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                                   Professor Wolfgang Ludwig Rau


O historiador Wolfgang Ludwig Rau, 92 anos, foi quem resgatou a heroína Anita Garibaldi (1821-1849) das névoas de imaginação a que estava envolta a famosa personagem até 1975, quando o autor publicou sua obra prima, “Anita Garibaldi: O Perfil de uma Heroína Brasileira”, o livro que se tornou, sem falsa modéstia, a maior referência mundial sobre o tema.
Hoje com a saúde muito frágil devido à avançada idade, Wolfgang espera o fim de seus dias com o sentimento do “dever cumprido”, na casa de sua filha, no alto do Bosque das Mansões, no bairro Roçado, São José. Aqui um pouco de sua história e obra.
Rau nasceu em 3 de fevereiro de 1916, em Zurique, Suíça. A família mudou-se para Berlim, capital da Alemanha, de onde Wolfgang saiu, em 1930, aos 14 anos de idade.
O ditador Adolf Hitler assumiu o poder em 1933, mas três anos antes, antevendo que a coisa iria piorar a qualquer momento com a ascensão do Partido Nazista, o pai de Wolfang decidiu imigrar para o Brasil.
“Meu pai era arquiteto e trabalhava numa firma judaica de construção”, comentou.
De Santos (SP), onde desembarcaram, a família rumou para Itajaí. Depois de um ou dois meses vivendo em Blumenau, acabaram indo para Lages, ainda no ano de 1930.
Em Lages, o pai de Rau comprou um curtume, mas a empresa não teve longa vida por causa de logros de clientes desonestos.
Wolfgang virou operário, profissão esta em que atuou durante quatro anos (1931-1934). “Tive a inteligência de documentar esse trabalho e isso serviu para a minha aposentadoria”, comenta.
Wolfgang ingressou mais tarde na faculdade de arquitetura em Curitiba (PR), mas não concluiu o curso. Em seguida, mudou-se para Florianópolis, onde atuou no ramo de consultoria.

Anita


O tema “Anita Garibaldi” entrou na vida de Wolfgang porque seu pai era admirador de Giuseppe Garibaldi (1807-1882), o famoso herói da Reunificação da Itália.
“Papai não sabia de Anita; só falava de Garibaldi. Por coincidência, nós estávamos em Lages, onde o Garibaldi e Anita estiveram. Eu pensei que deveria produzir algum livro”, conta.
“As pessoas não conheciam bem Anita Garibaldi nas décadas de 1950 e 1960. Era conhecida, mas não muito profundamente. Em Laguna, não havia um monumento dela. Laguna não sabia o valor histórico de Anita”, conta.
Era a década de 1960 quando Wolfgang iniciou a pesquisa procurando livros sobre a personagem na biblioteca pública de Florianópolis.
“Havia duas ou três obras contraditória, cheio de fantasias e poesia”, conta Rau, que mergulhou nas pesquisas durante sete anos.
Vasculhou arquivos, bibliotecas, toda sorte de documentos não só em Santa Catarina, como também no Uruguai e na Itália.
“Não teve lugar no mundo onde Anita pisou que eu não pisei”, conta o historiador, que chorou quando tocou na cama onde a heroína morreu, na Itália.
Seu primeiro livro- “Anita Garibaldi: O Perfil de uma Heroína Brasileira” saiu em 1975, recheado de fotos, documentos, pinturas que ilustram a história do famoso casal de heróis.
Nas décadas seguintes, seguiram outros seis livros, nos quais Wolfgang destrinchou outros detalhes da famosa “Heroína dos Dois Mundos.”

