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Continuação do livro "Coisas Velhas"...


A subida para o morro era feita pelo lado do Potreiro, hoje largo do Rosário e pelo lado do mar ao lado do sobrado n.1 da rua 13 de Maio. Por esta última desciam as procissões.
Durante alguns anos a trasladação da imagem do Senhor dos Passos era feita da Capela do Rosário para a Matriz e assim de N.S. dos Navegantes.
Nas festas de N.S. do Rosário, naquela época, era uso tomarem parte o Rei e a Rainha, bem como seus vassalos, vestidos grotescamente, levando o Rei a respectiva corôa na cabeça.


Capela de N.Sra. do Rosário - Foi demolida em 1933. Foto recebida de Antonio C. Marega.


Assistiam a missa e tomavam parte na procissão.
Os vassalos formavam duas alas, e os reis no centro.
Havia então muitos pretos da “Costa”, assim chamados, para destinguir dos “creoulos”, pretos aqui nascidos.
Muitos dêles recordam-se das alegrias fruidas na sua terra distante, se apresentavam nas procissões e na missa denominados pelo maior entusiasmo e ruidosa alegria com a alma voltada para as suas plagas, sem esperança de jamais revê-las.
Na véspera da festa era conduzida a Santa, da Matriz para a Capela. Durante o dia esfuziavam foguetes e estoiravam bombas e de quando em vez ribombava o tiro de uma velha peça que servira na revolução farroupilha, e que hoje está no monumento de Anita Garibaldi, indevidamente ereto em Morrinhos, lugar onde ela morou pouco tempo, não tendo ali nascido.


Recorte de jornal recebido de Gracinha.



Capela do Rosário. Foto recebida de Dalmo Mendes Faísca.


Citando Saul Ulysséa, em seu livro "Laguna de 1880":


MORRO DE NOSSA SENHORA


Denominava-se em época anterior, morro do Potreiro.
Era tradição, que êste pequeno morro defendia a cidade, da invasão das areias. Sem êle seria ela soterrada.
O dr. Manoel Nascimento Galvão nas “Notas Geográficas e Históricas sôbre Laguna”, prevê soterramento. Entretanto é minha opinião, embora não seja técnico, que tal jamais se dará, mesmo que seja arrazado o morro, enquanto reinarem ventos do quadrante léste.
Assim julgo, por uma razão muito simples e que me parece muito aceitável que é a seguinte: o morro da Laguna está colocado na direção norte e sul. Sendo nordeste o vento reinante, que sopra portanto sobre o morro em diagonal, não poderá jamais trazer as areias para a cidade, o que se poderia dar sómente se o vento reinante fosse de noroeste.


Vista da cidade, ao fundo o morro e no alto a Capela do Rosário. Foto recebida de Dalmo Mendes Faísca.


Embora algumas areias trazidas pelo rebojo do vento corram paralelas ao morro, vão se afastando à proporção que se move para o sul de formas que jamais atingirão a cidade.
As areias mais mopvimentadas estão a mais de duzentos metros distantes da cidaee.
Além disso para evitar o movimento das areias, há recursos para detê-las.
No alto do morro existiu a Capela de N.S. do Rosário, demolida em 1933 por ameaçar ruir.
Do lado do norte, três pequenas casas.
Davam acesso ao morro, duas ladeiras, sendo uma pelo Potreiro e outra ao lado do mar, junto ao sobrado n. 1 da atual rua 13 de Maio.


POTREIRO


Os três pequenos becos do Potreiro, que formavam um triângulo é hoje o largo do Rosário, com a demolição do quarteirão triangular ao centro.
Um dos becos a partir da praça em toda sua extensão a moradia do sr. Antônio Carneiro Pinto.
Os outrois dois compunham-se de pequenas casas, umas unidas às outras. No final de um dos becos havia uma subida para o morro de Nossa Senhora.
O da residência do sr. Carneiro terminava na beira da lagôa. Ali havia pequena praia que ia até a rua das Pedreiras, hoje Almirante Lamego.


Vista da cidade, ao fundo o morro e no alto a Capela do Rosário. Foto recebida de Dalmo Mendes Faísca.


(O livro "Laguna de 1880" foi editado em 1943, gentilmente enviado a este site por Carlos Araujo Horn)


A memória de uma cidade precisa circular entre os seus cidadãos!


Lembra da Capela, brincou muito no Largo do Rosário? Tem fotos, histórias? Envie para nós aqui no site! O email é coracional@bluewin.ch