo a expedição sob a chefia de João de Magalhães, genro do Capitão Mor Francisco Brito de Peixoto. Fundou este a cidade de Rio Grande. Conjugar-se-ão aqui outras ações relacionadas com Santa Catarina; aqui o Brigadeiro José da Silva Pais será mandado fundar em 1732, no sangradouro da Lagoa dos Patos, o Presídio Maria José. Virá esta alta patente militar recomendar a criação da Capitania de Santa Catarina, o que acontecerá em 11 de agosto de 1738 (vd).

A constante ida de lagunenses para o Rio Grande do Sul resultou em despovoamento de Laguna. A abertura da Estrada de Conventos (1728), dando acesso ao planalto pelo curso do Rio Araranguá, deixou-a ainda fora da rota principal Sul-Norte. Morria o Capitão-mor Francisco Brito Peixoto em 15 de outubro de 1735.


§ 2o. Igreja e freguesia de Laguna. 91sc0428.


429. Informa-se que a primeira igreja de Laguna se teria construído em 1696, e dedicada a Santo Antônio (de Lisboa). Parece ser o edifício, que depois ficou sendo apenas a capela mor; mas esta capela mor, que fora a primeira igreja, teve de ser substituída em 1798, porque já demais envelhecida. A capela mor encontra-se efetivamente no alinhamento do quadro da Praça. Dimensões 12 metros de fundo, 6 metros de frente.

Um corpo maior, com 9, 60 de largura, foi construído, poucos anos depois,  diante da primitiva capela de 1696. Encontra-se o corpo da igreja adentrado na praça, em uma das quinas, e que por isso se deixa ver também lateralmente.
 

Demorou esta parte maior da construção.

Em 1724 pagava-se "multa para as obras da matriz". Quando em julho de 1724 passou por Laguna um grupo de espanhóis, ordenou o capitão mor da vila, que todos quantos lhes vendessem armas, fossem presos por 20 dias, e pagassem 6 mil réis de multa para as obras da igreja em construção.

 Concluiu-se o corpo maior e principal da igreja matriz de Laguna em 1735; tratava-se apenas de 4 grossas paredes, sem simetria perfeita, sobre as quais simplesmente se apoiou o telhado.
 

A capela lateral, dedicada ao SS. Sacramento, foi iniciada em 1787, mas não logo concluída. Em maio de 1795 se manifestava pressa em terminar a capela do Santíssimo, porque a capela mor onde estava o Santíssimo estava em ponto de "vir abaixo", conforme diz uma ata da Irmandade do Santíssimo.

Em 1-o de janeiro de 1796 o vigário requeria à irmandade passar a paramentar-se no Consistório ao lado da Igreja, porque também a Sacristia ameaçava "vir abaixo", - diz- se também numa ata.

Finalmente em 1-o de maio de 1798 se contratava um preto cavouqueiro para tirar pedras com vistas a uma nova capela mor, o qual deveria começar o serviço no dia imediato.

Posta em construção, a nova capela mor foi benta inauguralmente tão logo chegou a poder ser usada, na data de 3 de junho de 1801, pelo Visitador Bento Toledo.

Além de se substituir a antiga capela de 1796, se tratou também de melhor acabamento e novo altar. Em junho do ano seguinte, 1802, ainda se estava a trabalhar na obra, e em março de 1803 se concluíam as obras de talha do altar do Padroeiro. Foi executado em estilo barroco, pelo entalhador Antônio José de Santana. Também a pequena imagem anterior de Santo Antônio foi substituída por outra, de estilo barroco, que se diz haver sido talhada na Bahía.
 

Em 1894 foram acrescidas lateralmente as duas torres, proporcionais ao edifício em geral. Chegou finalmente o edifício a ser um prédio agradável de se ver, um monumento que lembra efetivamente o passado.