Mistério


Apesar de tantos anos dedicados à pesquisa sobre o assunto, Wolfgang não conseguiu localizar algum documento que resolva o mistério: o que aconteceu com o primeiro marido de Anita, o “tamanqueiros” (aquele que fabrica tamancos), Manoel Duarte de Aguiar.
Conta a história que, antes de unir-se a Garibaldi, Anita casou-se aos 14 anos, em Laguna, com Aguiar. Na época, o pai de Ana de Jesus Ribeiro (este é o nome verdadeiro da heroína) havia falecido e a mãe dela estava com nove filhos para criar.
O casamento surgiu nessas circunstâncias. “Aguiar era natural de Ilha de Santa Catarina (Florianópolis), era alfabetizado, gostava de beber, pescar e pouca importância dava à jovem esposa de 14 anos de idade. Não tiveram filhos. Tudo indica que quando os revolucionários farropilhas invadiram Laguna, ele tenha fugido com as tropas legalistas. Não se soube mais que fim levou, se foi assassinado ou morreu por causas naturais”, conta.


Wolfgang Ludwig Rau: resgate da vida de Anita Garibaldi (vídeo abaixo):

http://www.youtube.com/watch?v=oxtt7LGrJQE


Wolfgang Ludwig Rau: resgate da vida de Anita Garibaldi (2) (vídeo abaixo):

http://www.youtube.com/watch?v=ZDkQa2isj_0&feature=related


Wolfgang Ludwig Rau: resgate da vida de Anita Garibaldi (3) (vídeo abaixo):

http://www.youtube.com/watch?v=qW6HuxDSfX0&feature=related


Wolfgang Ludwig Rau: resgate da vida de Anita Garibaldi (4) (vídeo abaixo):


http://www.youtube.com/watch?v=bURSMBKTEr0&feature=related



Fonte: Redação Floripa News (www.floripanews.com.br)



                                  Preciosidades de Wolfgang Rau


Acervo garibaldino do pesquisador pode ser adquirido por R$ 100 mil pelo governo do Estado (A Notícia, 2001)

                                                             Ana Cláudia Menezes

O deputado Joares Ponticelli (PPB) apresentou na última terça-feira, na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa, o parecer favorável ao projeto de lei encaminhado pelo governo do Estado para adquirir o acervo garibaldino do pesquisador Wolfgang Ludwig Rau, no valor de R$ 100 mil.
O relatório do parlamentar é o primeiro passo para que o Executivo possa dar continuidade ao processo de compra do material do historiador, cujas pesquisas iniciaram no final da década de 1960 e inclui quadros, livros, gravuras, fotografias, documentos, mapas, móveis - só para citar algumas das preciosidades sobre Anita Garibaldi e seu companheiro, Giuseppe Garibaldi, e a Revolução Farroupilha. Depois da CCJ, o projeto passará por mais duas comissões - a de Finanças e de Educação e Cultura, até ser submetido ao plenário.
Pelo projeto de lei, o acervo será cedido em regime de comodato (empréstimo gratuito) ao município de Laguna. Este, por conta da possibilidade de receber o acervo, encomendou ao Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), um projeto de restauração do prédio que antigamente abrigou a usina elétrica da cidade, com características luso-brasileiras, na entrada de Laguna. A idéia é abrir o espaço para pesquisadores interessados no assunto. "A doação existe e o acervo virá para Laguna", assegura a diretora de museus da Fundação Lagunense de Cultura, Maria Elizabeth Guilhon Antunes.

O destino do acervo é aguardada com ansiedade pela família de Wolfgang Rau, nascido na Suíça em 1916, arquiteto formado pela Faculdade de Engenharia do Paraná e autor de vários livros sobre o tema. Entre eles, "Anita Garibaldi - O Perfil de uma Heroína Brasileira", primeira publicação sobre o assunto, lançada em 1975 e referência para outros pesquisadores que continuaram a investigar a vida da "Heroína de Dois Mundos", nascida em 1821 em local ainda não confirmado - a polêmica se divide entre Laguna e Tubarão.
Quem conheceu o acervo garibaldino de Rau, acomodado em uma sala no município de São José, reconhece a sua importância para o Estado. "Para a história de Laguna, de Santa Catarina, é fundamental. Espero que este processo não demore muito e que seja disponibilizado logo aos pesquisadores", diz a historiadora Elisabete Neves Pires, gerente de Organização e Funcionamento de Museus da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e responsável pelo levantamento quantitativo do acervo de Wolfgang Rau.

