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Fonte da Carioca, data não precisada. Arquivo do site


                     "Quem beber desta água, sempre voltará!"


Assim diz o ditado, sobre a água da Fonte da Carioca. E são muitas as lendas que circulam em torno da nossa mais famosa fonte.  De um beijo trocado entre Anita e Garibaldi a um famoso fantasma que andava assombrando os que lá iam matar a sede.

Quem sabe as verdades? Quem contava as mentiras? Quem nos contará as histórias? Vamos esperar que muitos serão os que nos enviarão fatos e fotos!
Email: coracional@bluewin.ch




Fonte da Carioca, data não precisada. Arquivo do site




LARGO DA CARIOCA - por Saul Ulysséa*


Antigo campo da Fonte e atualmente praça Lauro Müller.
Na época que descrevemos era campo aberto, desde o chafariz, até os fundos das casas da rua Santo Antônio.
No centro da praça foi construído o edifício do Grupo Escolar Jerônimo Coelho, em 1911, e ao lado o edifício do Posto de Saúde edificado em 1941.
Atravessava todo o largo, uma vala que servia de escoamento das águas do morro e das sobras do chafariz.
Por toda a vala, muitas fontes de lavagem de roupas eram estendidas no pasto ao lado. Grande parte do campo era tomada de guaxima.
A noite, formidável música de sapos alegrava... os cantores. Levavam a noite inteira naquele interminável, quatro vezes quatro, quatro vezes quatro, interrompido de quando em vez por um forte-errado!
Os moradores já estavam acostumados com a música, que não os impedia de dormir.
Do outro lado do morro do Moinho havia sómente três casas, sem alinhamento. Uma no local onde passa hoje a rua aos fundos do Grupo, outra, pequena, sem vidraças na fralda do morro e oura próxima a esta, ainda por acabar.
Na primeira, de propriedade dos herdeiros do tenente Francisco Freitas, morava uma parda de nome Iria, na edificada próximo ao morro, um preto velho de nome Manoel Francisco e um pardo alto conhecido por Joâo Mujolo, que puxava de uma perna em consequência de ferimento recebido da guerra do Paraguai, para onde fôra como voluntário. Na outra casa um preto de nome Antônio Wanzeller, preto da Costa, que aos domingos, de calças brancas e enormes sapatos esmolava para a irmandade de N.S. do Parto. Sua mulher de nome Luiza, era parteira. Êle era cozinheiro do patacho “Wanzeller”.



Fonte da Carioca e Casa Pinto D"Ulysséa. Cartão postal dos anos 70 recebido de Gilberto Bulos Remor.



Próximo à casa de Manoel Francisco havia um caminho que dava acesso ao morro do Moinho.
No morro do Moinho, uma casa entre árvores, onde morava um senhor selho, de nome Manoel Garcia com seus filhos João e Pedro, sendo êste menino.
Do lado da praça em seguimentoi à rua Tenente Bessa, a casa de moradia e propriedade do sr. Manoel José Dias de Pinho, de bôa construção.
Seguia-se um quintal cercado de táboas, tendo no centro uma pequena casa onde funcionava uma escola para meninos, regida pelo professor Venâncio Antônio de Oliveira e Silva.
Mestre Venâncio, como era conhecido, alto, magro, barba grisalha, era inteligente e energico. Muito severo com os alunos. De princípios austeros, er muito respeitado. Exercia o cargo de escrivão eclesiastico.
Al lado uma cêrca de páu a pique atado com cipó, até três casas baixas unidas, das quais restam duas.
Na primeira morava o sr. Manoel Ferreira, hábil carpinteiro, velho e muito honesto e bom chefe de família.
Depois, uma casa de bôa construção onde residia o padre Manoel João, sendo a casa de sua propriedade.
Padre Manoel João Luiz da Silva, vigário colado. Alto, magro, claro e corado. Olhos azues, cabelos grisalhos. Inteligente e preparado, todos o respeitavam. Paroquiou a Laguna, sua terra, durante 57 anos. Logo que se ordenou veio rezar sua primeira missa em Laguna e aqui ficou até a morte.
Completou o jubileu sacerdotal em 1904, tendo-lhe seus paroquianos prestado tocante e respeitosa homenagem. Causeur admirável todos tinham prazer em ouví-lo.
Em seguimento, uma cerca de táboas e uma meia-água de porta e  janela e dentro de um quintal. Na primeira morava uma velhinha de nome Alexandrina, muito clara e na outra, outra velhinha de nome Maria Lula, robusta e morena.
Após uma cêrca de páu a pique atado com cipó, uma casinha que fazia esquina da estrada do Mar Grosso, sem vidraças como a precedente. Esta casa dois anos antes, era coberta de palha.
Nela morava um velho de cabelos e barba brancos, de nome Caetano Bittencourt, senhora e seus filhos Manoel e José e três filhas. José era carpinteiro, muito trabalhador e honesto como seu pai. Manoel era doente.
Ao lado do chafariz da Carioca, a casa de propriedade e residência do tenente-coronel Joaquim José Pinto de Ulysséa.
Casa de bôa construção para a época, de azulejos portugueses. Foi a primeira casa construída em Laguna com platibanda. Sua construção foi em 1866. Em 1860 só existiam em toda a cidade três casas com platibanda. Havia ali uma luxuosa chácara, com grande jardim, horta e pormar, que eram tratados por um jardineiro português de nome Matias Monteiro.



Fonte da Carioca.



Na frente do terreno, um grande gradil de ferro. No fundo da praça, o chafariz construído em 1863.
Naquele tempo sómente existia a caixa ao lado do morro, tendo ao lado um bebedouro. A construção foi iniciada em 1768 e que é hoje o depósito atrás do chafariz.


Foto de 1978 recebida de Wilson Greff.




Foto de 1999 de Geraldo Cunha (Gê). Arquivo deste site.




Foto de 1999 de Geraldo Cunha (Gê). Arquivo deste site.




Uma ou outra foto esquecida na gaveta, um jornal velho dobrado no fundo de um armário, a lembrança de uma festa na casa de um tio quando era pequeno... Cada detalhe conta. Tudo é importante. O tempo vai passando e tudo o que se deixa passar, vai se perdendo e se esquecendo.

Nossos filhos, nossos netos, merecem conhecer de onde vieram.

Vamos contar, com detalhes, toda a história de nosso povo. Vamos tirar das gavetas, armários, do fundo das memórias, tudo o que puder ser revivido!

Se você tiver uma foto, lembre que ela é importante, envie! Toda foto, toda lembrança, é um pedaço da memória que se aviva. Envie para o email coracional@bluewin.ch).

Não esqueçam, amigos: cada um de vocês é parte da história da nossa cidade. Não vamos deixar a história do povo lagunense se apagar no esquecimento porque não foi contada!

A memória de uma cidade só permanece viva se circular entre os seus cidadãos!