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                                             Saul Ulysséa, do livro Coisas Velhas



Primeiro Casamento de Anita Garibaldi


Cópia do assentamento no livro da Matriz, do casamento de Anita Garibaldi, então Ana de Jesus Ribeiro.

“Aos trinta de Agôsto de mil oitocentos e trinta e cinco, nesta Matriz de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, pelas onze horas do dia, depois de feitas as Dominicaes na fórma do Sagrado Consilio Tridentino e Constituição, do Bispado, sem impedimento algum comunico em presença das testemunhas abaixo assignadas, João Joaquim Mendes e Antônio Duarte de Aguiar, se receberam em Matrimonio na face da Igreja, Manuel Duarte de Aguiar, filho legítimo de Francisco José Duarte de Aguiar já falecido e de Joaquina Roza de Jesus, natural da cidade do Desterro com Anna Maria de Jesus, filha  de Bento Ribeiro da Silva, já falecido e de Maria Antônia de Jesus natural da cidade de São Paulo e ambos Os contrahentes moradores nesta Freguezia. E logo lhes conferi, as Bençãs Nupciaes, na forma do Ritual Romano: E para constar mandei fazer êste assentamento que assignei.

Vigr. Manuel Ferreira da Cruz, Joaquim Mendes Braga, Antônio Duarte de Aguiar.



Foto de Adry.



Ao lado esquerdo da Matriz de Laguna, ainda existe o prédio, onde foi festejado com simplicidade o primeiro casamento de Anita.

A tradição aponta aquele prédio como o primeiro construido no então Campo do Manejo, depois praça da Igreja e atualmente praça Marechal Floriano.

Primeiro prédio de alvenaria, entende-se, porque ali foram construídas muitas casas cobertas de palha, inclusive a primeira capela de Santo Antônio dos Anjos.

É de construção sólida, como aliás todos os prédios antigos, com paredes de oitenta centímetros de largura, apesar de ser térreo, desafiando a ação do tempo.

Foi naquela casa que festejaram o casamento de Ana de Jesus Ribeiro, a futura Anita Garibaldi.

Aqueles que festejaram o casamento daquela menina de quatorze anos, linda e ingênua, jamais poderiam julgar que ela seria um dia a heroina dos dois mundos.

Foi efetuado o casamento com o sapateiro Manoel Duarte de Aguiar, em 30 de Agôsto de 1835, justamente no ano que irrompeu a revolução farroupilha no Rio Grande do Sul.

Pertencia a casa citada ao senhor Anacleto Mendes Braga, solteiro e que ali vivia com sua irmã solteira, d. Ana Mendes Braga.

Viveram muitos anos, falecendo já velhinhos, êle em 1901 e ela em 1904.

Anacleto foi professor do curso primário durante muitos anos.

Ainda existem muitas pessôas que foram alunos do velho Anacleto, que era muito bondoso e paciente.

Êle a sua irmã criaram algumas meninas que deixaram descendência.

Nenhuma dessas descendentes me puderam informar porque à d. Ana Braga, chamavam Ana Gaspar.

Alguns me informaram que julgam ser talvez por que com d. Ana morava uma das que ela criou, de nome Mariana Gaspar e por ter por muitos anos uma serviçal de nome Tomázia Gaspar.

Enquanto Anacleto ensinava meninos, sua irmã passava a maior parte do tempo a fazer rendas na almofada, com muita e admirável destreza e aperfeiçoamento.

Dedicava-se também a outro mister: alugava vestido para casamento e roupa para anjinho de procissão, tendo para isso roupas e calçados apropriados, assim como véus.

Quando estava organizada a procissão, saia da casa de d. Ana Braga o grupo de anjinhos para tomar parte na festividade religiosa.

Naquela época havia poucas Igrejas e Capelas no interior da paróquia, de fórma que a maior parte dos casamentos dos moradores dos sítios eram efetuados na Matriz de Laguna.

Muitas moças pobres desses lugares e mesmo as da vila e arrabaldes recorriam à d. Ana Braga e em sua casa festejavam.

Foi isso que aconteceu com Anita.

Moça muito pobre, como pobre era o noivo, serviu-se do aparelhamento de d. Ana.

E não é de duvidar que assim fosse por dois motivos: um é que o casamento de Anita foi festejado embora simplesmente, na casa de d. Ana, quando Anita era moradora de uma das casas próxima à Matriz (1)  e outra é que Anita ao sair da Igreja.

________

(1) Depois mudou-se para a Barra.

um dos sapatos escapou-se-lhe do pé, o que fez crer que era muito folgado, não tendo sido escolhido para o seu pé.