Quem conheceu o acervo de Rau é ciente da importância do material para a preservação da história de Anita e Giuseppe Garibaldi. O jornalista Celso Martins, de A Notícia visitou-o algumas vezes, como parte de sua pequisa para elaborar o livro "Aninha virou Anita", lançado em 1999. "É o acervo mais importante do mundo, dito por todos os conhecedores do assunto e, inclusive, pelos remanescentes da família de Garibaldi da Itália", conta. "Tudo o que existe sobre Anita, o Rau tem", diz.
Durante uma semana, em setembro do ano passado, Elisabete registrou cada uma das peças do historiador para fundamentar o projeto de lei enviado pelo governo do Estado à Assembléia. O que ela encontrou representa a dedicação de Rau a um tema pelo qual ele se apaixonou e dedicou toda a sua vida. Antes de ser cedido ao município de Laguna, Elisabete, que é especialista em museologia, alerta para a necessidade de restauração de algumas peças e a realização de "um inventário rigoroso" do material.

A aquisição do acervo garibaldino de Rau foi um compromisso verbal feito pelo governador Esperidião Amin no lançamento do livro "Anita Garibaldi, uma Heroína Brasileira", do jornalista Paulo Markun, em 1999, e durante as comemorações pelos 150 anos da morte de Anita. Para Markun, a aquisição do acervo é de "extrema importância" para Santa Catarina. "O Rau dedicou a vida toda ao assunto. Acho louvável a atitude do governo. Ele fez a sua parte", diz.


                             PELO AMOR DE SUA ANITA


                                    Diário Catarinense, 10 de fevereiro de 2009


Arquiteto e historiador amador, Wolfgang Ludwig Rau morre na Capital aos 93 anos


Ele costumava dizer que se encontrasse Anita, repetiria a célebre frase dita por Giuseppe Garibaldi quando a viu pela primeira vez numa cozinha na Barra da Laguna. – Tens que ser minha!

Ele não a conheceu, mas, ao longo da vida, Wolfgang Ludwig Rau, que morreu no sábado aos 93 anos, em Florianópolis, resgatou, refez os caminhos e registrou todos os passos de Anita Garibaldi. Vítima de falência múltipla dos órgãos, foi enterrado no domingo, no Cemitério do Itacorubi, em Florianópolis.

Rau nasceu na Alemanha, em 3 de fevereiro de 1916, e aos 14 anos desembarcou com a família em Santa Catarina, fixando residência em Lages onde construiu boa parte de sua vida. Mais tarde transferiu-se para Florianópolis. Como todo bom alemão, era um homem meticuloso, detalhista e estava sempre em busca da precisão, seja nos cálculos de seus projetos arquitetônicos ou na recuperação de fatos históricos.

– Um homem grandioso, inteligente, fora do comum – diz o filho Lúcio Albino Rau.

Além da arquitetura, gostava de história. Mas encantou-se definitivamente ao conhecer a saga do casal Anita e Giuseppe Garibaldi.

– Ele começou a pesquisar e apaixonou-se pela heroína, pois era um romance real – comenta o amigo, e irmão na maçonaria, Antonio Carlos Marega.

O envolvimento de Rau com a vida do casal Garibaldi foi tão intenso que até a mulher que escolheu para viver guardava uma semelhança física com sua musa Anita.

– Era um homem fabuloso – define Marega.

Das pesquisas nasceu o livro Anita Garibaldi: Perfil de uma Heroína Brasileira, obra que serviu de base e inspiração para teatro, minisséries e documentários.

