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A Heroína da Vez

                                                                 Revista Época de 29/03/99


Nos 150 anos da morte de Anita Garibaldi, dois novos livros e outros projetos audiovisuais procuram esclarecer mistérios em torno da vida da brasileira que encantou o grande herói italiano.




Ela é a próxima candidata a despertar paixão nacional. Sai Chiquinha Gonzaga e entra Anita Garibaldi no histórico papel de heroína ousada, voluntariosa e amante das causas humanitárias. Em 4 de agosto, um dia antes da morte de duas outras mulheres batutas, Carmen Miranda e Marilyn Monroe, será o aniversário de 150 anos da morte da brasileira Anita (1821-1849). A data serve de pretexto para um pacote "multimídia" que promete criar uma "onda Anita" e colocar a mocinha na boca do povo. Dois livros, uma minissérie de TV, um filme e um enredo de escola de samba tentam iluminar a vida ainda cheia de sombras da mulher de Giuseppe Garibaldi, o responsável pela unificação da Itália.

Quem abriu o baú das proezas da catarinense foi Joãosinho Trinta com o tema "Anita Garibaldi - a Heroína de Dois Mundos", de sua escola Viradouro, no último Carnaval. Joãosinho cobriu de luxo a vida pobre de Anita e recheou a personagem com um corpinho que sempre faz história: o de Luma de Oliveira. No próprio dia 4 de agosto serão lançados os livros sobre a catarinense que, aos 17 anos, deixou a pequena Laguna (SC) e um marido militar para fugir com um marujo italiano de boa lábia e feitos grandiosos. Anita, uma Biografia é a versão do jornalista Paulo Markun sobre a vida romântica e nebulosa da guerreira amada de Garibaldi. Já De Sonhos e Utopias é o resultado em dois volumes de 1.200 páginas dos nove anos de pesquisa da empresária e médica Yvonne Capuano.

Ouça a Viradoura cantando Anita:

http://www.mp3tube.net/br/musics/Viradouro-1999-Anita-Garibaldi-Heroina-das-sete-magias/110179/


Anita Garibaldi, Heroína Das Sete Magias (1999) letra

Clareou na ilha da magia
No esplendor era um ser de prata que surgia
E voou em busca da sabedoria
Os mistérios do oriente nas asas da poesia
Está em festa a aldeia da tribo Carijós
É força que semeia poder em nossa voz
Vêm desbravando mares
Corsários, aventureiros
Abrindo caminhos para a liberdade
De um povo guerreiro

Rufam os tambores mãe África
Nossa gente quer dançar
Invocando a magia
Com a paz de Oxalá

Heranças culturais nas etnias teus ideais
Nos verdes campos de Santa Catarina
Berço dessa menina, voa borboleta voa
Guerreira, brava loba romana
Heroína que encanta os dois mundos
Hoje o samba te aclama

Viradouro está aqui, vai sacudir
Agitar essa cidade inteira
E com Anita eu vou, é Garibaldi, amor
Espelho da mulher brasileiraG.R.E.S. Unidos do Viradouro


As semelhanças, é claro, param aí. Chiquinha, moça culta e pianista, virou assunto na corte e na Europa. Anita, uma caipira bonitinha de Laguna, cavalgava melhor do que os homens, assumia o comando de batalhas, morreu grávida no meio de uma fuga e ganhou honrarias na Itália, onde está enterrada. Surpreendeu Garibaldi ao vestir calças, levantar a espada, mandar nas tropas e obrigar seu comandante a cortar os cabelos. Suas ordens, dizem, eram muito procedentes. "Anita tinha consciência precisa da guerrilha e depois, na Itália, da situação política", diz Tabajara Ruas, autor de Garibaldi in America. "Lutou por amor a Garibaldi, mas também porque acreditava na causa. Sua família já era republicana."

Quanto a cortar os cabelos do marido, agia como qualquer mulher. "Ela era ciumentíssima porque o Garibaldi era mulherengo mesmo e ficava mais bonito com cabelão", entrega Wolfgang Ludwig Rau, autor de Anita Garibaldi, Perfil de uma Heroína Brasileira, considerada a melhor biografia dela. Ciumenta e perigosa. Anita costumava andar com duas pistolas no coldre. "Uma era para atirar no Garibaldi, outra na mulher que estava com ele", diz Rau.



Alemão, 83 anos, Wolfgang Rau, seu maior biógrafo, apaixonou-se a tal ponto por ela que se casou duas vezes com mulheres parecidas com Anita. "Fui muito infiel, também, sempre com outras Anitas", confessa orgulhoso. Em sua casa, em Florianópolis, ele guarda relíquias garibaldinas, como 10 espadas e 18 armas que pertenceram à musa e sua tropa. Rau possui uma biblioteca com mais de 1.200 volumes em vários idiomas sobre os Garibaldi. Além do perfil da guerreira, escreveu mais seis obras nas quais conta as peripécias do casal. Ele serviu de consultor para os dois livros a ser lançados, abrindo arquivos e contando causos. "Anita era doce, apaixonada, boa mãe e lutadora", derrete-se.


