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Esta foto foi tirada no ano de 1945 e trata-se da famosa "Máquina 6" do Departamento Nacional de Portos e Navegação - Porto de Laguna, conduzida pelo Sr. Fernando Custódio de Oliveira (meu bisavô). Foto e comentários enviados por Fernando Luiz Medeiros Jr.



Citando Saul Ulysséa, de seu livro "Laguna de 1880":


MARINHA MERCANTE


Via-se na bando do peixe, principalmente pela manhã, marinheiros fazendo compras que depositavam em um balde de madeira com arcos demetal luzidio ou pintados de côres vivas.
Os cosinheiros de bordo iam pela manhã ao escritório dos donos dos respectivos navios buscar dinheiro para o “rancho”, como chamavam. Hoje parecerá ridícula a importância que recebiam, para comprar as refeições para a tripulação, que entretanto eram fartas.
Recebiam 1$000 para o capitão, 500 rs. para o contra-mestre e 240, para cada marinheiro.
Como admirar-se com 100 rs. fazia o cosinheiro uma fritada para toda a tripulação ?
As refeições paa os marinheiros eram feitas no convés. Uma grande bandeja de folha continha a comida e êles a rodeavam, sentados ou de cócoras, tendo cada um sua colher. Serviam geralmente sopa ao jantar.
O capitão e o contramestre, comiam na câmara e usavam talher; suas refeições eram servidas em pratos, sôbre toalhas.
Raramente havia praticante a bordo.
Quando o navio precisava de marinheiro, hasteava uma bandeira vermelha no topo do mastro de prôa e se desejava “moço”, como chamavam os iniciados na vida marítima, a bandeira ficava a meio galope. Se pedia cosinheiro, a bandeira era colocada no estai grande, por cima da cozinha.
Os navios da Laguna, se distinguiam dos das outras praças.
Eram todos pintados com esmero, mastreação raspada e oleada, cordame alcatroado. Pipas dágua, balsas, bolinete, tudo enfim era seguramente pintado, apresentando ótimo aspecto. O convés sempre baldeado e esfregado com areão. Bote e batelão, tres embarcações que todos os navios possuiam, eram da mesma fórma cuidados. Os bótes possuiam velas, tapetes e cana do leme em meia lua, de metal.
-  Meu navio não “chora ferrugem”, diziam com garbo os capitães e contra-mestres. Esta expressão se referia à ferrugem que escorre  das pregaduras , no costado.
Alguns navios usavam a inicial do nome em grande letra preta, no meio do velacho de fórma a ser vista de longe. Alguns usavam o nome douado e assim o pequeno catavento no topo dos mastros.
O maior navio era o “Luzitano”, e o menor, o “Firmeza”, ambos patachos e pertencentes à firma Custódio José Bessa.


MAX - vapor da empresa Carlos Hoepcke, que durante anos a fio transportou carga e passageiros entre Laguna e Florianópolis. Foto do acervo de Dalmo Mendes Faísca



MAX - vapor da empresa Carlos Hoepcke, transporte de cargas e passageiros, Laguna-Fpolis-Laguna, ao comando do gentil Comandante Moreira. Foto recebida de Antonio C. Marega.



Chegada do Max ao cais de Laguna. Foto e texto: fonte livro Laguna Memória Histórica de Ruben Ulysséa.



Pedro Fernandes de Oliveira a bordo do Vapor Max Hoepcke. Foto enviada por sua neta Maria Goreti de Oliveira Ulbricht.



COMÉRCIO


O comércio exportador foi sempre o mais importante, quer pelo movimento, quer pelo capital empregado.
Os exportadores possuiam um ou mais navios a vela para o transporte de suas mercadorias, embarcadas a granel, destinadas em sua quasi totalidade para a praça do Rio de Janeiro, alguma para portos da Província, poucas para outras praças.
Os principais gêneros exportados eram: farinha de mandióca, feijão, milho e favas. Pouco polvilho, amendoim e couros. Mais outros gêneros em insignificante quantidade. Não havia exportação de banha, carne de porco e arroz. Êste era recebido da Índia por intermédio da praça do Rio.
Casas atacadistas havia poucas, porque as vendas para o interior eram insignificantes.
Os varejistas se supriam compando aos exportadores que também importavam sendo os seus navios os portadores.
Algumas mercadorias compravam em Desterro, capital da Província, que chamavam “Ilha”.
- Fulano, diziam, foi fazer suprimento na Ilha ou acaba de chegar da Ilha, etc.
Os exportadores fechavam seus escritórios ao escurecer e os varejistas às 21 horas no inverno e 22 no verão. A hora do fechamento do comércio era determinada pelo badalar do sino da Municipalidade que chamavam: “o sino da cadeia”



Nas águas revoltas da barra da Laguna, o pequeno vapor “Max” fez parte da sua história. (Foto e comentários do Instituto Carl Hoepcke)



Infelizmente tudo não está nos livros... Então, se você conhece detalhes, fatos da nossa Laguna, conte pra gente! Se alguém contou pra você, conte pra gente!  Vamos partilhar com todos a emocionante história da Laguna!

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Uma frase inesquecível do Deputado Armando Calil Bulos, saída com certeza de seu coração lagunense:

" A LAGUNA, DE TANTO DE SER ESQUECIDA, APRENDEU A NÃO  ESQUECER."