Poucas foram as cidades que, mesmo antes de 1900, tiveram a facilidade de transporte e comunicação com os grandes centros, quer para exportar ou importar mercadorias, como também para transporte de passageiros. A partir da ligação férrea com Laguna, verificada em 1884, estava Orleans ligada com o mundo. Senão vejamos: Transporte de Cargas: Construída com o objetivo principal de transportar o carvão das minas de Lauro Muller até o Porto de Laguna, boa parte de seus vagões servia para escoamento da produção agrícola de todo o vale dos rios Tubarão e Braço do Norte.A importância dos Portos de Laguna e Imbituba era muito grande para o repasse de qualquer carga que se destinasse ao Porto do Rio de Janeiro, maior centro consumidor na época, e daquele ponto para qualquer parte do Brasil e do Mundo. Assim que a colônia começou a funcionar , com incentivos da Empresa Colonizadora, os primeiros produtos exportados, além do carvão mineral, foram os derivados de suínos já criados e abatidos pelos imigrantes. A diferença era que os colonos abatiam os porcos e entregavam nas fabricas localizadas próximas à estação férrea as carcaças que eram transformadas em banha e carnes salgadas. Embalados salgados em barricas de madeira, os produtos eram levados até Laguna pelo trem e de lá seguiam de navio, para diversos portos. A madeira beneficiada, como soalho, esquadrias, forros e dormentes, além de móveis fabricados em série do tipo cadeiras, mesas e camas eram transportadas e distribuídas ao longo das cidades existentes no trecho da estrada de ferro. Mais tarde outros produtos como farinha de mandioca, fécula e raspa também foram transportados para Laguna e Imbituba, e deste ponto para qualquer parte do mundo. As mercadorias destinadas ao comércio de Orleans vinham pela estrada de ferro a partir de Laguna. Até mesmo caminhão, automóvel e algumas máquinas a vapor destinada às serrarias eram transportadas pelo trem, uma vez que não existia estrada de rodagem até 1940. Transporte de passageiros: Muitos imigrantes, aqueles que vieram a partir de 1884, chegaram a Orleans via estrada de ferro. O movimento de passageiros foi aumentando à medida que a cidade crescia. Seus habitantes buscavam , principalmente nas cidades de Tubarão e Laguna, o mercado para suprir as necessidades do comercio local. Utilizavam o trem igualmente para vender seus produtos. Existia o trem de passageiros, o trem misto e o só de carga. Os passageiros tinham a opção de viagem em 1a. ou 2a. classe. A diferença estava somente nos assentos de palhinha ou couro nos carros de primeira, e de madeira nos carros de segunda
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No trajeto era possível apreciar belíssimas paisagens ao longo da margem direita do rio Tubarão e ainda acompanhar a movimentação de passageiros e cargas nas paradas e estações de Santa Clara, Pindotiba, Pedras Grandes, Barra do Norte, Pedrinhas, Rio do Pouso, Guarda, Tubarão, Capivari, Estiva, km.37 e Laguna. Houve, em determinada época, um bar instalado num dos vagões, que fornecia bebidas, refrigerantes, café e salgadinhos aos passageiros. Mesmo assim, a cada parada os vendedores ambulantes, de cestas a tiracolo, ofereciam a mais variada gama de produtos de consumo imediato e local. Começava com Goiaba e Laranja Crava na Santa Clara e Pindotiba, Rosca e Cartucho nas Pedras Grandes e descia por ali abaixo com as mais variadas ofertas, quase sempre frutas da época. No final da viagem o soalho estava forrado de casca dos mais variados tipos. O trem fazia o trajeto diariamente, inclusive aos domingos, o que permitia-nos utilizá-lo para passeios, visitando parentes em Tubarão ou Laguna, permanecendo por lá, algumas horas, e retornando no mesmo dia. A população de toda a extensão ribeirinha do Rio Tubarão, se utilizou deste meio de transporte fácil e barato por muito tempo. Não fosse a enchente de 1974, que a destruiu completamente, estaríamos utilizando-a até os nossos dias. Ponte Cabeçudas: Esta ponte foi construída pela mesma Firma Inglesa que construiu e financiou a Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina. Um destaque bastante interessante foi um elevatório que foram forçados a construir por exigência dos barqueiros da Lagoa de Imaruí a fim de permitir suas passagens em viagens para o Mercado de Laguna onde entregavam sua produção Agrícola e Pesqueira. Estes barcos maiores usavam um grande mastro para colocação de velas e quando chegavam na ponte uma parte era elevada para permitir sua passagem.
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