Na década de 70 uma nova proposta se afigurava para Laguna, o poder público começou investir em um projeto de transformação da cidade em pólo turístico. Pautada nas belezas naturais e na imagem de cidade histórica, a perspectiva turística levou à busca da preservação do patrimônio material, preservando o aspecto urbano com o tombamento de algumas edificações e posterior tombamento integral da área central. Juntamente, o centro da cidade passou a ser pontuado de monumentos que integravam a imagem de cidade histórica.
Curiosamente, o monumento do Magalhães, sendo o maior e mais majestoso de todos, não figura na publicidade da cidade turística, ele não é um dos elementos utilizados pelo poder público para dizer que Laguna é uma cidade com “o passado sempre presente”.
Já o de Anita, tornou-se a principal simbologia da história/tradição que vira atrativo turístico. Se Vargas ganhou uma alegoria muito mais grandiosa que Anita, essa, no entanto, recebeu com o decorrer dos anos o reforço de diversos outros “vultos” e “fatos” históricos que, enquadrados na tradição comercializada, em pedra e bronze marcam o cenário urbano, reforçando a identidade transformada em manancial do projeto turístico e convencendo a população de um passado que se faz perspectiva de futuro.
Os monumentos, como demarcações deliberadamente construídas para fazer lembrar e destacar determinada visão sobre a cidade diante da polifonia do ambiente urbano, não são apenas elementos decorativos, buscam atuar na memória coletiva e na condução do imaginário social, dando a ver na vida cotidiana a materialidade referente aos discursos que os fizeram ser erguidos. Contudo, como um significante não enseja um sentido absoluto em si, podendo sofre deslocamentos de significados diante das indeterminações de cada contexto e levar a apreensões diferenciadas da destinação inicial, também a estátua de Anita passou de um culto à tradição para um misto de identidade e mercadoria no comércio da indústria do turismo.
E seu rival, o monumento a Vargas, de elogio ao progresso e ao futuro, passou a lembrar um projeto de desenvolvimento fracassado e a repercutir na população local como um emblema do que a cidade já foi, alimentando um imaginário que sonha com a cidade industrializada e ecoa sob a forte propaganda da cidade história.
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Uma frase inesquecível do Deputado Armando Calil Bulos, saída com certeza de seu coração lagunense:
" A LAGUNA, DE TANTO DE SER ESQUECIDA, APRENDEU A NÃO ESQUECER."
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