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            Fonte: Assessoria de Comunicação - Iphan - SC

                      (Recebido de Carlos Araujo Horn)


Sexta-feira,  27 de março último, às 11 horas, aconteceu a solenidade de assinatura do termo de compra do Cine Mussi pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Estarvam presentes, além dos proprietários do imóvel, o superintendente regional de Santa Catarina, Ulisses Munarim, e o presidente do instituto, Luiz Fernando de Almeida, que veio de Brasília especialmente para o evento.
O Cine Mussi  fechou suas portas em 1992. Tem capacidade para mil lugares, distribuídos em dois pavimentos, possuindo uma distância entre a cabine de projeção e a tela de cerca de 70 metros. Além de exibição cinematográfica, recebeu várias companhias de teatro e música, e também orquestras locais e internacionais, numa época em que Laguna vivia o seu período de prosperidade econômica.

Com ações previstas para este ano e para 2010, a intenção do Iphan é dar ao prédio um uso compatível com a sua função histórica, já que foi a sua vocação para centro de cultura que ampliou a sua relevância de simples cinema.  Por esta razão a idéia do órgão federal é que ele possa ser reaberto à população como um pólo difusor de cultura, disponibilizando à comunidade não só o seu espaço para apresentações culturais, mas também suas instalações para aprendizado no campo das manifestações artísticas.

Além de toda a comunidade lagunense, várias personalidades foram convidadas pelo Iphan para esta solenidade, inclusive os antigos funcionários do cinema, entre eles os operadores de projeção, os gerentes, os bilheteiros e alguns dos assíduos frequentadores do Cine Mussi nos seus áureos tempos.


Foto: Assessoria de imprensa da Prefeitura de Laguna


Patrimônio Histórico


O Cine Mussi está inserido na poligonal de tombamento do Centro Histórico de Laguna. Desde o ano de 1985 são protegidos, por força deste tombamento, cerca de 600 imóveis, entre residências, comércio, escolas, museus, praça e igreja. Neste mesmo ano o Iphan destacou para a cidade uma representação técnica para atendimento das demandas locais, não só na área de arquitetura, dando orientação técnica aos proprietários de imóveis, mas também na área de arqueologia, já que a região possui grande incidência de sítios, principalmente os do tipo sambaqui.

Fechado ao público no ano de 1992, o Cine Mussi tem sido, desde então, uma preocupação para os técnicos do Iphan, no que tange à sua integridade física. Sofrendo a natural degradação, comum aos imóveis fechados ou sem um uso adequado, o Cine Mussi, mesmo não sendo ainda propriedade do instituto, recebeu recursos para obras de restauração e manutenção, de modo que pudesse ao menos ter garantida, prioritariamente, a sua estrutura construtiva.

Assim, em janeiro de 2006 foram feitas várias obras, contratadas pelo Iphan, entre elas as de drenagem do porão e escoamento de águas pluviais; revisão, restauração e conservação da cobertura, com substituição das telhas de fibrocimento por telhas de cerâmica, tipo francesa e, ainda, restauração e conservação dos assoalhos, barrotes e estrutura da cobertura.


O Cine Mussi da Laguna


O projeto aquisição, restauração e reabilitação do Cine-teatro Mussi faz parte de uma série de propostas pelo IPHAN para o Centro Histórico de Laguna. Porém, esta ação é hoje entendida como prioritária, por vislumbrar a melhoria da qualidade de vida da comunidade e principalmente, para aumentar a visibilidade e o envolvimento da população com suas produções culturais, atentando à valorização do patrimônio histórico e cultural da cidade.

“Laguna já foi berço da cultura catarinense” – é comum ouvirmos esta frase em Laguna. Este conteúdo presente nas falas dos lagunenses, faz parte de uma memória, não muito antiga, e reflete inúmeros desejos. Talvez o mais cobiçado deles seja o de ser novamente berço desta cultura.

A reabilitação do Cine-Teatro Mussi aponta para diversas parcerias com grupos de teatros, companhias de danças, corais, e fundamentalmente, universidades. Estas visam fomentar atividades culturais, como apresentações de teatro, cinema, música, dança, seminários, e congressos, cuja abordagem se destine a todo tipo de tema, com ênfase em discussões sobre patrimônio, história e meio ambiente. Somente com muitas atividades de fruição e formação cultural pode-se reverter uma realidade que relega o patrimônio e não o reconhece como parte de sua identidade.