430. Data de criação da Freguesia. Tem-se dito que a freguesia fora criada por ato de 11 de novembro de 1697, o que seria um ano após a construção da primeira igreja. (A Sinopse Estatística do I.B.G.E., de 1948, diz que em 1797, errando certamente a centena).

O Pe. Manoel João Luiz da Silva, que foi vigário de Laguna de 1853 a 1911, declara em uma nota histórica deixada em livro e que datou em 4 de janeiro de 1908, que o mês fora fevereiro: "Foi a paróquia criada a 11 de fevereiro de 1697". Todavia a Revista Catarinense, de J. Johany (vol. II, p. 314) publicou esta mesma nota, dizendo 1797 (Cf ainda Rev.do Instituto H. e G. de Santa Catarina, 1918, p. 331).
 

Mons. Pizarro, que tinha à mão os livros da Cúria Diocesana do Rio de Janeiro, declara desconhecer a data da criação da freguesia de Laguna, mas sugere que tenha sido no mesmo tempo que as demais duas da costa catarinense e ainda informa que o nome é Freguesia de Santo Antônio dos Anjos da Laguna.


"Povoada a Laguna por Domingos Brito Peixoto ... se levantou um templo a Santo Antônio, onde receberam os novos colonos o pasto espiritual e satisfaziam os preceitos eclesiásticos. Não consta a era deste fato; mas a tradição a refere na mesma antiguidade, que as freguesias de Santa Catarina e N. Sra. da Graça, cuja notícia patrocina o autor das Memórias para a História da Capitania de São Vicente no Liv. 2 n.56, pag. 186. Com o título de Sto. Antônio das Areias foi tratada pela provisão de 4 de outubro de 1745, que confirmou os capítulos do Compromisso da Irmandade dos Pretos aí criada; e noutros documentos encontrei, que se lhe deu a denominação de Santo Antônio dos Anjos da Laguna" (Pizarro, Memórias, III vol., p. 77, ed. 1946).


Estado de Santa Catarina com a localização do município de Laguna.



431.  Jesuítas de Paranaguá em Laguna. Os primeiros padres presentes em Laguna não eram necessariamente seus vigários.

Os jesuítas do Colégio de Paranaguá (vd) se fizeram algumas vezes presentes em Laguna, quando em missão pelos povoados do Sul.

Pe. Antônio da Cruz, em documento datado de 9 de março de 1710, declarando que há 8 anos anda em missões pelo Sul, poderá ter estado em Laguna já em 1702.  Diz que correra a costa "no lugar chamado Laguna ou Lagoa dos Patos", onde há uma povoação com o título de S. Antônio e nela uma igreja.

Informa que na primeira vez que ali foi, assistia ao povoado Domingos de Brito Peixoto, respeitado como capitão e principal povoador, ao qual tudo se devia e depois aos seus filhos Sebastião e Francisco de Brito Peixoto" (Inventários e Testamentos XXV, 11, 440m citado por Serafim Leite, H. da Companhia de Jesus no Brasil).

Refere-se ainda o jesuíta Pe. Antônio da Cruz a grandes pescarias, gado vacum, salgas e couramas.

Em 1720 esteve em Laguna, com o Ouvidor, o jesuíta Pe. Luiz de Albuquerque, do mesmo Colégio de Paranaguá.

Em 1727 é a vez de Pe. João Gomes.

Em 1728, Pe. Vito Antônio.

E assim, de tempos em tempos, como se infere das Anuas (Bras. 10 (2)348(1722), dos jesuítas, até ocorrer a expulsão da Ordem em 1759.

432. Primeiros vigários de Laguna. Os poucos dados sobre o primeiro vigário de Laguna, parecem deixar entrever que ele houvesse sido um religioso carmelita, e que ao mesmo tempo poderia ter sido vigário da Ilha de Santa Catarina, por acumulação (vd).

