Na foto de 1937, o navio de bandeira holandesa "Aldabi", que encalhou e depois afundou ao lado do Farol de Santa Marta, em Laguna, S.C., transportava mercadorias diversas, muitos tecidos e sedas. O Sr. Sebastião Peixoto enviou a foto através de um holandês (casado com a lagunense Dayse Delgado) para a empresa proprietária da embarcação, que batizou um novo navio com o mesmo nome. Foto e texto de Igor Ezequiel Ivanov.
Canoa de Convés - importante transporte para a economia regional da Laguna. Foto enviada por Antonio C. Marega.
(Texto citado a partir do livro "Laguna de 1880" de Saul Ulysséa, editado em 1943)
A SAÍDA DE NAVIOS
Outro divertimeno agradável: assistir a saída de navios, observada do alto da “Vigia”, assim chamado um local no morro do Páu do Sinal. Como eral muitos os navios à vela e só saiam quando soprava vento do quadrante sul e a barra permitia, acontecia que ficavam muitos navios no canal da barra esperando saída. Por vezes saiam seis e até dez navios no mesmo dia. Os hiates e navios de cruz. La iam um atrás do outro, disputando corrida. Inegavelmente é muito mais bela a navegação à vela que a vapor. Esses navios ao enfunarem o velame, produziam um espetáculo admirável. Quando os mais velozes passavam os de menos carreira, motivava discussões e os partidários do navio derrotado, davam como causa da derrota, estar o navio muito carregado, descompassado ou com o fundo sujo. _______
Em todas as festas obrigadas a música lá estava a nossa velha banda “União dos Artistas” fundada em 3 de Maio de 1860 e que ainda existe contando oitenta anos. Outras vezes, a “Santa Cecília”.
Navio "Aspirante Nascimento" na saída da barra da Laguna. Foto de Dalmo Mendes Faísca.
De Saul Ulysséa, do livro "Laguna de 1880":
VIAGEM PARA O INTERIOR
Todas as viagens para o interior eram feitas em canôas e raras vezes em botes. Para araranguá, a cavalo, seguindo-se da Barra pelas praias. Da Laguna a Tubarão eram feitas entreoito e dez horas e de Tubarão para baixo em cinco ou seis. Dois canoeiros se dedicavam a êste serviço e tinham as respectivas canôas preparadas. Um conhecido por Antônio Frango, moreno e baixo em quem todos tinham muita confiança, quer nas suas aptidões quer na sua honestidade. O outro, um preto, gordo, forte, de nome Miguel Bexiga, também muito prático no seu serviço. Era sério e de confiança. Muito espirituoso, distraia os passageiros com suas pilhérias. As viagens eram geralmente iniciadas de madrugada ou pela manhã cêdo. Os viajantes para tubarão almoçavam debaixo de uma figueira na margem do rio, na confluência com o pequeno rio Parobé. Apesar de muitas horas de viagem, os viajantes se deliciavam com a variedade de paisagens, qual delas a mais interessante. Havia entre outros, dois canoeiros que se ocupavam com o transporte de cargas, do interior para a cidade. Envelheceram neste trabalho e se destacavam dos demais pela originalidade. Um de nacionalidade grega, de nome Felipe, conhecido por “Felipe da Rabeca”, porque tocava um instrumento de três cordas tangidas por um arco. Depois de velho, já sem fôrças para remar, ainda conservava a sua canôa, já muito velha e remendada e o seu instrumento – seus companheiros de toda vida.
A lagoa Santo Antônio sempre bem "povoada"... Foto de Dalmo Mendes Faísca.
Tocava apenas três peças com muita perfeição e afinação, devido aos anos de exercício. Às vezes acompanhava a sua música com cantos em sua língua nativa, demonstrando emoção, lembrando-se talvez de sua mocidade e de sua terra distante que há longos anos não visitava. Em suas viagens, quando era favorável, armava a vela, colhia a escota e muito risonho sentava-se junto ao leme e tocava seu instrumento, cheio de contentamento, sorrindo para a vida. Era um verdadeiro boêmio. O outro de nome João Algarve, de gênio completamente diferente. Taciturno, pouco sorria e pouco falava. Era, apesar disso insinuante e simpático. Sua canôa, toda alcatroada, como o convés, de popa à prôa, dando-lhe aspecto fúnebre. Se Felipe se deleitava com o seu instrumento, João Algarve era forte em flirts, nos lugares por onde parava em suas viagens e era conhecido como indomável namorador e conquistador. Em consequência disso, tinha muitos filhos espalhados por êsses logares. Contavam que nas vendas, nas praias e nos caminhos, encontrava muitas vezes, um rapaz que lhe pedia a benção. - A benção, meu pai. - Deus te abençoe, meu filho. Escuta quem é a tua mãi? - É a ... - A Aninha? Como vai ela?
Vapor Santo Antônio. Foto de Dalmo Mendes Faísca.
Foto de Dalmo Mendes Faísca.
Infelizmente tudo não está nos livros... Então, se você conhece detalhes, fatos da nossa Laguna, conte pra gente! Se alguém contou pra você, conte pra gente! Vamos partilhar com todos a emocionante história da Laguna!
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Uma frase inesquecível do Deputado Armando Calil Bulos, saída com certeza de seu coração lagunense:
" A LAGUNA, DE TANTO DE SER ESQUECIDA, APRENDEU A NÃO ESQUECER."