“Garibaldi segura a mão da mulher. São sete horas e 45 minutos da noite de 4 de agosto de 1849. Ana Maria de Jesus Ribeiro, Anita Garibaldi está morta” – (da obra ANITA GARIBALDI - Uma Heroína Brasileira - Paulo Markun.) Para muitos catarinenses, inclusive para mim, não importa o que pensam os estudiosos quanto à dimensão histórica do levante farroupilha. O que cultuamos por aqui é a memória da mulher que foi mais forte do que o preconceito. Anita surpreendeu as conveniências sociais e os limites do universo feminino em sua época. Wolfgang Ludwig Rau, o maior estudioso de Anita Garibaldi em sua obra “Anita Garibaldi – O Perfil de uma Heroína Brasileira” revela, pelo zelo demonstrado em sua pesquisa, que também ele apaixonou-se por Anita. Durante entrevista que concedeu à televisão (tive o prazer de assistir), foi perguntado ao professor Rau o que ele diria à Anita se pudesse falar-lhe, Wolgang respondeu prontamente: “Anita, eu te amo!” Perseverança, iniciativa, parceria, autonomia e principalmente amor e coragem, que marcaram a personalidade de Anita Garibaldi apaixonam de fato, os que a revisitam nos livros e a procuram em Laguna. Nadar, cavalgar e atirar pode se aprender. Vestir-se de soldado, fazer guerras pelo mundo ao mesmo tempo em que gerava filhos, há 150 anos, foi de uma certa singularidade. Anita partiu há 157 anos mas, para nós sulistas e para o povo italiano ela nunca morrerá. Quando deixou seu espaço físico e assumiu seu tempo cósmico, Aninha virou estrela e perpetuou seu galope em alada montaria. Inquieta, Anita não parou. Desviando-se de todo cerco e qualquer tentativa que façam de contê-la, corre célere pelos céus. Lá, na imensidão celestial, as criaturas siderais também tentam decifrá-la mas confundem-se então, encantadas contentam-se em segui-la, em seu rastro de luz.
ANITA ETERNAMENTE
Maria de Fátima Barreto Michels
Foto de Maria de Fátima Barreto Michels.
Por um amor que foi mais forte do que todas as convenções sociais de sua época, a lagunense Ana Maria de Jesus Ribeiro (1821-1849) participou da proclamação da República Juliana, ponto alto da Revolta dos Farrapos, em Santa Catarina. Giuseppe Garibaldi (1807-1882) roubou daqui para sempre o coração de Aninha, a filha do Bentão. Com o bravo guerrilheiro italiano ela partiu da terra natal, e juntos tiveram 4 filhos.
Esta catarinense gerou elos de fraternidade com o velho mundo e entrou para a história universal, ao lutar pela unificação da Itália, onde veio a falecer grávida do quinto filho. Aclamada “heroína dos dois mundos”, esta brasileira vem inspirando cada vez mais a produção de livros, músicas, teatros, filmes, novelas, etc. Pelo caráter inusitado da sua trajetória de vida, Anita Garibaldi, nome com o qual é mundialmente conhecida, vem sendo motivo de várias obras e ou capítulos de literatura a ela dedicados.
Vários são os escritores catarinenses, de outros estados brasileiros e também internacionais que registram histórica ou ficcionalmente a vida da guerreira. Paulo Markun na introdução de seu livro, “Anita Garibaldi - Uma heroína brasileira”, diz: “...é preciso apresentar aqui o verdadeiro garimpeiro dessa história que jamais desanimou: Wolfgang Ludwig Rau, um pesquisador apaixonado e independente(...)”. O maior pesquisador da história de Anita, Wolfgang Ludwig Rau que nos deixou recentemente, legou ao mundo a germinal obra, “Anita Garibaldi – O perfil de uma heroína brasileira”.
A partir deste ano, o nome de Anita Garibaldi, será incluído no Panteão da Pátria e da Liberdade de Brasília, espaço que lembra e faz homenagem a personalidades de destaque na história brasileira. A homenagem está marcada para 04 de agosto, data de falecimento de Anita. Seu grande biógrafo, Wolfgang Ludwig Rau (1916 -2009), certamente lá do plano divino, estará aplaudindo essa mulher apaixonante. Também para este ano, o cartunista Custódio, um paulistano filho de lagunenses, pretende lançar a vida de Anita em quadrinhos.
E ainda em 2009, sabe-se que a cineasta Tania Lamarca, cujo tema será Anita Garibaldi, estará filmando aqui, na cidade de Laguna.
Laguna, 02 de março de 2009
Colabore também, envie textos, fotos, cartões postais, o que desejar! O email é coracional@bluewin.ch
Muito obrigado a todos vocês que colaboram com fotos, textos, comentários, emails de incentivo, para que a gente continue. Muito obrigado! A memória de uma cidade pertence ao seu povo! Participe!