Para o jornalista Paulo Markun, "Anita era de uma ousadia incrível, e quase ninguém sabe nada dela". A vida de Anita é cheia de mistérios, como convém a uma heroína errante com ares de caubói. Grávida do quinto filho, doente e fugindo dos inimigos na Itália, ela faleceu aos 28 anos de causa até hoje desconhecida. Há quem diga que teve malária, outros sugerem tifo. Uma turma de antigaribaldinos aposta que Giuseppe estrangulou a mulher. "Não entrei no mérito da causa da morte porque não existem evidências, nenhum médico hoje atestaria com certeza", diz Markun. Já Yvonne Capuano, médica, acredita que ela tenha morrido de leucemia. "Pela descrição dos sintomas que os companheiros de luta faziam, ela podia muito bem estar com leucemia." Também em brumas permanece o primeiro casamento de Anita e seu cotidiano quando Garibaldi se ausentava por meses, enquanto ela cuidava dos filhos.

Livro de Paulo Markun


Talvez por essa vida na poeira, Anita tenha se transformado, para um pequeno grupo, num mito cultuado como Elvis Presley. Estabelecida em Porto Alegre, a historiadora Elma Sant'Ana, membro do Instituti Internazionale di Studi Giuseppe Garibaldi, na Itália, corresponde-se com os descendentes de Anita. Todos os anos, ela organiza um piquete de mulheres amazonas vestidas como Anita para celebrar sua ídola. Faz cavalgadas no Brasil e na Itália. Outro grupo, de Laguna, pesquisou depoimentos da época para criar a certidão de nascimento de Anita, nunca encontrada. O documento foi entregue ao ministro das Relações Exteriores, Luiz Lampreia, porque só com ele é possível requerer os restos mortais dela, enterrada em Roma. Os lagunenses querem de volta a guerreira que vestiu calças e antecipou o feminismo.

                                                                Cristina Ramalho



O pacote Anita




Anita Garibaldi vai ser tema de pelo menos dois novos livros, um filme e uma minissérie. A febre começou em fevereiro, com o desfile da Viradouro, de Joãosinho Trinta

Anita, uma Biografia
projeto de R$ 500 mil do jornalista Paulo Markun, que pretende desvendar como era Anita sem Garibaldi.

De Sonhos e Utopias
da empresária Yvonne Capuano, o livro virá com um CD da cantora folclórica Marlene Pastro.

Garibaldi in America
minissérie em oito capítulos, com roteiro do escritor Tabajara Ruas e direção de Paulo Betti.

Anita (título provisório)
filme dirigido por Ruy Guerra, com produção da atriz Cláudia Ohana, escalada para o papel-título.

Amor de Perdição
produção para filme ou minissérie, com direção de Paulo José. Baseado no romance de Josué Guimarães.


ENTREVISTA
"Vou refazer a viagem dela"


Paulo Markun fala de seu ambicioso projeto

Época: Quem é Anita Garibaldi?
Paulo Markun: Uma mulher extremamente ousada para o tempo em que viveu. Deixou um casamento por um grande amor e por ele foi capaz de combater, de se envolver nas lutas.

Época: O que levou você a escrever sobre Anita?
Markun: Estou morando em Florianópolis e queria me dedicar a outros projetos. Pensei num livro, em pesquisar alguém daqui, e acabei deparando com essa história fantástica que pouca gente conhece. Aí fiz um projeto, contratei seis pesquisadores para colher material em Santa Catarina, no Uruguai e na Itália. E fui para os Estados Unidos porque descobri que na Universidade da Carolina do Sul existe um arquivo de 2.500 livros sobre Garibaldi doados por um colecionador.

Época: Seu livro traz algo inédito sobre Anita ou sobre o período?
Markun: Não existe nada realmente inédito. É que ela é pouco conhecida. O que eu faço de inédito é contar mais histórias da Manoela, a mulher que Garibaldi amou antes de Anita. Na verdade, pretendo levar o leitor a fazer a viagem que Anita fez quando ela morou em Montevidéu e depois quando foi para Roma.


ENTREVISTA
"Quero que todos conheçam Anita"


A empresária Yvonne Capuano corrige erros históricos em seu livro

Época: Quem é Anita Garibaldi?
Yvonne Capuano: Uma jovem avançada para sua época. Voluntariosa, valente, com idéias próprias e que não se enquadrava. Teve o arrojo de sair de casa para viver uma aventura com um homem maravilhoso.

Época: O que levou você a escrever sobre a saga dos Garibaldi?
Yvonne: Meu pai sempre me falou de Garibaldi porque a família Capuano lutou ao lado dele pela unificação da Itália. É o lado pobre da minha família porque os Artusi, nome da minha mãe, também lutaram, mas eram ricos. Comecei a ler sobre Garibaldi, a me envolver com as batalhas, o romance, tudo. Ele foi um homem fascinante, me apaixonei por ele. E por Anita também. Quero que meu livro seja distribuído nas escolas, não quero lucro, nada. Quero que todos conheçam a Anita.

Época: Seu livro traz coisas novas sobre Anita ou sobre o período?
Yvonne: Tudo o que se sabe já foi escrito. O que eu fiz foi uma extensa pesquisa, li mais de 250 livros em nove anos para fazer uma versão completa e bem documentada. São dois volumes com 1.200 páginas. Tudo o que está no meu livro é provado. Encontrei muitos erros históricos sobre Anita.



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