O Cine-teatro Mussi é uma edificação emblemática. Situa-se na orla da Lagoa de Santo Antônio e possui um estilo arquitetônico inconfundível:  o Art-Decó.

Nas décadas de 1920 a 1950 desenvolveu-se uma arquitetura com influências art-Decó em Laguna, mas com poucos exemplares significativos já em decorrência do declínio econômico que a cidade sofria. Este estilo retrata a modernidade e a era da máquina, vivida a partir de 1920. Suas características são a ruptura com o passado e a inspiração no futuro, influenciado pelo cubismo e por outras correntes artística do começo do século XX. O art- déco surgiu como estilo produzido, principalmente, por designers para adequar seus produtos à indústria. Ele é o prenúncio do modernismo.

O Cine-teatro Mussi carrega em seu nome e em seu espaço físico, inúmeras lembranças. Várias famílias lagunenses formaram-se sob a guarda desta edificação. Incontáveis namoros iniciaram-se na penumbra de suas sessões. Na memória da cidade estão, entre outras coisas, a alegria das histórias de paqueras, o pegar na mão, o barulho de abrir as balas, o gosto de algumas guloseimas típicas já extintas e o cheiro da pipoca que anunciava o fim da sessão.

A menção da reabertura do Cine-Teatro Mussi é encher os corações lagunenses de esperança, criar expectativas de desenvolvimento, de lembranças e de histórias. É, de fato, trabalhar com a auto-estima de toda uma população.



                           UMA BRECHA NO TEMPO


   Iphan irá recuperar e reinaugurar o Cine Mussi, fechado há 17 anos)

         (Matéria do site Defender (Defesa Civil do Patrimônio Histórico)


O Cine Mussi, um dos principais ícones da cultura de Laguna, no Sul do Estado, entra em uma nova fase a partir de hoje, quando o prédio será adquirido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O local está fechado desde 1992, mas vai passar por uma restauração no próximo ano e será reaberto como cinema e local para eventos culturais.

De acordo com a chefe do escritório técnico do Iphan em Laguna, Ana Paula Citadin, o imóvel de propriedade da família Mussi será comprado por cerca de R$ 812 mil. A avaliação foi realizada pela Caixa Econômica Federal (CEF) e, ainda este ano, serão encomendados os projetos para restauração completa do prédio com estilo arquitetônico de art déco.

– Não temos uma previsão exata, mas um prédio do porte do Cine Mussi pode ficar em obras de restauração durante dois anos. O Cine Mussi voltará a estar a serviço da cultura na cidade – explica Ana Paula Citadin.

Localizado no Centro Histórico de Laguna, às margens da Lagoa Santo Antônio, o Cine Mussi possui dois pavimentos, sendo que no térreo está a sala de cinema, com 900 poltronas. No segundo piso, há um mezanino e a sala de projeção, onde ainda se encontram guardados os equipamentos.

Inaugurado em dezembro de 1950, o cinema começou a entrar em uma fase ruim na década de 1990, quando os aparelhos de videocassete se tornaram um grande concorrente. Além disso, os custos para locação dos grandes filmes se tornaram outra dificuldade e, em 1992, a família proprietária do cinema decidiu fechar as portas do Cine Mussi.

A crise, contudo, jamais apagou as lembranças de grandes momentos do cinema de Laguna e que demonstram a importância cultural e econômica do município na década de 1950. De acordo com o historiador Antônio Carlos Marega, o Cine Mussi teve vários episódios marcantes, como as cerimônias de formatura do Ginásio Lagunense, Escola Normal Brito Peixoto e Colégio Comercial Lagunense, mas foi em 1956, com a apresentação de Procópio Ferreira, que ficou registrado um dos momentos inesquecíveis vividos no local.

– Foi um dos maiores nomes do teatro brasileiro e veio aqui em Laguna com O Avarento, de Molière. Faltou espaço no cinema para assistir aquela peça – conta Marega.

Anos antes, o Cine Mussi também foi palco de uma reunião que poderia ter mudado o destino de Laguna no aspecto econômico. Em 1951, o jornalista e senador José Vitorino de Lima se encontrou com o também senador Leoberto Leal para tratar da criação de uma unidade da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que tinha como cidades interessadas Vitória (ES) e Laguna.

