Em dezembro do ano seguinte, o Governo do Estado abria aqui o terceiro grupo escolar inaugurado em Santa Catarina: o Grupo Escolar Jerônimo Coelho, que conquistaria, dentro em pouco, pela competência e dedicação de seu diretor, o professor João dos Santos Areão, e de seus mestres, a reputação de estabelecimento de ensino modelar. Em 1914, seria criado, anexo a esse mesmo estabelecimento, um curso complementar que não só proporcionaria a seus alunos ensino mais avançado como lhes possibilitaria a matrícula no 3º ano da Escola Normal da capital do Estado.
Otávio Ulysséa. Foto oferecida a sua madrinha Yvonne Calil Bulos.
Era, sem dúvida, um grande benefício que se prestava à juventude lagunense, mas, afora as naturais vantagens do aprimoramento da educação, não tinham os moços conterrâneos possibilidades de ingresso nos cursos universitários. Foi então que, a partir de 1925, começaram alguns precursores a trabalhar em favor da instalação, nesta cidade, de um curso ginasial oficializado. Muitas pessoas de projeção na política e na sociedade tomaram interesse pela causa. Desejava o orador, todavia, citar o nome de um paladino, o brilhante jornalista Tito Carvalho que, pelas colurnas do diário local “A Cidade”, moveu ativa campanha em favor do estabelecimento aqui de uma filial do Ginásio Catarinense. “Seu companheiro nas lides jornalísticas, fui testemunha do seu entusiasmo, e dei-lhe minha colaboração. A sua proposta foi acolhida pelo então prefeito João Guimarães Cabral que tentou, inutilmente, conseguir dos dirigentes daquele colégio a criação proposta pelo jornalista.
Formatura de Terezinha Viana Duarte. Foto do arquivo pessoal de seu filho Jairo Viana Duarte.
Prosseguindo, refere-se o orador às agitações da Revolução de 1930, à fase de reajustamento que se seguiu. Não morrera a idéia da fundação de um ginásio oficializado e coube ao prefeito José Fernandes Martins concretizá-la. Assumindo o governo municipal procurou tornar realidade duas velhas aspirações da gente lagunense: estabelecer ligação, por terra, com a capital do Estado e fundar aqui um ginásio reconhecido pelo governo federal, o que conseguiu. Com respeito ao Ginásio, de princípio procurou entrar em contato com algumas ordens religiosas, propondo-lhes facilidades para a abertura do estabelecimento. Surgiram, todavia, dificuldades: “Eis, porém, que chega ao conhecimento do velho prefeito encontrar-se no Araranguá um antigo inspetor federal de colégios portoalegrenses disposto a fundar, no sul do Estado, uma casa de ensino nos moldes desejados. Era o major engenheiro reformado Manuel Vargas Grott. Busca-o o Cel. José Fernandes Martins. Entende-se. E no dia 26 de março de 1932, pela Resolução no. 41, a Prefeitura cedia gratuitamente ao prof. Grott, por dez anos, o próprio municipal situado à rua Voluntário Firmiano, para que nele fosse instalado o “Ginásio Lagunense”.
Jairo Ulysséa Baião. Foto recebida de Daniel Bulos Remor.
Lamenta, depois, o orador, a descrença e a incompreensão de algumas pessoas que, nesta fase da criação do Ginásio, procuraram lançar o desânimo entre os que trabalhavam. “Mas nenhum efeito produziram as críticas dissolventes, além dos naturais aborrecimentos que causam. A Prefeitura, que funcionava no prédio cedido ao major Grott, foi transferida para o edifício da Cadeia Velha; adquiriu-se aparelhamento provisório para o novo educandário e no dia 16 de abril de 1932, perante numerosa assistência, numa das salas da mesma casa onde ainda hoje se encontra o Ginásio, dava o major Manuel Grott a sua aula inaugural.
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Ildete Vieira.
Maria Anita Alcântara – Formanda do Colégio Normal Brito Peixoto - 1970.
