Qualquer que seja seu designativo, este instrumento musical, composto por um fole, duas caixas harmônicas de madeira e um diapasão, fazem a festa, do sul ao norte do Brasil. Muito apreciada por sua versatilidade e bastante explorada em ritmos brasileiros, a gaita ou sanfona é uma criação européia, de 1827.
Em meados de 1836 a 1851, a gaita chegou ao Rio Grande do Sul, pelas mãos dos colonos alemães. Logo, o instrumento também passou a ser muito apreciado em festas da comunidade italiana. Cesare Arpini e sua esposa Maria Savoia, foram os primeiros fabricantes de gaitas do Rio Grande do Sul, no final do século XIX, no atual município de Santa Tereza
Pedro Raimundo, projetado no País como gaiteiro gaúcho, era, na realidade, catarinense de Laguna. Ficou famoso com a música e letra de sua Autoria, “Adeus Mariana”, em 1943. Excursionando pelo Brasil, influenciou o pernambucano Luiz Gonzaga, que enriquecendo a cultura nordestina, lança o baião em 1946. No nordeste, a gaita é chamada de sanfona.
Acordeon, designação “castelhana”, é instrumento característico em estilos da América do Sul, como o tango, na Argentina. É difícil também não lembrar de Astor Piazzola, um dos principais expoentes na interpretação do acordeon.
No Rio Grande do Sul, a Gaita-Ponto é o instrumento emblemático do tradicionalismo. Não existe festa de CTG sem gaiteiro. Mas poucos são os que tocam gaita com maestria, como Gilberto Monteiro e Renato Borghetti, que romperam as fronteiras do bailado e adquiriram fama também em outros pampas. Por sua vez, Radamés Gnattali escreveu o “Concerto para Acordeão, Tambores e Orquestras de Cordas”, em 1977, com o objetivo de levar o instrumento para as salas de concerto. Poucos sabem, porém, que o Estado chegou a sediar a maior e mais famosa fábrica do instrumento no Brasil – a Acordeons Todeschini, mais conhecida como “rainha do fandango”.