À medida em que ia desvendando os detalhes do cotidiano de Anita, sua curiosidade e paixão iam aumentando. O resultado é um acervo de valor inestimável, que hoje está à disposição da população em Laguna.

Apaixonado pelo trabalho, saía de casa cedinho para trabalhar e só voltava depois do pôr-do-sol, pois seu ofício de arquiteto exigia visitas às construções que comandava.

Avesso ao desperdício, tinha uma preocupação em especial.

– Ele sempre ensinou que não devíamos perder tempo com coisas inúteis e, nos finais de semana, nos estimulava a ler e também gostava de contar histórias – recorda o filho Lucio, que aos 38 anos conviveu com o pai na época em que ele, já estabelecido, passou a se dedicar à pesquisa de temas que lhe eram caros.

Além de cidadão lagunense, Rau era membro da Sociedade Literária Luís Delfino, Associazzione Naziopnale Veterani e Reduci Garibaldini e Federazaione Garibaldini da Emilia-Romagna (Itália). O prefeito de Laguna Célio Antônio fez uma homenagem ao historiador e decretou luto oficial no município por três dias.

jacqueline.iensen@diario.com.br

JACQUELINE IENSEN


        


            Historiador Wolfgang Ludwig Rau é sepultado em Florianópolis


                                                                     Valmir Guedes Jr.


Sepultado neste domingo, na Capital do Estado, o corpo do arquiteto, historiador garibaldino e escritor Wolfgang Ludwig Rau, aos 93 anos.
Autor do livro “Anita Garibaldi, Perfil de uma Heroína Brasileira”, obra inspiradora de peças teatrais, minisséries, documentários e reportagens sobre a lagunense.  
Prefeito lagunense decretou luto oficial de três dias e acompanhou o sepultamento, levando uma bandeira do município.
Na biblioteca, à disposição do público, está toda a coleção do historiador adquirida nas décadas de pesquisa sobre o casal garibaldino.
Durante anos, percorreu toda a trajetória dos republicanos em quatro países. Recebeu medalhas de mérito pela pesquisa, era membro da Federação Italiana Garibaldina.

Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, Rau obteve a naturalização do governo brasileiro e no ano seguinte prestou o serviço militar, também na capital paranaense.
Concluída essa fase de sua vida retornou a Lages, onde fixou residência e se casou, tendo atuado como projetista, sócio e diretor de várias firmas de arquitetura e engenharia.
Na década de 50 mudou-se para Florianópolis, produzindo artigos históricos para jornais locais e das cidades da Laguna e Porto Alegre.
Além de maçom, Rau era membro da Sociedade Literária Luís Delfino, Associazzione Naziopnale Veterani e Reduci Garibaldini e Federazaione Garibaldini da Emilia-Romagna (Itália).
Recebeu em nossa cidade o Título de Cidadão Lagunense.
Mais recentemente recebeu as medalhas do Mérito Anita Garibaldi (Santa Catarina) e por pesquisas garibaldinas na Itália e França.
O conheci em Florianópolis e algumas vezes nos falamos ao telefone. Lembro-me de ter-lhe perguntado sobre uma reedição de seu famoso livro, há muito esgotado, ele me falava que centenas de exemplares se perderam quando de uma enchente no bairro Santa Mônica, em Florianópolis. Estavam armazenados na casa de uma filha.

Os originais pelo que sei nunca foram recuperados.


Tenho em meus arquivos, a foto do ex-prefeito Mário José Remor, juntamente com Salun Nacif e Wolfgang Ludwig Rau (o primeiro, à esquerda) quando da inauguração do busto em homenagem a Giuseppe Garibaldi, no Jardim Calheiros da Graça.Aliás, registre-se que o professor Rau e Salun Nacif, grandes amigos, foram os idealistas da maioria dos nossos monumentos, como Brito Peixoto, Tordesilhas, Garibaldi.

Crônica de fevereiro de 2009 do Blog do Valmir



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