Relembra o prof. Ruben Ulysséa a cultura e a personalidade do primeiro diretor, os primeiros anos de existência do educandário, as démarches para o reconhecimento oficial, a abertura das aulas no ano escolar de 1933, quando começou a funcionar a primeira série ginasial, de vez que, em 1932, funcionara, somente, um curso de admissão. Formavam, então, o corpo docente do estabelecimento, além do diretor Grott, Romeu Ulysséa, José Varella Júnior e o orador. Finalmente, em 8 de março daquele ano de 1933, um despacho ministerial oficializava o Ginásio, concedendo-lhe autorização para seu funcionamento legal. Dias depois, recebia o estabelecimento a visita de seu primeiro inspetor, o senhor José Ferreira da Silva, que abriria os livros de registro e presidiria aos exames de admissão à primeira série.
Margot Wilke. Foto enviada por Ildete Vieira.
Em 1938, formada a primeira turma de ginasianos, o major Manuel Grott deixou a direção e a docência do Ginásio. Abria mão de inegáveis direitos de propriedade sobre o estabelecimento e transferia a sua residência para Ponta Grossa. Foi então que os professores, que naquela época constituíam o corpo docente do Ginásio fundaram a Congregação que viria, até o presente, responder pela manutenção do estabelecimento. Eram oito: Romeu Ulysséa, José Varella Júnior, Paulo Carneiro, Antônio Dib Mussi, Oscar Leitão, Paulo Gailit, Joaquim Brasil Cabral e Ruben Ulysséa, aos quais se reuniram, pouco depois, Germano Donner e Mário Cabral.
Arlete Duarte Corrêa.
Venceram, graças aos apoio do então prefeito Giocondo Tasso, a crise que surgia com a retirada do major Manuel Grott e conseguiram inaugurar o novo período letivo sem prejuízo para os alunos, confiando a direção do estabelecimento ao dr. Antônio Dib Mussi, cuja atuação é elogiada pelo orador que, a seguir, se refere com palavras de louvor aos professores que sucederam ao dr. Mussi na direção do Ginásio: Romeu Ulysséa, e depois Germano Donner, que ali se conservou durante 16 anos “orientando as nossas atividades com a inteligência e a energia que lhe marcavam a personalidade”.
Judite Duarte.
Passou depois o prof. Ruben Ulysséa a analisar o trabalho educativo que o Ginásio vem realizando nestes 25 anos de atividades. Mostrou os benefícios que trouxe à juventude estudiosa da Laguna, o avultado número de alunos que ali receberam o seu certificado de conclusão de curo (ao todo 379), e o êxito com que prosseguiram o seus estudos noutros colégios, as vitórias alcançadas por alguns deles em diversos concursos, ou nas provas de ingresso nas escolas de instrução militar. Falou na criação, em 1949, da “Escola Técnica de Comércio Lagunense”, e, em 1950, da “Escola Normal Brito Peixoto”, cursos de ensino técnico mantidos pela Congregação do Ginásio, que, sobre as naturais prerrogativas que conferem aos diplomados, ainda lhes dão o direito ao ingresso nos cursos universitários.
Nivea Rebelo da Silva
. “Como vedes, disse, a despeito das instalações do prédio onde funciona o nosso estabelecimento escolar, não temos poupado esforços e não temos medido sacrifícios no prosseguimento da nossa obra educacional”. Declarando que o Ginásio está a precisar de novo prédio para ampliação dos seus serviços, ponderou, contudo:
Normalista Maria Isabel Mendonça de Souza, foto recebida de Tânia Rogéria de Souza.
“Seria justo, porém, que se reconhecesse que a escola não é o prédio, mas o ensino ministrado. O convento não são as paredes, mas as pessoas, pregava o padre Manuel Bernardes. Com efeito, seria censurável se possuíssemos uma suntuosa casa e os nossos alunos fizessem má figura noutras escolas ou fracassassem nos concursos e nas provas de seleção, demonstrando a fragilidade di seu preparo. Mercê de Deus, e para a satisfação nossa, é justamente o que não acontece”.
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