– Leoberto Leal foi quem redigiu o projeto. Por causa de uma indicação técnica tendenciosa o presidente Getúlio Vargas vetou Laguna e a siderúrgica não ficou aqui – observa o historiador.



                     Comunidade recebe centro de eventos culturais

        (Matéria do site da Rádio Difusora de Laguna postada em 28.03.2009)


Depois de 17 anos, as portas do Cine Teatro Mussi foram abertas para o público. Dessa vez, na tela não artistas internacionais, mas o seu Otto (foto ao lado), Noé, Pavanetti, dona Ema, médico Aurélio e o historiador Carlos Marega. Personagens da história do local que levaram os visitantes aos áureos tempos do espaço cultural.

O documentário Cine Mussi e o Passado foi apresentado durante a solenidade da assinatura do termo de compra do prédio pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nesta sexta-feira, dia 27, no valor de R$ 812 mil.

O local pertencia a família Mussi, que construiu o prédio na década de 50, tendo como arquiteto Wolfang Ludwig Rau. Funcionou até 1992, quando fechou as portas. Tem espaço para mil pessoas e 970 metros quadrados.

Recuperar a relação com o centro histórico, de acordo com o presidente nacional do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, é uma missão da sociedade lagunenses. “O Cine Mussi irá voltar a ser o centro de entretenimento, também agregar a coletividade, principalmente a manutenção da memória lagunense”, explicou.


Oto Siqueira em frente ao Cine Mussi. Foto do site da Rádio Difusora de Laguna.


Carlos Mussi, representando a família, emocionado lembrou do sonho lagunense de ter o Cine novamente aberto.

Para o último funcionário do cinema, Otto Siqueira, 74 anos, filmes não têm mais sentido na sua vida, dos modernos, como costuma dizer, assistiu apenas Uma Linda Mulher.

Depois de 40 anos respirando e vivendo cinema diariamente, suas lembranças das telas restaram os seus prediletos O Vento Levou, Casablanca e Marcelino, Pão e Vinho. “Filmes eram um acontecimento na cidade. A gente passava um novo filme todos os dias. O público colocava a sua melhor roupa para ver seus artistas prediletos”.

O ícone do teatro brasileiro Procópio Ferreira apresentou a peça O avarento, de Moliere.
A atriz brasileira Virginia Lani distribui autógrafos na porta do cinema. Os colégios lagunenses usavam o espaço para formaturas.

Aos domingos depois da missa das crianças tinha o espaço infantil com desenhos. Nas terças-feiras, a noite, a sessão para as moças agitava a juventude.

O prefeito Célio Antônio frequentou o local. “O filme Marcelino, Pão e Vinho marcou a minha vida”, disse. Para ele, o Iphan teve um ato nobre ao comprar o prédio e devolvê-lo para a comunidade. “Esse dia é para ficar na história”,conta.

Projeto de revitalização

Neste ano, o Iphan estará preparando o projeto de revitalização do prédio, que em 2005, recebeu obras emergenciais e teve o telhado, drenagem e partes da estrutura restaurados.

Em 2010, a obra entra em licitação. “A partir daí serão 18 meses para a execução”, explica a chefe do escritório técnico do Iphan em Laguna, Ana Paula Cittadin.

A idéia é transformar o local num centro de eventos com cinema, também estrutura para apresentações teatrais, dança e exposições.

Até a entrega para a comunidade, o Iphan que irá administrar o espaço. “Depois de tudo pronto será discutido quem deverá cuidar e fazer a manutenção do local”.


História do prédio

O prédio tombado está situado na avenida Colombo Machado Salles, no centro histórico de Laguna. A reabertura do espaço, que abrigará um centro cultural, está prevista para 2010.

O Cine Mussi teve o lançamento de sua pedra fundamental, em 30 de março de 1947. Foram 3 anos e 9 meses de construção, no estilo arquitetônico "art dêco".

Em 17 de dezembro de 1950, foi sua inauguração, abençoado pelo vigário Padre Gregório Warmeling, logo após, uma demonstração dos efeitos de sua iluminação, composta por 1.800 lâmpadas coloridas. A sessão inaugural teve o filme "A Valsa do Imperador".

Na época Antônio Mussi, deputado da Assembléia Estadual de Santa Catarina, falou em nome dos irmãos.

Até a década de 90, o local funcionou como cinema. Anos depois, um templo religioso e departamento municipal de cultura.



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