Uma das descendentes de uma moça das que foram criadas por Ana Braga, ainda conheceu o célebre vestido de noiva e os sapatos que serviram no casamento de Anita e nos descreveu minuciosamente.

A saia era de filó azul muito claro, tendo de espaço em espaço umas tiras escuras, estreitas, estampadas. Entre as tiras uns pontinhos bordados a retrós preto, mercerisado.

Em todo êle de pequenas pregas e muito rodado.

________

O corpete da mesma fazenda, guarnecido de barbatanas formando um bico na frente.

Mangas compridas com grande fofo nos ombros.

Saia e enfeite eram sombreados com fazenda azul.

Os sapatos de camurça branca, simples, liso com um tufosinho de seda branca na frente e salto não muito alto e redondo.

Por muitos anos foram conservados os sapatos, o vestido de noiva e as vestes de anjinho. Estas eram muito rodadas e com asas de penas brancas naturais, muitos com corpinhos de lamé dourada ou prateada.

Outras de setim de várias cores.

Ainda existe a mesa que servia nos modestos festejos e que serviu no casamento de Anita.

É de jacarandá com duas abas móveis e de pés torneados.

Hoje pertence ao sr. Olavo Alano, casado com uma descendente de uma das moças criadas por Ana Mendes Braga, que recebera por herança.

O senhor Olavo não tem querido vendê-la e destina a um museu que aqui vai ser organizado.



                                          GIUSEPPE GARIBALDI


               (Político e militar revolucionário italiano ) 1807-1882


Monumento em homenagem a Giuseppe Garibaldi em Laguna.

Italiano nascido em Nice(4/7/1807), na época pertencente à Itália, em uma família de pescadores. Começa trabalhando como marinheiro e, entre 1833 e 1834, serve na Marinha do rei do Piemonte. Ali, sofre influências de Giuseppe Mazzini, líder do Risorgimento, movimento nacionalista de unificação da Itália, na época dividida em vários Estados absolutistas. Em 1834 lidera uma conspiração em Gênova, com o apoio de Mazzini. Derrotado, é obrigado a exilar-se em Marselha (1834), de lá partiu para o Rio de Janeiro, chegando (1835) e, em 1836, para o Rio Grande do Sul, onde luta ao lado dos farroupilhas na Revolta dos Farrapos e se torna mestre em guerrilha.

Três anos depois, vai para Santa Catarina auxiliar os farroupilhas a conquistar Laguna. Lá conhece Ana Maria Ribeiro da Silva, conhecida como Anita Garibaldi, que deixa o marido para segui-lo.Anita destacou-se por sua bravura participando ao lado dele das campanhas no Brasil, no Uruguai e na Europa. Dirigiu as defesas de Montevidéu (1841) contra as incursões de Oribe, ex-presidente da República, então a serviço de Rosas, o ditador da Argentina. Voltou à Itália (1847) e integrou-se às tropas do papa e do rei Carlos Alberto. Regressou à Itália (1848) para lutar pela independência de seu país contra os austríacos. Derrotado, perseguido e preso, perdeu também a companheira Anita (1849), morta em batalha. Refugiou-se por cinco anos nos Estados Unidos e depois no Peru, até voltar à Europa (1854).

Garibaldi


Numa nova guerra contra a Áustria (1859), assumiu o posto de major-general e dirigiu a campanha que terminou com a anexação da Lombardia pelo Piemonte. Comandou célebres camisas vermelhas (1860-1861) que utilizando táticas de guerrilha aprendidas na América do Sul, conquistou a Sicília e depois o reino de Nápoles, até então sob o domínio dos Bourbons. Conquistou ainda a Umbria e Marcas e no reino sulista das Duas Sicílias, porém renunciou aos territórios conquistados, cedendo-os ao rei de Piemonte, Vítor Emanuel II. Liderou uma nova expedição contra as forças austríacas (1862) e depois dirigiu suas tropas contra os Estados Pontifícios, convencido de que Roma deveria ser a capital do recém-criado estado italiano. Na batalha de Aspromonte foi ferido e aprisionado, mas logo libertado. Participou depois da expedição para a anexação de Veneza. Em sua última campanha, lutou ao lado dos franceses (1870-1871), na guerra franco-prussiana. Participou da batalha de Nuits-Saint-Georges e da libertação de Dijon. Por seus méritos militares foi eleito membro da Assembléia Nacional da França em Bordéus, mas voltou para a Itália elegeu-se deputado no Parlamento italiano em 1874 e recebe uma pensão vitalícia pelos serviços prestados à nação. Morre em Capri em 2 de junho de 1882.


Fonte: Netsaber.


Gravura representando Garibaldi em convalescência. De setembro de 1862 no The Illustrated London News.


Gravura representando a chegada triunfal de Garibaldi em Londres.





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