Nesta troca de recordações escolares é inevitável que certos fatos mais marcantes ressurjam espontaneamente para colorir ainda mais meu álbum de saudades. “Seu” Jairo professor de Português (Literatura Brasileira): instaurou um tribunal na nossa sala de aula. Deu aos alunos a dura incumbência de se dividirem em advogados de defesa, promotores, jurados, público, juiz, testemunhas. Tudo isto para julgar o Romantismo, o réu, cruelmente acusado pelo Modernismo. Fui a Advogada de Defesa e defendi o Romantismo com as unhas, os dentes, as, mãos, e tudo o que pude....Nosso Tribunal foi um sucesso, e deu vontade a vários alunos de seguir adiante e freqüentar verdadeiros tribunais: alguns colegas hoje são do ramo!
“Seu” Jairo diretor da escola: catando aluno nos corredores, vendo quem cantava o hino de verdade ou fazia dublagem (como eu), consolando os inconsoláveis. – Vai pra sala menina! – Não vou mais estudar, seu Jairo, me deixa aqui na grama. – Que bonito, vai ficar aí, na grama, pegando sol e chuva até acabar o ano. Se o teu avô estivesse vivo, tudo o que ele iria querer seria exatamente o contrário. Mas, a vida é tua, se precisar conversar, pode vir conversar comigo. Levantou-se (porque ele tinha se sentado na grama comigo) e foi. E eu também, pra sala estudar e terminar o ano.
“Seu” Jairo professor de Inglês: - Na próxima aula eu quero todos com uma camiseta que tenha alguma coisa escrita em Inglês na frente. – Qualquer coisa, “seu” Jairo? – Qualquer coisa! No dia seguinte, uma sala inteira do curso científico vestida com camisetas de cores diferentes e com frases nos mais diversos tamanhos e tipos. A aula começou tímida. O professor andando, observando, parou diante de uma das alunas e perguntou: - Tu sabes o que está escrito na tua camiseta, minha filha? Ela abaixou o pescoço e vai lendo: - Ah, é “Love me... o resto eu não sei... - Ah... – suspirou “seu” Jairo e deu mais uns passos – E na sua, meu filho, o que está escrito? Outro que se debruçou pra frente e começa: - “The best of ....- ele levanta a cabeça – tá complicado “seu” Jairo. - Traduz, meu filho. - Traduzir? - É, em Português. - Bem, eu acho que é... Ele interrompeu, voltou para frente do quadro-negro e falou lentamente: - É incrível a capacidade de vocês de andar com qualquer coisa escrita no peito só porque está escrito em Inglês. Vocês não usam a capacidade de reflexão, não pensam em saber o que significam as palavras que estampam a bandeira que vocês vão carregar no peito. Vocês vestem qualquer camisa. Vocês fazem isto com os seus ideais? E saiu pela sala lendo uma por uma das camisetas de todos os alunos. Foi uma experiência inesquecível e dura. Depois dessa, não coloquei mais camiseta sem saber exatamente o que está escrito nela.
E não esqueci de quem me ensinou lições primordiais para a vida: você precisa acreditar naquilo que defende; precisa buscar sempre, razões para se levantar; antes de mostrar ao mundo os seus ideais, compreenda-os.
Grande mestre, este meu. Foi seu também? Parabéns!
Nadine A. de Castro Bittencourt e Zuleida Martis Rosa posando em dia de chuva com o uniforme do CEAL de 1978. Foto recebida de Zuleida.
Charge da turma do 2o Científico A do CEAL de 1977 feita pelo jornalista Richard Calil Bulos e publicada em seu jornal "A Voz da Laguna" em 1986" . Recebida de Rita de Oliveira Medeiros.
Formatura da 8a Série A de 1975 no CEAL, foto que saiu anos depois num momento de saudade do jornal "O Palanque" de Richard Calil Bulos.
Não deixe o tempo levar, não deixe a memória apagar... Professores, estudantes, todos tempos lembranças a compartilhar! Traga as fotos, as suas recordações e vamos lembrar juntos!