Agenor da Silva Brum em foto cedida por sua filha Ismália e enviada por Carlos Araujo Horn.
por Agilmar Machado
...pois o Chefe Brum partiu para a eternidade... Enquanto teve forças, foi um abnegado chefe do escotismo em Laguna. Idade avançada, embora aparentemente conservado em sua aparência, Chefe Brum retirou seu lenço do pescoço e partiu, abanando-o para os milhares que receberam a primorosa educação de escoteiros graças ao seu zelo e competência. Foi um cidadão que teve o dom maior de cultuar a preservação dos moldes da formação da mente infantil, sob uma garbosa farda de que cada um se orgulhava de vestir. As coisas mais simples sempre cercaram sua existência, porém, cada uma delas com um significado muito nobre: sua família, as plantas, as amizades sólidas e o escotismo. Seu pai, meu velho amigo Zéca Brum, perto dos oitenta ainda estava ativo em sua missão de comandar as turmas de trabalhadores que mantinham o sinuoso caminho que ligava Cocal, via Urussanga, até Orleans. Morou a pouco mais de trinta metros da Rádio de Urussanga (na parte frontal da Casa Paroquial, onde - quase menino - eu já atuava. A partir dele vieram os exemplos de dignidade de Agenor (o Chefe Brum), Nico, competente alfaiate da Laguna, e, por extensão, tudo o que realizou o Chefe Brum pela comunidade lagunense, salvaguardando nossos filhos sob o manto sério e irreprensível do seu Grupo Escoteiro. Lúcido, falávamos sempre ali pelas imediações da Farmácia Mar Grosso, onde era seu ponto de parada. Certamente ele agora, lá no Plano Superior, ao invés de estar regando suas rosas e camélias, como fazia aqui cotidianamente, está levantando o símbolo maior do escotismo, a FLOR DE LIS, bradando cá prá baixo: "Não deixem morrer o escotismo. Sempre Alerta!". Meu adeus àquele que soube fazer sua parte como cidadão exemplar e denodado...
Laguna, 14 de fevereiro de 2008.
Chefe Brum ao lado de uma Bandeirante num encontro nacional de escotismo em Petrópolis, R.J. Foto cedida por sua filha Ismália e enviada por Carlos Araujo Horn.
Muito, muito obrigada a vocês todos que têm compreendido a importância da transmissão da memória da nossa cidade! Fazê-la circular é o meio mais certo para que ela não se perca! As gerações que estão chegando precisam urgentemente disto! Este site está sendo um primeiro passo. Pessoas escreveram livros, outras mais escreverão, farão mais sites, trabalhos universitários, discutirão a memória lagunense, falarão de Anita Garibaldi, mas também de várias famílias, heróis anônimos, que construíram a cidade. Falarão das ruas, das casas, da história dos prédios, das praias, dos bairros.Contarão aos seus filhos histórias dos personagens, mostrarão fotos de amigos, tios, primos, gente que eles talvez nem lembrariam mais... Muito obrigada, será graças a vocês!