Você vai conhecer nas próximas páginas um pouco mais do Hospital de Laguna. Talvez você não saiba, mas eles (todos os que lá trabalham) estão em luta constante para tentar dar o melhor para os cidadãos com um mínimo de recursos. Por isto dependem muito de tudo o que recebem. Há cidades no Brasil que unem os seus artistas, os seus comerciantes, os seus industriais, enfim, todos os cidadãos, em prol de seus hospitais, em favor da saúde pública, das causas sociais que elevam o padrão de vida dos indivíduos e, em conseqüência, da sociedade. E se Laguna fizesse o mesmo? E se Laguna pensasse lagunense?
Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos. Foto recebida de Regina Ramos dos Santos.
O HOSPITAL SENHOR DOS PASSOS
Saul Ulysséa*
Prezalino Ley Santos e o Dr. Francisco Izidoro Rodrigues da Costa tiveram a lembrança de ativar as subscrições muito morosas para adquirir meios para a construção do hospital que tomou a denominação de Senhor dos Passos. O Dr. Izidoro da Costa que exercia o cargo de Juiz Municipal da Laguna e Ley Santos era professor contratado por alguns comerciantes para a manutenção de um colégio primário, em virtude de que naquela época a instrução merecia poucos cuidados pelo governo. Izidoro e Lery Santos, com o fim de pôr em prática a sua idéia, procuraram o tenente coronel Joaquim José Pinto de Ulysséa, a quem apresentaram a sua idéia que foi aceita com muito agrado. Ambos se prontificaram a fazer a propaganda pelo jornal “Municipio” de propriedade de Ley Santos. Em 9 de Fevereiro do ano de 1879 foi convocada uma reunião popular no edifício da Câmara Municipal para a eleição de uma comissão que se ocuparia das obras do novo hospital. Foi então eleita a seguinte comissão: presidente Pinto Ulysséa, secretário Antônio Fernando Viana, tesoureiro Manoel Monteiro Cabral, membros: major Custódio Bessa, dr. Francisco Luiz Viana e dr. Francisco Isidoro Rodrigues da Costa. A comissão reuniu-se no dia seguinte na redação do “Município”. Entre outras providências, resolveram organizar subcomissões para angariar donativos em Rio de Janeiro, Tubarão, Araranguá, Imarui, Pescaria Brava, Aratingaúba, Mirim e Vila Nova e designar a comissão para confeccionar o projeto da edificação do prédio. Esta Comissão ficou composta pelos senhores Pinto de Ulysséa, Manoel Cabral e Dr. Francisco Viana. A comissão desempenhou seu encargo dando conta do trabalho, em 10 de março do mesmo ano, designando o local para a construção do prédio, suas dimensões, etc. Ley Santos e Iziodro da Costa faziam propaganda pelo jornal de Ley. __________
Foto datada do início do século. Dos arquivos de Dalmo Mendes Faísca.
O primeiro donativo recebido, foi de 25$000. Tendo suscitado uma dúvida entre Augusto Schneider e João Falber, foi o acordo feito pelo Juiz de Paz e Resolveram os contendores entregar a importância em dúvida para as obras do hospital. Os maiores donativos nos primeiros tempos foram obtidos pela comissão do Rio de Janeiro composta pelos comendadores Antônio Torres, José Inácio da Rocha e Custódio Martins de Souza, subscrevendo a importância de dois contos de réis. Cada um, que corresponde hoje a vinte ou mais contos. Em junho foram iniciadas as obras preliminares, obedecendo a planta generosamente oferecida pelo engenheiro Francisco Berendt. Ficou resolvida a construção do lance da parte sul e a capela central, para mais tarde ser construido o lance do norte. Foi marcada a data de 7 de Setembro do mesmo ano de 1879 para a colocação da pedra fundamental, que devido à chuva, realizou-se no dia 8. Naquele dia, às 4 horas da tarde, realizou-se a cerimônia sob a presidência de Pinto Ulysséa em presença das autoridades, de toda a comissão e da grande massa popular. Foi colocada no ângulo do sul, depois do benzimento pelo vigário Manoel João Luiz da Silva. Foi colocada no lugar, uma caixa de madeira e dentro uma de zinco onde foram depositados e depois fechados: cópia da ata da solenidade, “O Municipio”, “A Verdade”, várias moedas de diversos valores, cópia dos discursos do padre Manoel João Luiz da Silva, dr. Argemiro Ferreira Chaves, Prezalino Lery Santos e dr. Francisco José Luiz Viana. Ao ser coberta a caixa de madeira com uma pedra talhada, o vigário Manoel João pediu que fosse riscada em cada ângulo da pedra uma cruz o que foi feito por um dos canteiros que trabalhavam nas obras do hospital. Por falecimento do provedor Pinto de Ulysséa em 24 de dezembro de 1882 e retirada do Izidoro da Costa para Pernambuco, foram eleitos membros de mesa os Srs. Capitão Antônio Marques e Francisco Berendt. Em agosto de 1884, ficou concluída a parte sul do edifício e a capela.
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