Quem não lembra deste prédio aí da foto? Durante anos foi ponto de embarque/desembarque de passageiros. Fiz a foto poucas semanas antes de sua derrubada, no começo da década de 90. Nossa antiga rodoviária, situada na Rua Gustavo Richard, foi plataforma de estação. De “Encontros e Despedidas”, como na música de Milton Nascimento e Fernando Brandt, interpretada por Maria Rita: “A plataforma desta estação é a vida deste meu lugar. Tem gente que vem e quer voltar, tem gente que vai e quer ficar. Tem gente que veio só olhar, tem gente a sorrir e a chorar”. É evidente que a Estação a que se refere Milton/Brandt, é a vida que não termina com a partida. “Todos os dias é um vai e vem”(...) Aliás, o próprio Milton Nascimento há uns dois anos cantou essa música num palco montado bem alí, praticamente onde era a Estação. Estação rodoviária é um local principalmente de olhares...Olhares breves, rápidos, passageiros... Estação Rodoviária respira vida. Gera expectativas. Quem chega? Quem parte? É meio de contato com o mundo. Local de sonhos e decepções. De corações aflitos, de angústias e emoções, alegrias e tristezas. “E assim chegar e partir são só dois lados da mesma viagem”.
A antiga rodoviária era também refúgio de bêbados, malandros, cambistas, bicheiros, engraxates. Possuía dois bares, lanchonetes, lados Norte e Sul, e agências rodoviárias. Lembro-me da Santo Anjo, Critur... Na parte de cima funcionava alguns escritórios de despachantes, fotos, auto-escola,...Subia-se ao piso superior por uma escada lateral, estreita, meio caracol, mal-cheirosa, mal iluminada. “Me dê uma abraço, venha me apertar, to chegando. Coisa que gosto é poder partir sem ter planos. Melhor ainda é poder voltar quando quero”. Quem não lembra do seu “Maneca Camiseta”, como era carinhosamente chamado, sempre por ali, com seu radinho a pilha ligado e sintonizado nas Rádios Globo ou Tupi, com frio, chuva, vestindo camiseta física, ou de mangas curtas, por isso o seu apelido? Seu Maneca, quando solicitado, ia levar e buscar, a qualquer hora, muitos estudantes, senhoras e moças que chegavam ou partiam de madrugada. Quando batia o vento sul, salve-se quem puder, o local virava uma geladeira. Uma lestada, então, molhava toda a plataforma. O prédio foi demolido no governo do prefeito Nelson Abrahão Netto (1989-1992) para ampliação e reurbanização da citada avenida. Com isso, o desfile das escolas de samba passou a ser efetuado no local. Aliás, foi o ex-prefeito Nelson quem transferiu o carnaval de trios elétricos, ou carros de som, para o bairro Mar Grosso, já que o Centro Histórico estava sendo destruído a cada folia de Momo. O Jardim Calheiros da Graça, na Praça Vidal Ramos, virava teatro de guerra, ficando ao final da festa em petição de miséria. Mas este assunto é tema para outra crônica, brevemente.
Este artigo foi originalmente publicado em 18.05.2006 no Blog do Valmir (ver link na seção links).
CURIOSIDADES, HISTÓRIAS, LEMBRANÇAS...
Bela paisagem do centro da Laguna, ao fundo vê-se a antiga rodoviária.
"Foi meu avô e meu tio avô Paulo e Pedro Mendonça quem construiram a rodoviária velha. Também eram donos da "Casa São Pedro" que vendia - valisiere- roupa íntima feminina, talco e sabonete Joyel. Lembro da minha avó e minha mãe usando...", nos conta de suas lembranças a professora lagunense Adriana Mendonça Padilha.
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