A história de três mulheres corajosas e um homem nem tanto.
A primeira mulher corajosa.
Apesar de paulistano, meus pais nasceram em Ribeirão Grande, distrito de Laguna. Meu pai foi um bom sujeito, mas minha mãe, a primeira mulher corajosa deste título, é minha heroína particular. Eles vieram para SP na década de 60, mas era no distrito de Ribeirão Grande, em Laguna, que íamos passar as férias de verão, brincando entre bois, cobras d´agua, banhos de cachoeira e engenhos de cana e farinha. Não havia banheiro nas casas, o banho era de bacia e chaleira, os fogões à lenha e à noite dormíamos à luz de lamparinas de querosene. Não era uma vida muito diferente de Anita, que passou a infância em Morrinhos, a uns 15 km dali.
A segunda mulher corajosa.
Na adolescência descobri mais sobre Anita e sua coragem. Mas também fui descobrindo a cidade de Laguna, com suas praias, seus casarios tombados, sua geografia quase delirante, mistura de morro, mar, lagoa, rio, praias, canais, golfinhos, baleias, sambaquis, mulheres bonitas circulando em sua orla no verão. Lá, em Laguna, dei meus primeiros beijos, passei meus melhores carnavais e suspirei amores adolescentes. Alimentava o sonho de fazer uma história sobre Anita, mas num tempo sem internet nem muitas informações acessíveis, faltavam dados. E, claro, me sentia menor que o desafio. Tudo parecia um obstáculo intransponível. Esqueçamos Anita.
A terceira mulher corajosa.
Até que, em janeiro de 2007, mais de uma década depois, voltei à cidade por uma conjunção de coincidências. E soube que o maior acervo sobre Anita, do pesquisador Wolfgang Ludwig Rau, foi parar em Laguna. Finalmente eu poderia pesquisar a vida de Anita. Estava mais próximo do que nunca da mulher que, há quase 170 anos, teve coragem de mudar todo seu destino para seguir atrás do seu José, o Garibaldi. Eu voltaria outras vezes para pesquisar. E, tal qual a história que eu queria contar, dias depois conheci, ali mesmo, em Laguna, na beira do mar, a terceira mulher corajosa. Uma gaúcha, que iria mudar todo seu destino, trocando Porto Alegre por São Paulo, para seguir um José muito menos importante, no caso, eu.
A partir daí, não havia mais como deixar de fazer este álbum de quadrinhos.Em dezembro de 2008, o projeto “Anita Garibaldi” foi escolhido, através de um edital do Governo do Estado de São Paulo, para receber uma verba do ProAC, de incentivo à produção cultural no Estado de São Paulo.
A data prevista para lançamento do álbum é 04 de agosto de 2009.
Custódio (José Custódio Rosa Filho), 41 anos, paulistano, é cartunista, chargista e ilustrador ha 20 anos. Já fez personagens, tiras, charges e animações para agências de publicidade, sindicatos, revistas, jornais e canais de TV. Pela Agência Estado, publicou em 55 jornais no Brasil e um do exterior. Tem um livro de textos publicado (Manual do Sexo Virtual), ilustrou livros infantis e teve colaborações em várias revistas e álbuns de quadrinhos. Criou animações para a peça Sexus, a Comédia, em 2006. Foi premiado nos salões de humor de Volta Redonda, Amazônia, Brasília e recebeu o Prêmio de Excelência no National Press Club do Canadá. Venceu o Prêmio de Tiras do Jornal Estado de São Paulo em 2008 e atualmente é chargista do Hoje Jornal, do ABC (SP). Foi um dos vencedores do ProAC 2008, categoria quadrinhos, com o projeto “Anita Garibaldi”.
Mais sobre Custódio e projeto Anita em quadrinhos:
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