O Pe. Carmelita Frei Agostinho da Trindade aparece em 1714 e 1715, nos termos de casamento e de batizados da Ilha de Santa Catarina, como vigário desta Freguesia, e logo depois atua em Laguna, de onde tenta missionar os índios minuanos do Rio Grande do Sul, para depois novamente reaparecer na Freguesia de N. Sra. do Desterro.

Frei Francisco Encarnação é dado como vigário de Laguna em 1711, no testamento de Isa Padilha.

Outro vigário daqueles anos é Pe. Antônio Silveira Cardoso, com posse em 1724.

Pe. Francisco Justo Santiago assumia  a 19 de janeiro de 1727, a freguesia de N. Sra. do Desterro (vd), como vigário desta freguesia e ainda da de Laguna. Anotava no livro de batizados: "Tomamos posse desta paróquia aos dezenove de janeiro deste presente ano de mil setecentos e vinte e sete Vigário dela e da Vara e da Vila de Laguna por Provisão do ilustríssimo e reverendíssimo Senhor Bispo desta Diocese... ".


Cita-se ao Pe. Luiz Álvares, que teria assistido à morte de Francisco de Brito Peixoto, em 1735.

Cedo se criou a Comarca Eclesiástica de Laguna, ainda antes de 1742 (?), sendo seu primeiro vigário forâneo (ou da Vara) Pe. Francisco José de Araújo. Em 1727 assumia o posto de vigário da Vara, ao mesmo tempo que vigário de Laguna e da freguesia de N. Sra. do Desterro, Pe. Francisco Justo Santiago, - conforme dito antes.

Depois de criada a Capitania de Santa Catarina a lista dos vigários de Laguna se mostra mais clara e contínua.

A tradicional Irmandade do SS. Sacramento e Sto. Antônio data de 1753.

 

Os primeiros desdobramentos da paróquia se deram na seguinte ordem, - São Pedro do Rio Grande, em 1736; Viamão, em 1741; Vila Nova, em 1735 (?); Imaruí, em 1833; Tubarão, em 1836.


§ 3o. Criação do município. 91sc0433.


434. Afirma-se que o município de Laguna foi criado em 1714, por ato do Governador do Rio de Janeiro.

A data coere com os contatos havidos entre o referido governador e Francisco de Brito Peixoto.

Quando o sargento mor Manoel Gonçalves de Aguiar, da praça de Santos, veio para o Sul em 1815, comissionado pelo Governador do Rio de Janeiro para inspecionar a situação do litoral Sul, em 1714, deixou referências à Câmara de Laguna. em suas "Notícias práticas da Costa e Povoações do Mar do Sul", estas assinadas em 26 de agosto de 1721 (vd, sobre a Ilha de SC). Então aquela Câmara lhe conferiu um documento laudatório sobre os serviços de Aguiar, juntamente com as reivindicações da população.


435. Foi o município de Laguna regularmente instalado em 20 de janeiro de 1720 pelo Ouvidor Rafael Pires Pardinho.

 

Apresentava então o povoado 42 casas de pau a pique, cobertas de palha, com cerca de 300 habitantes, na maioria pescadores. Na falta de disposição urbana, determinou o Ouvidor o arruamento da vila, como passou a ser classificada. Deu a norma das eleições e criou os livros da Câmara. Entre outras normas, proibiu o cativeiro dos índios. Foi eleito primeiro presidente da Câmara, ao mesmo tempo que Juiz da vila, Manoel Gonçalves Ribeiro.

 Causa admiração a vastidão do município de Laguna, cujos limites, determinados também pelo Ouvidor, iam ao norte até a enseada de Garoupas (norte de Porto Belo) e na outra banda incluíam a costa do Rio Grande do Sul.

Os foros de cidade foram concedidos a primeira vez pelo Decreto n. 2 de 10 de setembro de 1839, pelo Governo Revolucionário imposto por Garibaldi (vd).

Dentro da regularidade institucional, os foros de cidade foram concedidos a Laguna por lei provincial de 1847. 


Fonte: Enciclopédia Simpozio