Embarcações no centro da cidade, preparadas para a Festa de Navegantes. Foto e comentários de Dalmo Mendes Faísca.
(continuação da leitura da página anterior)
Ao lado uma pequena loja de fazendas pertencente a um velho italiano de nome Faraco. Alto, magro e meio curvado. Muito religioso não admitia qualquer demonstração de ateismo. Algumas pessôas para ouví-lo falar diziam-lhe que não acreditavam na existência de Deus. Faraco irritadíssimo respondia-lhes: Ma quim fô qui felo celo, qui fô qui fê la terra, quim fô qui fê la trobolata, não fô il bom Deus? E continua furioso a algaravia. Era homem simples e de bons costumes. Após a loja do Faraco, a sapataria do sr. Augusto Schneider, bem sortida. Augusto Schneider, alemão, de altura mediana, usava barba à inglesa (bigode e barba cerrada com o quixo raspado). Residente há muitos anos no Brasil, nunca conseguiu falar claramente o português. Era honesto e de vida exemplar. Pegada à casa Schneider, na esquina da Travessa Comendador Rocha, casa que ainda existe, era estabelecido com armazem de comestiveis o sr. João Paulo Cordeiro, tendo como gerente e sócio, cunhado de nome Manoel. Paulo Cordeiro, como era conhecido, de altura mediana gordo, claro, possuia carta de piloto, obtida em Lisbôa. Era capitão da sumatra “Amparo”. Viajava e comerciava. Honesto e trabalhador, era acatado. Em consequência de enfermidade, perdeu a vista esquerda. Quando na eminência de perdê-la, ficou furioso com o médico que o tratava, porque êste por pilhéria dissera-lhe: - Não se apoquente com a perda da vista, Cordeiro. Olhe, uma é necessária, mas duas é luxo.
Festa de Navegantes no antigo centro de Laguna. Ao fundo percebe-se o Mercado Público e à esquerda, a Capela do Rosário. Foto recebida de Jairo Viana de Oliveira Jr.
Do livro Coisas Velhas, de Saul Ulysséa: Durante alguns anos a trasladação da imagem do Senhor dos Passos era feita da Capela do Rosário para a Matriz e assim de N.S. dos Navegantes.
Festa de Navegantes no antigo centro de Laguna. Foto recebida de Jairo Viana de Oliveira Jr.
Festa de Navegantes no antigo centro de Laguna. Foto recebida de Jairo Viana de Oliveira Jr.
Do livro Laguna de 1880, de Saul Ulysséa:
DIVERSÕES
Os divertimentos da época eram os comuns a todoas as cidades pequenas: festas religiosas e bailes.
As festas religiosas mais concorridas e de mais brilho eram as de N.S. dos Navegantes, do padroeiro Santo Antônio e de Espírito Santo.
A de Navegantes devido a existência de muitos navios da praça e a religiosidade dos marítimos e armadores, distinguia-se das demais, quer pela ornamentação dos navios, quer pela quantidade de fogos. Cada embarcação procurava distinguir-se pelo adorno e pela originalidade dos fogos.
A transladação da Santa era feita da Capela do Rosário para a Matriz, percorrendo toda a rua da Praia e descendo do morro pela ladeira do lado do mar.
Se não há atualmente a quantidade de navios que naquele tempo possuia a praça, em compensação os fogos de artifício modernos são de muito maior efeito, mantendo portanto o mesmo brilho da festividade passada.
A festa do Espírito Santo com o percurso da “bandeira” pelas casas da cidade e arrabaldes, durante muitos dias, com o leilão de prendas no edifício do “Império”, com o acompanhamento do Imperador nas solenidades do ritual, proporcionava à população muitos dias festivos.
As varas do palio eram levadas pelas pessoas de mais destaque social e o traje obrigatório era casaca, nas festas principais e nas demais fraques ou sobrecasaca, pretos.
Infelizmente, nem tudo está nos livros e tantos gostariam de conhecer melhor nossa cidade e o nosso povo!
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